Amar você é doce


Amar você é doce, como eu jamais achei que poderia ser. Pra mim, o amor sempre teve um gosto amargo de dor e tristeza. Se me perguntasse há um ano o que é o amor, eu provavelmente lhe mostraria todas as minhas cicatrizes que carrego no peito. O lado bom é que poemas maravilhosos surgem do sofrimento. Se me perguntar hoje o que é o amor, eu certamente lhe mostrarei meus sorrisos mais sinceros e os meus olhares mais brilhantes. 

Amar você é doce, é chocolate, é brigadeiro. É fazer uma receita de bolo em conjunto, típica cena de um filme de comédia romântica, experimentando o ponto do chocolate na boca. É comer bolos e tortas e querer fazer receitas de comida que eu jamais imaginei querer fazer. Eu? Cozinhando? Querendo/tentando cozinhar? 

Regina

      


      A vida não faz nada por acaso, disso eu já sei há tempos. E não foi por um acaso que eu cruzei com uma moça linda na volta do mercadinho, às dez horas da manhã. Moça essa que eu observei que chegava tão tarde, que eu quase não via, e que a ansiedade adolescente me fazia ficar nervosa esperando uma oportunidade para conversar. Quando eu ia imaginar que tal moça era tão engraçada, e tão completamente maravilhosa? E em apenas uma madrugada chuvosa, em uma conversa de uma hora, eu já descobrisse que tal moça é uma mulher tão fascinante? Nem nos meus sonhos mais loucos eu conseguiria imaginar me tornar amiga de tal mulher, ser parte do seu dia, saber da sua história. Quando a conheci, mexeu com meus instintos tão secretos e a timidez de garota me fez criar uma vergonha gigantesca. Seu jeito, sua risada gostosa, sua beleza estonteante, e claro, seu corpo escultural. Como conseguir conter minha mente tão fértil de escritora? Como controlar todos os desejos que se afloraram? E eles foram muitos, se analisa tanto as pessoas como diz, você já deve ter percebido. Pode rir, moça, fico mesmo vermelha e com vergonha de lhe dizer as coisas. Apesar...

Poesia - Cupcake


Se eu pudesse escolher, seria um cupcake,
Para em teus doces lábios tocar, 
E em um gemido de puro prazer, 
Sentir sua língua macia a me acariciar,

Ou talvez quem sabe um brigadeiro,
Para em teus dedos me derreter,
E querer me comer aos pouquinhos
Para aproveitar cada segundo.

Mas apesar de em sua boca eu querer estar,
De querer seu toque quente e macio,
Eu escolheria continuar assim,
Exatamente como estou,

Demorando-me em seu lindo sorriso,
Decorando cada detalhe do seu rosto,
E capturando, enfim, sua atenção,
Podendo em seus olhos me enamorar.

Linhas


Domingo, mais de sete horas da noite, o metrô está quase vazio. Até mesmo aquela linha vermelha, quase vermelha de sangue se for lá pelas cinco e meia da tarde, está meio solitária. Acesso à linha azul, ainda faltam diversas estações até aquela em que preciso descer. Entrei no vagão e sentei-me em um baco azul. Na primeira oportunidade me mudo para perto da outra porta, banco marrom, dessa forma não preciso me levantar caso entre um idoso ou deficiente. Ouvindo minha música, cansada, observando as poucas pessoas que estão no vagão, entra um casal e senta perto. Ela, com um bebê no colo. Ele, com a bolsa da criança no ombro. Perto da porta um senhor já de idade, com uma bengala. As estações passam, e então o senhor se levanta. Escuta o trem parar, e então ele pergunta:

Poesia - Ímpar


Sua aura irradiava felicidade por onde passava,
Trazendo alegria para o rosto das pessoas, 
Iluminando e transformando caminhos,
Ela era um raio de sol em nublados dias, 

Um dia houve escuridão em seus olhos,
Dores e mágoas que consumiam sua alma, 
Sem conseguir perdoar a si mesma pelo ato, 
Culpava o destino por tê-la deixado entrar.

A Tempestade


Quando as nuvens negras se aglomeram no céu cinza, e o vento uiva no norte, é sinal de que uma tempestade está por vir. Não há abrigo para me esconder, e eu tento acelerar o passo, mas um problema de nascença me impede de correr. Olho para trás e vejo o quão longa e escura essa estrada tem parecido para mim. Avancei um bom tanto, mas estou longe do meu destino final. Em uma pequena vila, corro batendo de porta em porta, pedindo para que me deixem entrar, nem que apenas de passagem, só para me manter segura quando a chuva passar, mas não ganho moradia. Em alguns deram-me migalhas de pão para não passar fome e um copo d'água para passar a sede, mas meu corpo pede por mais, minha alma anseia por mais. Eles não podem me dar mais, desculpe, eles não têm nem para eles mesmos... Tudo bem, eu agradeço, mas por dentro não consigo evitar o sentimento de mágoa e rejeição. Alguns anos atrás nesta mesma vila eu havia conseguido um abrigo que parecia seguro e confortável, mas na verdade ele escondia muito mais perigos que eu sequer poderia imaginar. Hoje foi derrubado e transformado em um belo casebre.

Tenha calma...


Menina apressada que corre com a jarra de leite na mão, nunca lhe ensinaram que não se deve correr? No banquete da vida, de tanta ansiedade se esvazia, que acaba comendo cru o que era para ser ao ponto. De pulo em pulo, anseia em chegar ao seu destino, esquecendo-se dos avisos no caminho de pedras e areia. Tome cuidado, menina, quanto maior a velocidade, maior o ralo em seus joelhos. Tropeça nos próprios pés e sempre derruba aquilo que vinha carregando com tanto carinho e doçura. Irrita-se consigo mesma, aponta mil defeitos e se põe a chorar de raiva. De que adianta? Quer cortar caminhos e seguir atalhos que são mais longos e tortuosos do que a sua própria estrada. Sua mãe não lhe ensinou a não andar pela floresta? Se bem que talvez fosse bom. Desestressa, distraia, menina. Tira esse peso dos ombros que já não há mais necessidade. Desacelera. Você já sabe que tudo vai acontecer como tem que acontecer; tudo tem seu tempo, não tente apressar o que não pode. Respira, garota, seu mundo não vai acabar. Eu sei que você já esperou demais por tanta coisa... Tantas promessas vazias... Tantos "talvez"... Tantos "sei lá, pode ser..." Tantas reticências... E tudo o que você quer é um ponto final. Assim. Bem colocado. Com propriedade. Um ponto e vírgula, pode ser; uma exclamação! Ou várias!!!!! Você quer certeza. Decisão. Cansada de tanto ser uma opção. Mas não adianta querer correr, se vai apenas tropeçar. Dê seus passos com clareza, exatidão. Alguns bem pensados, outros apenas pela intuição, e você vai chegar lá, eu prometo. Então, tenha calma, menina, que o tempo sabe bem o que faz.

História: Anastácia - Capítulo 09


Capítulo 09 - Primeiros Conflitos

Demorei um pouco para abrir os olhos. Eu havia dormido tão bem! Apesar de estar sentindo um pouco o corpo dolorido, estava muito bom ficar naquela cama, e eu logo me dei conta do porquê. O corpo dela estava junto ao meu, seu braço ao redor da minha cintura; olhei para ela, tinha uma expressão tão calma no rosto... Devia estar sonhando. Eu sorri, sentindo-me a garota mais sortuda do mundo com aquela loira dormindo profundamente em meus braços. Levemente me afastei dela, com cuidado para não acordá-la, e troquei de roupa. saindo do quarto. Após ir ao banheiro, lavar o rosto e escovar os dentes fui para a cozinha. Coloquei o café pra passar e fui checar o que eu tinha na geladeira; não era muito, pra falar a verdade... Um pacote de pão de forma pela metade, algumas fatias de presunto e queijo, suco de laranja, e o café. Eu não estava esperando visita, então não havia comprado nada. Morando sozinha, eu não gostava de ter muita coisa porque acabava estragando. Comecei a arrumar os lanches, colocando o presunto e o queijo, depois cortando no meio. Voltei-me para esperar o café terminar de passar no coador para colocar na garrafa e estava tão concentrada em meus próprios pensamentos que levei um tremendo susto ao sentir alguém me tocar.

História: Anastácia - Capítulo 08


Capítulo 08 - Medo do Perigo

       Enfim era sexta-feira, e eu mal podia me conter de ansiedade. Levantei cedo, fui para a faculdade, e não preciso nem dizer que quase não prestei atenção às aulas. Eu só conseguia imaginar como ia ser sair com Anastácia e com meus amigos para o mesmo lugar. Estava ansiosa se ela iria gostar do lugar, se ela iria se divertir. Depois do intervalo eu não aguentei mais. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para ela: “Bom dia loira, muito trabalho hoje?” demorou um pouco para que ela respondesse, mas logo meu celular vibrou. “Sim, estou adiantando tudo para ficar livre à noite. A senhorita não deveria prestar atenção na aula?” Ah se ela soubesse onde estava minha cabeça naquele momento... “Deveria... Mas só consigo pensar em uma loira gostosa dançando e rebolando...” Mordi o lábio inferior, ansiosa pelo o que ela ia responder. A professora passou na lousa os itens que ela queria no trabalho, e eu fui obrigada a copiar. Alguns minutos depois voltei a olhar o celular. “Gostosa, é? Rebolando só se for nos seus dedos, Leo...” Rapidamente senti palpitações e meu rosto provavelmente ficou completamente vermelho naquele momento. “Ou na minha boca... ;) Que horas você vai passar lá em casa?” Dessa vez ela demorou a me responder, já estava na hora do almoço e eu já estava indo para o meu apartamento, quando recebi sua resposta. “Desculpa pela demora. Lá pelas 22h30. Te vejo lá, garota.”

História: Anastácia - Capítulo 07


Capítulo 07 - Curiosidades

Acordei cansada, com um pouco de mau humor, e o frio que não dava trégua. Eu já mencionei que não sou tão fã assim do frio? Mas como não havia alternativa, coloquei um sobretudo, botas e cachecol e fui pra aula. Duas aulas chatas sobre a História da Arte, porque a professora era muito enrolada para explicar, e eu já estava quase dormindo com a cabeça na carteira. No intervalo Maria encostou sua carteira na minha, dando-me uns cutucões nas costelas.

— Você não sabe ser mais sutil não? – perguntei, massageando o local, com uma careta.

— Ai como você é dolorida! – ela rolou os olhos, e então sorriu pra mim. — Só vim te perguntar como é ser a sensação da faculdade!

— Hein? Que sensação? – perguntei confusa, endireitando-me na cadeira e olhando pra ela. Esfregando os olhos, tentando me manter acordada.

História: Anastácia - Capítulo 06


Capítulo 06 - Entardecer 

— Você me trouxe para um café? – eu perguntei incrédula ao pararmos em frente a uma cafeteria chamada “Fran’s Café”, em uma das ruas que cruzavam com a Avenida Paulista. Com tanto lugar inusitado e diferente em São Paulo, ela me levava em uma simples cafeteria? Frustrada era pouco para o que eu estava sentindo.

— O que você esperava? – ela sorri, parecendo achar graça da minha indignação. A loira deu alguns passos à frente. — Acha que eu só vivo de sexo, por acaso? – ela arqueou uma sobrancelha, provocando-me.

— Não é isso, é que fez um suspense... – eu tentei desconversar, um pouco sem graça.

           Entramos na cafeteria. Parecia ser um ambiente legal. A fachada era de vidro, em marrom, com toldos na frente. Mesinhas do lado de fora e do lado de dentro. Enquanto eu observava o local Anastácia se encaminhou para o balcão e me perguntou o que eu queria. Após analisar o cardápio, ela fez o pedido para nós duas: um Café Latte Barista para ela, e um Café Canela para mim. Logo após pegarmos nossos cafés ela escolheu uma das mesinhas redondas perto da janela. Sentamos uma de frente pra outra, ela de costas pra janela e eu em sua frente. Por um momento ficamos em silêncio, eu não sabia o que fazer ou o que dizer. Olhava para a minha xícara fixamente, tomando uns goles da bebida quente. Sabia que ela estava me observando, e quando percebeu que eu não ia começar a conversa, ela resolveu quebrar o gelo.

The saddest part...


Já faz alguns dias que a felicidade fez morada em meu coração. Finalmente alguns sonhos os quais eu tanto desejara estão para acontecer. Tudo aquilo que eu sempre quis acontecendo bem em frente aos meus olhos, ou quase. O riso chega de repente, e às vezes nem sei porque estou sorrindo. É só uma sensação boa. Sensação de liberdade, de finalmente estar onde eu sei que sempre deveria estar. Tudo ficará mais perto. Mas então, essa brisa de tristeza me envolve. Eu estou feliz, as coisas estão acontecendo, estão dando certo... Mas só pra mim. Estou dando esses passos sozinha, mas não me sinto sozinha. Ultimamente me sinto apenas feliz. Cheia de coragem para essa nova etapa da minha vida. Eu em sinto viva. Mas olho ao meu lado e você não está lá. Confidencia-me como a vida tem passado diante dos seus olhos, e como você está completamente perdida. Não sabe o que fazer, o que decidir... Tanto faz a vida, a morte... O nada. O vazio. Conformada com esse marasmo, e que apesar do desespero, a certeza de que isso não irá mudar. E eu tento... Eu tento tanto fazer com que você enxergue que pode mudar! Mas você tem que decidir... O trabalho é duro, é árduo. Pediu-me para ser tolerante, pediu-me para mudar... E diariamente eu tenho feito isso, apesar das crises e brigas. Não é fácil. Você deveria fazer sua parte. E isso não é uma crítica... Não é para fazer cara feia.

História: Anastácia - Capítulo 05


Capítulo 05 - Surpresas

— Puta que pariu! – eu comentei ao olhar para o celular. 

Já era sábado de tardezinha e eu ainda estava na cama de Anastácia. Ficamos conversando uma boa parte do dia; a empregada nos trouxe café na cama, e nem pareceu demonstrar surpresa que sua patroa estivesse acompanhada. Comentei-lhe sobre a minha faculdade, quando ela me perguntou o que eu fazia, e que eu estava fazendo Artes, havia transferido da minha cidade natal para São Paulo, que as aulas começavam em agosto e eu estava contente por faltar pouco para me formar. Apesar de tirar sarro por eu ainda estar na faculdade, como se isso enfatizasse o termo “garota” que ela tanto gostava de usar, ela parecia interessada nas coisas que eu lhe contava. Só então, quando finalmente eu percebi que estava entardecendo, levantei-me da cama e fui até minha bolsa, que ficara em cima de uma poltrona desde a noite anterior.

— O que houve? – ela perguntou, sentando-se na cama.

Dez mensagens e duas ligações perdidas de Karina. Três mensagens e uma ligação perdida de Bruno. Quatro mensagens de Marcelo. Duas mensagens da minha irmã. Sete ligações perdidas da minha mãe. Adivinha qual deles me fez entrar em desespero?

Ela era luz.


Ela era luz.
Esses dias me peguei pensando em que momento nossas vidas se cruzaram, e não soube precisar o instante exato, apenas que de um dia para o outro, ela fazia parte da minha vida. Tudo começou como simples conversa, uma simples companhia, dessas de jogar conversa fora. Era tão diferente de mim, mas ao mesmo tempo um pouco parecida. Seu jeito tímido e retraído parecia fazer com que ela se afastasse das pessoas, mas depois que você a conhecia, sua personalidade única e iluminada lhe cativava. Ela me cativou. Sua paixão pela escrita e pelos livros a deixa mais próxima de mim. Ela não fazia parte do meu círculo de amizades, mas então, um dia... Ela não só entrou na roda, como passou a ser uma das que puxam a canção e faz todos cantarem no ritmo. Ela é daquelas que nos envolvem e nos fazem se sentir acolhidos. Eu a conheci em uma dessas noites de sábado movimentadas, e jamais imaginei que pudesse ser alguém tão próxima a ela.

História - Anastácia: Capítulo 04


Capítulo 04 – Sexo Sem Compromisso

             Eu me sentia como se estivesse dentro de um sonho e não queria acordar. Tinha medo de que a qualquer momento a ilusão se desfizesse e eu me visse em meu apartamento sonhando acordada. Mas para a minha sorte, ou azar, tudo aquilo era bem real. Anastácia estava de carro e eu fiquei boquiaberta quando paramos em frente a uma Mercedes-Benz conversível prateada que estava num estacionamento. Era um carro lindo, e com certeza combinava com ela.

— Não tem medo de roubo não? – perguntei surpresa.

— Eu gosto de viver perigosamente. – ela me lançou um sorriso maroto e entramos no carro. Ligou o rádio logo em seguida, sintonizando em uma música animada.

            A viagem até a casa dela foi um pouco demorada devido ao trânsito de São Paulo, mas não me importava naquele momento. Eu estava naquele carro ao lado daquela loira, e isso era o mais importante. De vez em quando eu a observava com o canto dos olhos, e percebia que ela sorria quando sentia que eu a estava olhando. Ia observando os prédios e ruas da cidade, sentindo o vento em meu rosto, meus cabelos... E eu só conseguia pensar em como tudo aquilo havia acontecido em tão pouco tempo. Sempre tive tanto medo de que aquela cidade não fosse exatamente tudo o que eu sonhara, tudo o que eu sempre quisera... E lá estava eu, surpreendida de que havia ganhado muito mais do que eu desejara.

História: Anastácia - Capítulo 03


Capítulo 03 – A Modelo Original

            Alguns dias haviam se passado e estava quase no final de semana seguinte. Desde então eu não havia mais falado com Anastácia, e ela também não dera sinal de vida. Passei meus dias andando pro São Paulo entregando currículos. Eu ainda não tinha trabalho por lá, e apesar de sermos uma família rica, meus pais não tinham negócio próprio em que eu pudesse trabalhar. Aliás, eu nem queria, já que pretendia seguir no ramo das Artes mesmo. Havia deixado currículos em curadorias de arte, lojas de quadros e pinturas, vendas e revendas, e até mesmo em floriculturas! Voltava para casa ao final do dia, cansada, e só comia algo e ia dormir. Nas folgas eu continuava pintando aquela tela que eu começara, do girassol em meio às rosas. Viver em São Paulo estava sendo quase como eu imaginei que seria. Apesar de ter saído poucas vezes para me divertir, sabia que nos finais de semana isso seria fácil. Estava perto dos meus amigos, e eu adorava essa variedade de pessoas, situações e lugares que somente São Paulo tinha.

            E, claro, eu estava esperando encontrar uma namorada para mim, talvez uma que durasse dessa vez. Eu havia achado o amor da minha vida muito cedo, mas infelizmente ela não era quem eu achava que era. Tínhamos uma química incrível e tínhamos namorado por dois anos, mas as brigas eram constantes. Ela morava em outro estado e claramente parecia não ter tempo para viajar para me ver, nem mesmo disposição. Já estava cansada de ser a única tentando, não valia a pena. Após alguns rolos e paqueras, nada muito sério, eu finalmente havia achado a pessoa que iria passar o resto da minha vida. Era da minha própria cidade. E fora por ela que eu passara muito tempo na fossa. Ela havia me traído com uma ex dela, brigamos muito feio e após uns meses longe, acabei aceitando-a de volta. Pior coisa que eu fiz em toda a minha vida. Não bastasse o primeiro chifre, levei mais dois. Depois disso passei muito tempo em negação, achando que o amor não valia a pena. Quis desistir de achar alguém que fosse gostar de mim. Passei por uma fase muito difícil e meio obscura...

História - Anastácia: capítulo 02


Capítulo 02 – Provocações

            Já era tarde e eu passara a maior parte do sábado trabalhando em meu apartamento. Desencaixotando minhas coisas, colocando-as no lugar, fazendo uma lista de coisas que eu precisava comprar para me manter... Desembrulhando alguns quadros e pendurando-os na parede. Como havia dois quartos no apartamento, um deles certamente serviria de estúdio para eu pintar. Haveria cavaletes, quadros, tintas, pincéis, aparelho de som, entre outras coisas. Naquele dia eu só havia recebido a ligação de Karina, uma das minhas melhores amigas. A mais próxima, na verdade. Ela estava louca para ir a uma boate comigo, já que agora eu morava na mesma cidade que ela. E por mais que eu tentasse convencer-lhe de que eu não queria ir, não adiantou. Ela era tão teimosa quanto eu e não iria aceitar um não, ainda mais num sábado, no qual eu não tinha nada para fazer.
           
            Apesar de ter pensado em Anastácia logo quando acordei, por ter tido a sensação de que havia sonhado com ela, pelo resto do dia eu ficara tão entretida na arrumação que esqueci de todo o resto. Eu estava com o rádio ligado, ouvindo música e dançando pela casa enquanto arrumava tudo, quando ouvi uma batida insistente na porta. Confesso que por um milésimo de segundo pensei na loira... Mas então percebi o quão boba eu estava sendo. Como poderia ser ela, pelo amor de Deus? Corri atender à porta.

História - Anastácia: capítulo 01


História – Anastácia

Sinopse: Em seu primeiro final de semana em São Paulo, Leona saiu para se divertir, e jamais imaginou que uma cantada tão descarada pudesse chamar a atenção de uma mulher como aquela: mais velha, desafiadora e intimidadora. Anastácia era seu nome. Completamente fascinada, sempre acreditou estar no controle da situação, até aquele jogo de amor virar-se contra ela e fazê-la se perguntar até que ponto valeria a pena...

....

Poesia - Desculpas


Relendo poesias antigas minhas,
Percebi o quão cruel fui ao tentar atingir
Quem me causava tanta dor.
Machuquei-a de novo e de novo e de novo a cada poesia,

E ainda que em seus comentários
Demonstrasse serena indiferença,
Voltava a cada novo texto,
Viciada em minhas palavras-veneno.

Poesia - Desculpe-me Pelo Transtorno


Desculpe-me pelo transtorno,
Desculpe-me pela dor que lhe causei.
Todos os cortes abertos em sua pele morena.
Todas as lágrimas transbordando dos olhos-chocolate.

Sei que jamais voltará a se embevecer em minhas palavras
E agora sei que ao ouvir meu nome tua pele se arrepia,
Seus olhos se arregalam e você é tomada por pânico,
Implorando para que lhe salve dos monstros que lhe assombram.

Conto - A Última Viagem


N/A: Eu estava ouvindo a música "Losing your memory" de Ryan Star e me veio uma inspiração para escrever. Não sei se está bom, mas foi algo que me veio à cabeça, e que provavelmente vem do coração. Talvez meio triste, talvez sem um final definido, mas verdadeiro, que eu finalmente consegui transformar em palavras. Espero que leiam, gostem e deixem comentários. Boa leitura!

Conto – A Última Viagem
  
            Sempre que eu pegava aquele ônibus, enquanto ele saia da cidade e vagarosamente ganhava as estradas, eu ia ouvindo música nos fones de ouvido. Olhava pela janela, observando nada mais do que a estrada, o verde, a grama, as árvores e o céu azul claro, cheio de nuvens. Ouvia músicas que me colocavam para cima, deixavam-me de bom humor, pois era assim que eu me sentia. Minha alma cantava. Eu estava livre. Melhor ainda: eu estava voltando para casa. Irônico, não é? Era apenas uma viagem, mas eu me sentia em casa. No começo, eu mal podia pagar a passagem de ida e de volta, era tão difícil conseguir ir aos eventos, rever meus amigos... Mas com o tempo, aquelas viagens foram se tornando frequentes. Duas, três, quatro vezes ao ano. Depois, seis, sete, oito vezes. Eu ia a cada dois ou três meses, às vezes menos, sempre dando um jeito. Participava de encontros, ia a shows, encontrava meus amigos. Eu via mais os amigos de São Paulo do que os da minha própria cidade. Já não era mais novidade descobrir um hotel onde passar a noite, não havia mais mistérios nos metrôs e ônibus das rotas mais conhecidas. Era natural que depois de tantas idas e vindas, eu finalmente estava chegando para nunca mais partir.

            Quatro horas de viagem. Parece bastante tempo. Em sua maior parte, eu lia, sempre carregando um livro em uma bolsa ou mochila. Isso me distraia bastante. Dormia durante meia hora ou quarenta minutos. Mas sempre havia um tempo para pensar, e principalmente, fantasiar. Em todas essas viagens eu sempre me peguei pensando... Como seria ter você me esperando na rodoviária? Com uma plaquinha escrita o meu nome, ansiosamente tentando divisar o meu ônibus dos outros. E então eu apelava pelo acaso. E se você estivesse na fila da Starbucks quando eu fosse comprar o meu café? E se andando pela Livraria Cultura eu esbarrasse em alguém, e ao pedir desculpas, desse de cara com seus olhos cor de chocolate? Mas então, as fantasias se transformaram em paranoias. Andando pelas estações eu quase congelei ao ver uma garota de cabelos cacheados e castanhos, magra, de costas para mim. Uma ansiedade gigantesca me corroendo por dentro, até que ao se virar, suspirei em uma mistura de alívio e decepção: não era você. Isso aconteceu umas cinco vezes em um curto período de tempo. Estaria eu enlouquecendo? Não importava o quanto eu estivesse distraída, se acaso alguém minimamente parecida com você aparecesse em meu campo de visão, minha atenção se voltava instantaneamente para essa pessoa.
Te amo tanto que gostaria de lhe tirar de mim, arrancar à força. Não me leve a mal, é só que às vezes não consigo aguentar tamanho sentimento. Sufoca o peito, desasossega o coração, confunde a cabeça, e eu já não sei mais o que fazer. Sinto-me pesada, sabe? Até mesmo considero-me apegada demais. Isso não é saudável, principalmente quando não é na mesma intensidade. Então, gostaria de te desprender de mim, só um pouquinho, sabe? Poder respirar, olhar para o lado, esquecer-lhe por alguns minutos, poder me perder no mundo sem o pensamento lhe procurar. Mas passados dez minutos sem resposta tua, a ansiedade bate na porta cobrando atenção, e não sei fazer outra coisa a não ser te chamar. 

Chance...


O sol nunca foi tão quente e amarelo,
O vento nunca me pareceu tão gostoso
Balançando meus cabelos, como agora.
O céu nunca foi do mais puro azul-claro,
E o arco-íris nunca pareceu tão colorido.

Há tantas coisas a agradecer...
Tantas felicidades rodeando o meu ser,
Tantos sonhos se tornando realidade,
Que às vezes é tão difícil de acreditar. 

Além da janela


A tristeza acaricia e envolve seu corpo, e me agonia assistir de longe e não poder fazer nada. Olhas o mundo pela janela do seu quarto, e por detrás das grades sente-se conformada, engaiolada, solitária. De vez em sempre essa carência lhe aperta o peito, esfria o corpo, mata o sentimento. Você tenta ser otimista, dizendo que isso vai passar, mas sabendo que essa sensação já faz parte de quem você é. As lágrimas já secaram em suas bochechas rosadas e a pela raiva já nem é mais consumida. Apenas sente aquele mesmo torpor de sempre. Ah, minha pequena, como estás enganada! O mundo é muito maior do que a sua janela pode mostrar, e as grades, ainda que fortes e frias, podem ser sim derrubadas.

Fanfiction: Castle Walls - Parte 08


Parte 08

— Como assim você está namorando uma mulher? – foi a primeira coisa que Lanie disse quando contei sobre Addison. Comecei a rir, enquanto a observava andar de um lado para o outro dentro da sala do meu apartamento.

— Eu não a estou namorando, Lanie. Mas nós tivemos um... Caso.

— Caso? Foi coisa de uma noite? – ela perguntou, parando a minha frente.

— Mais para um fim de semana... – segurei a taça de vinho. — Da primeira vez. – tomei o resto do líquido e a legista quase se engasgou, fazendo-me rir novamente.

— Primeira? Então houve outras? – ela estava boquiaberta, e finalmente sentou-se no sofá.

— Sim... Lembra que eu fui passar minha semana de férias em LA? – assim que ela assentiu, um misto de surpresa e entendimento passou pelo seu rosto. — Pois então, nós ficamos de novo, aliás eu fiquei na casa dela. E então... Essa semana passada, ela veio pra NY para um congresso e... Ficou aqui.

— Meu Deus! – ela começou a rir. — E só agora você me conta isso? Eu deveria ser a primeira a saber!

— Eu ia contar, mas quando percebi já estava enrolada com a Addie... E, aliás, o primeiro, a saber, foi o Castle... – fiz uma careta e ela prontamente reagiu ao que eu disse.

— Castle?! – ela levou a mão ao peito se refazendo do susto. — E como ele reagiu?

Noite Triste


Noite Triste

A festa acabou, as luzes se apagaram, as máscaras caíram
No espelho reflexos distorcidos de felicidade 
Já não podem esconder a tristeza que reina aqui dentro
E eu já não tenho mais certeza do que sentir. 

Quando finalmente achei-me livre dos fantasmas teus,
Caí no abismo da tua lembrança, hoje quase finda,
Tentando segurá-la com meus dedos trêmulos, 
Para recriar as ilusões outrora tão dolorosas. 

A cada passo em falso me rasgo em ódio profundo,
Amargura de solidão infinita que me acometeu
Quando na linha do amor, ninguém me escolheu,
E comecei a duvidar da minha capacidade de amar.

Love me like you do


Música: Love me like you do (cover)
https://www.youtube.com/watch?v=ZAnbP4rMVZA


Nunca pude lhe encontrar, e talvez fosse por uma boa razão. No instante em que meus olhos te encontraram, naquele momento em que você me reconheceu, eu soube. Você também sentiu, e não me importava quantas mentiras dissesse para tentar esconder o fato de que tinha sentido, eu iria saber. Depois de tantos anos duas desconhecidas finalmente se vendo pela primeira vez. O riso nervoso escapou de meus lábios secos, enquanto meus olhos tentavam guardar todos os seus traços, para que eu sempre pudesse me lembrar deles. O abraço veio tímido, cheio de reservas, mas assim que o gelo inicial foi quebrado, a química logo se instalou. Em uma sinfonia de risos e sorrisos parecia que nos conhecíamos há séculos, o que não seria de todo mentira. A todo momento eu procurava as íris cor de chocolate, ainda que furtivamente, e esperava esbarrar em seus braços para sentir o calor do seu corpo. Se eu pudesse, gostaria que essa noite durasse para sempre; mas infelizmente, tudo chega ao seu fim. E levantando-se, você decretou o fim da noite. Não poderia deixar que fosse... Não assim, com mil perguntas rondando minha mente, com tanta coisa não dita entalada na garganta, com tanta esperança dentro do peito. E num misto de nervosismo e ansiedade, fiz o pedido indecente: fica. E ao responder que não teria como voltar pra casa, continuei: dorme na minha.

Muros e Pontes


Minhas mãos estão machucadas, meus pés estão machucados. E eu estou cansada. Demorei tanto tempo construindo pontes... Retirando tijolo a tijolo dos muros tão bem guardados da fortaleza. A cada tijolo eu pude olhar mais dentro, observar, entender. E a cada tijolo fora, mais luminosidade entrando. Isso é bom, eu pensei. Nos buracos em que eu abri resolvi colocar pontes, para que houvesse um caminho de ida e de volta de dentro da fortaleza, e não só apenas para a dona dela, mas para mim também. Fui convidada a entrar no castelo. E assim eu o fiz, dia a pós dia, às vezes para o almoço, outras para a hora do chá, outras para dormir... E em algumas, fiquei de guarda. Mas então, em um dia de tempestade intensa, a moradora se desesperou e começou a tapar os buracos que eu abrira. Eu estava do lado de fora. Ela me deixou para fora. Eu ouvia os gritos de angústia, e em desespero, comecei a esmurrar os muros do castelo. Esmurrei e esmurrei e esmurrei, até ouvir o som abençoado do cimento caindo. Eu entrei de novo. E no lugar do buraco, ao amanhecer, a luz entrou. E isso começou a incomodar a dona da casa. Fui expulsa.

Pontos de vista.


Você me disse que gostava dos meus cabelos vermelhos. 
Então eu os cortei.
Você disse que gostava daquela minha camiseta vermelha.
Então eu a rasguei.
Você disse que gostava daquele meu CD do Kid Abelha.
Então eu o quebrei.
Você disse que gostava daquele meu all-star velho.
Então eu os joguei fora.
Você disse que gostava do café que eu fazia.
Então eu parei de o tomar.
Você disse que gostava dos meus lábios rosados.
Então eu os arroxeei.
Você disse que gostava do meu corpo como ele era.
Então eu o cortei.
Você disse que me amava.
Então eu me odiei.
Você disse que ia embora.
Então eu fiquei.

Eu estou aqui!


Eu estou aqui. Repito. Eu estou aqui. Cadê você? Depois de tantos anos... Eu finalmente consegui chegar. Eu estou aqui! Eu estou aqui! eu grito. Mas você não pode me ouvir. Eu sussurro. Eu estou aqui... Mas você não pode me ouvir. Após tanto tempo... Como você estará? Será que mudou muito do que eu me lembro? Ainda que eu nunca tenha pousado meus olhos em seu corpo, ainda que minha mão nunca tenha tocado a sua, ainda que meus lábios nunca tenham sentido a quentura da sua bochecha ao se avermelhar, eu saberia exatamente lhe reconhecer. Depois de tanto tempo... Eu esperei por tanto tempo... Esperei e esperei... E na verdade, isso foi o que todo mundo me aconselhou a não fazer. Não esperar. Engraçado, não é? Pois dentro de mim uma esperança gigantesca crescia a cada ano. Ainda que eu nunca mais tenha trocado palavras com você, a cada viagem meus olhos lhe procuravam desesperadamente pela multidão. Mas... Eram poucos dias... Lugares diferentes... Mas hoje? Hoje eu estou aqui. Olho para essa cidade grande, toda cinza, cheia de prédios. Mas eu não estou admirando a cidade.

Menino do all-star verde


Ele era um menino sossegado, gostava de sombra e água fresca, e um bom caphuccino. Apesar do all-star azul, da paixão por Rita Lee e das camisetas pretas, não consigo imaginá-lo em um show de rock, pelo menos não um pesado. Era um pouco nerd, desses que gostam de livros e ficção científica, e que recentemente descobrira uma paixão secreta pela escrita. Se me perguntassem se eu imaginava que um dia faria amizade com um menino comum, eu diria que não. E então ele apareceu... Mas quem disse que ele era comum? Tão diferente quanto possível, preso em um corpo de um menino normal... Confesso que eu poderia arriscar chamá-lo de Doctor e dizer que sua casa era na verdade uma cabine azul. Se me pedissem pra escolher uma época para conhecê-lo, eu teria dito escola. Ele seria meu tipo perfeito de... Amigo. Desses doidos, sabe? Mas não um doido-doido, mas um doido-engraçado-semnoção. Se me perguntassem quem eu gostaria que ele fosse na minha vida? Eu diria meu irmão. Seria aquele que iria brigar comigo, implicar comigo, mas seria meu parceiro, sabe? Infelizmente a gente não pode escolher essas variações na vida, mas nada disso impede que ele seja tão importante em minha vida. Completamente engraçado e um pouco birrento às vezes, gostaria de saber mais sobre sua personalidade, suas escolhas, seus interesses...

(Não) Procura-se um amor


Todos nós buscamos um amor que seja instantâneo, rápido, e fácil. Esperamos encontrá-lo na próxima esquina, na fila da padaria, na danceteria ou na pessoa que passa ao nosso lado na rua. Quando isso não acontece, quando o acaso parece se recusar a lhe apresentar alguém, resolvemos tomar a frente e uma atitude, e então começamos uma infindável caçada. Preguiçosos demais para sairmos por aí vasculhando cada beco atrás do acessível, procuramos nas redes sociais pelo amor perfeito que está estampado nos jornais e perfis mundo afora. Pessoas aparentemente felizes, sem problemas, engraçadas e espetacularmente lindas pipocam pelos grupos e páginas, presenteando-nos com milhares de fotos e propagandas, muitas vezes enganosas, sobre suas vidas e costumes. Alguns, do outro lado do oceano, outros, na cidade vizinha, são potenciais relacionamentos se conseguirem sobreviver à distância. Ora, o que é esperar alguns meses para ver a pessoa amada, quando se tem tantos meios para sufocar a saudade que quase lhe mata?

Fanfic: Castle Walls - Parte 07


Parte 07

Em completo silêncio foi como voltamos para casa. Eu sabia que não deveria ter ido. De qualquer forma, mandei várias mensagens para Castle, mas ele não respondeu nenhuma. Eu não queria que ele tivesse ficado tão magoado, e ele não sabia metade do que tinha acontecido entre Addison e eu, mas para ter ficado tão chateado com apenas um sinal, o sentimento dele deveria ser grande. Isso me pegou de surpresa. Eu não fazia ideia de que ele se sentisse daquela forma por mim. Ao entrar no apartamento deixei minha bolsa em cima do balcão, peguei uma cerveja na geladeira e me joguei no sofá. Addison sentou-se ao meu lado, ainda sem dizer nada, e colocou a mão em minha perna. Seus olhos estavam tristes, e eu percebia que apesar de estar disposta a conversar, ela tinha medo do que aquela conversa significaria.

— Kate... – ela começou, parecendo procurar as palavras certas. — Você sabia que uma hora ele iria eventualmente descobrir...

— Talvez, mas não seria dessa forma. – tomei um gole da cerveja, oferecendo-lhe um pouco, mas ela recusou.

— Talvez? – levantou uma sobrancelha.

Me Escreva


Me escreva. Me ponha no papel. Me crie com sua caneta-tinteiro, para que você não possa me apagar. Me faça sair em linha reta, desfilando toda minha arrogância de sabe tudo, ou me desenhe em linhas tortas, demonstrando toda a confusão instalada em minha mente perturbada. Me manche, assim como eu manchei sua vida, me rabisque, me rascunhe, para que me jogue fora se não gostar do resultado. Me recite em belos poemas, rimando sua vida na minha, nem que por breve e singelos instantes efêmeros. Me grite em letras garrafais e maiúsculas quando me odiar, seja bruta, eu não me importo. Me chame de vadia, sublinhe o vaca diversas vezes e reescreva o puta por toda a folha de novo e de novo até acreditar que eu sou realmente filha dela. Me carimbe com suas lágrimas, deixe que eu escorra no papel, sem destino, sem começo nem fim, apenas no meio do caminho da sua felicidade. Me suja, me xingue, me maltrate. Faça comigo o que bem quiser. Me amasse, me embole, me rasgue. Mas eu só lhe imploro uma única coisa: me escreva. Me escreva! Me marque em sua pele, me faça existir, me faça ser imortal. Seja para o bem ou para o mal. Seja eu sua alegria ou sua dor. Seu riso ou seu pranto. Mas eu sou! Eu sou! Então me escreva, vamos! Me transforme em realidade, me tire da mente, me faça ser importante! Se importe! Me faça a diferença! Me escreva. Nem que nunca me mostre pra ninguém, nem que jamais se lembre de mim dentro da gaveta esquecida, mas por favor, me escreva. 

Fanfic - Castle Walls: Parte 06


Parte 06

O celular não parava de tocar, e depois de muito custo consegui pegá-lo de cima da mesa de cabeceira, ainda sem enxergar direito, e atender. “Beckett”, respondi, ainda com voz de sono, enquanto ouvia do outro lado Esposito me atualizando no caso. Logo naquela manhã o ex de Alice estava de malas prontas para sair da cidade, mas eles conseguiram o interceptar em casa antes que ele conseguisse fugir. Tinham-no segurado na delegacia, mas gostariam que eu fosse interrogá-lo. Como não era tão urgente, e ele já chamara pelo advogado dele, respondi que dentre uma hora eu estava lá. Quando consegui desligar o telefone, eu me virei de costas na cama e olhei a minha volta, nenhum sinal de Addison. Por um momento tudo pareceu um sonho, mas então comecei a ouvir barulhos distantes e de repente ela apareceu na porta do meu quarto, vestindo uma camisola salmão, com uma caneca na mão, cantarolando.

— Bom dia. – ela cumprimentou se aproximando da cama.

— Você sempre acorda de bom humor? – colocou o braço apoiado na cabeça, e sorri de volta. — Bom dia pra você também.
Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger