História: Anastácia - Capítulo 07


Capítulo 07 - Curiosidades

Acordei cansada, com um pouco de mau humor, e o frio que não dava trégua. Eu já mencionei que não sou tão fã assim do frio? Mas como não havia alternativa, coloquei um sobretudo, botas e cachecol e fui pra aula. Duas aulas chatas sobre a História da Arte, porque a professora era muito enrolada para explicar, e eu já estava quase dormindo com a cabeça na carteira. No intervalo Maria encostou sua carteira na minha, dando-me uns cutucões nas costelas.

— Você não sabe ser mais sutil não? – perguntei, massageando o local, com uma careta.

— Ai como você é dolorida! – ela rolou os olhos, e então sorriu pra mim. — Só vim te perguntar como é ser a sensação da faculdade!

— Hein? Que sensação? – perguntei confusa, endireitando-me na cadeira e olhando pra ela. Esfregando os olhos, tentando me manter acordada.

História: Anastácia - Capítulo 06


Capítulo 06 - Entardecer 

— Você me trouxe para um café? – eu perguntei incrédula ao pararmos em frente a uma cafeteria chamada “Fran’s Café”, em uma das ruas que cruzavam com a Avenida Paulista. Com tanto lugar inusitado e diferente em São Paulo, ela me levava em uma simples cafeteria? Frustrada era pouco para o que eu estava sentindo.

— O que você esperava? – ela sorri, parecendo achar graça da minha indignação. A loira deu alguns passos à frente. — Acha que eu só vivo de sexo, por acaso? – ela arqueou uma sobrancelha, provocando-me.

— Não é isso, é que fez um suspense... – eu tentei desconversar, um pouco sem graça.

           Entramos na cafeteria. Parecia ser um ambiente legal. A fachada era de vidro, em marrom, com toldos na frente. Mesinhas do lado de fora e do lado de dentro. Enquanto eu observava o local Anastácia se encaminhou para o balcão e me perguntou o que eu queria. Após analisar o cardápio, ela fez o pedido para nós duas: um Café Latte Barista para ela, e um Café Canela para mim. Logo após pegarmos nossos cafés ela escolheu uma das mesinhas redondas perto da janela. Sentamos uma de frente pra outra, ela de costas pra janela e eu em sua frente. Por um momento ficamos em silêncio, eu não sabia o que fazer ou o que dizer. Olhava para a minha xícara fixamente, tomando uns goles da bebida quente. Sabia que ela estava me observando, e quando percebeu que eu não ia começar a conversa, ela resolveu quebrar o gelo.

The saddest part...


Já faz alguns dias que a felicidade fez morada em meu coração. Finalmente alguns sonhos os quais eu tanto desejara estão para acontecer. Tudo aquilo que eu sempre quis acontecendo bem em frente aos meus olhos, ou quase. O riso chega de repente, e às vezes nem sei porque estou sorrindo. É só uma sensação boa. Sensação de liberdade, de finalmente estar onde eu sei que sempre deveria estar. Tudo ficará mais perto. Mas então, essa brisa de tristeza me envolve. Eu estou feliz, as coisas estão acontecendo, estão dando certo... Mas só pra mim. Estou dando esses passos sozinha, mas não me sinto sozinha. Ultimamente me sinto apenas feliz. Cheia de coragem para essa nova etapa da minha vida. Eu em sinto viva. Mas olho ao meu lado e você não está lá. Confidencia-me como a vida tem passado diante dos seus olhos, e como você está completamente perdida. Não sabe o que fazer, o que decidir... Tanto faz a vida, a morte... O nada. O vazio. Conformada com esse marasmo, e que apesar do desespero, a certeza de que isso não irá mudar. E eu tento... Eu tento tanto fazer com que você enxergue que pode mudar! Mas você tem que decidir... O trabalho é duro, é árduo. Pediu-me para ser tolerante, pediu-me para mudar... E diariamente eu tenho feito isso, apesar das crises e brigas. Não é fácil. Você deveria fazer sua parte. E isso não é uma crítica... Não é para fazer cara feia.

História: Anastácia - Capítulo 05


Capítulo 05 - Surpresas

— Puta que pariu! – eu comentei ao olhar para o celular. 

Já era sábado de tardezinha e eu ainda estava na cama de Anastácia. Ficamos conversando uma boa parte do dia; a empregada nos trouxe café na cama, e nem pareceu demonstrar surpresa que sua patroa estivesse acompanhada. Comentei-lhe sobre a minha faculdade, quando ela me perguntou o que eu fazia, e que eu estava fazendo Artes, havia transferido da minha cidade natal para São Paulo, que as aulas começavam em agosto e eu estava contente por faltar pouco para me formar. Apesar de tirar sarro por eu ainda estar na faculdade, como se isso enfatizasse o termo “garota” que ela tanto gostava de usar, ela parecia interessada nas coisas que eu lhe contava. Só então, quando finalmente eu percebi que estava entardecendo, levantei-me da cama e fui até minha bolsa, que ficara em cima de uma poltrona desde a noite anterior.

— O que houve? – ela perguntou, sentando-se na cama.

Dez mensagens e duas ligações perdidas de Karina. Três mensagens e uma ligação perdida de Bruno. Quatro mensagens de Marcelo. Duas mensagens da minha irmã. Sete ligações perdidas da minha mãe. Adivinha qual deles me fez entrar em desespero?
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