(Não) Procura-se um amor


Todos nós buscamos um amor que seja instantâneo, rápido, e fácil. Esperamos encontrá-lo na próxima esquina, na fila da padaria, na danceteria ou na pessoa que passa ao nosso lado na rua. Quando isso não acontece, quando o acaso parece se recusar a lhe apresentar alguém, resolvemos tomar a frente e uma atitude, e então começamos uma infindável caçada. Preguiçosos demais para sairmos por aí vasculhando cada beco atrás do acessível, procuramos nas redes sociais pelo amor perfeito que está estampado nos jornais e perfis mundo afora. Pessoas aparentemente felizes, sem problemas, engraçadas e espetacularmente lindas pipocam pelos grupos e páginas, presenteando-nos com milhares de fotos e propagandas, muitas vezes enganosas, sobre suas vidas e costumes. Alguns, do outro lado do oceano, outros, na cidade vizinha, são potenciais relacionamentos se conseguirem sobreviver à distância. Ora, o que é esperar alguns meses para ver a pessoa amada, quando se tem tantos meios para sufocar a saudade que quase lhe mata?

Conto - 15 Minutos


Conto – 15 Minutos

            Finalmente consegui sair daquela sala abafada. Abrindo a porta de vidro, recebo a primeira lufada de vento. Graças a Deus um pouco de ar nessa cidade quente de merda. Ninguém mais aguenta o calor que faz aqui durante o dia, e nessas horas agradeço por trabalhar à noite. A rua está quieta, a essa hora não passa muitos carros por aqui. Na esquina debaixo há um bar bem movimentado, mas no meio de semana quase não há barulho, principalmente daqui. Tiro do bolso o maço de cigarros e retiro um, depois pegando o isqueiro. Acendo o cigarro, dando a primeira tragada. Agora assim, meus quinze minutos abençoados começaram. Quinze minutos de intervalo. Não os uso pra comer, nem para conversar, já que aliás não há com quem conversar em minha sala, não os uso para ficar na internet, o que é perda de tempo, na minha opinião. Gasta-se tempo demais jogando conversa fora com pessoas que nunca te viram, não se importam com você e inventam mentiras. Você acha que os conhece, mas está redondamente enganado. Para mim, nada substitui uma conversa olho a olho.

Fanfic: Castle Walls - Parte 07


Parte 07

Em completo silêncio foi como voltamos para casa. Eu sabia que não deveria ter ido. De qualquer forma, mandei várias mensagens para Castle, mas ele não respondeu nenhuma. Eu não queria que ele tivesse ficado tão magoado, e ele não sabia metade do que tinha acontecido entre Addison e eu, mas para ter ficado tão chateado com apenas um sinal, o sentimento dele deveria ser grande. Isso me pegou de surpresa. Eu não fazia ideia de que ele se sentisse daquela forma por mim. Ao entrar no apartamento deixei minha bolsa em cima do balcão, peguei uma cerveja na geladeira e me joguei no sofá. Addison sentou-se ao meu lado, ainda sem dizer nada, e colocou a mão em minha perna. Seus olhos estavam tristes, e eu percebia que apesar de estar disposta a conversar, ela tinha medo do que aquela conversa significaria.

— Kate... – ela começou, parecendo procurar as palavras certas. — Você sabia que uma hora ele iria eventualmente descobrir...

— Talvez, mas não seria dessa forma. – tomei um gole da cerveja, oferecendo-lhe um pouco, mas ela recusou.

— Talvez? – levantou uma sobrancelha.

Me Escreva


Me escreva. Me ponha no papel. Me crie com sua caneta-tinteiro, para que você não possa me apagar. Me faça sair em linha reta, desfilando toda minha arrogância de sabe tudo, ou me desenhe em linhas tortas, demonstrando toda a confusão instalada em minha mente perturbada. Me manche, assim como eu manchei sua vida, me rabisque, me rascunhe, para que me jogue fora se não gostar do resultado. Me recite em belos poemas, rimando sua vida na minha, nem que por breve e singelos instantes efêmeros. Me grite em letras garrafais e maiúsculas quando me odiar, seja bruta, eu não me importo. Me chame de vadia, sublinhe o vaca diversas vezes e reescreva o puta por toda a folha de novo e de novo até acreditar que eu sou realmente filha dela. Me carimbe com suas lágrimas, deixe que eu escorra no papel, sem destino, sem começo nem fim, apenas no meio do caminho da sua felicidade. Me suja, me xingue, me maltrate. Faça comigo o que bem quiser. Me amasse, me embole, me rasgue. Mas eu só lhe imploro uma única coisa: me escreva. Me escreva! Me marque em sua pele, me faça existir, me faça ser imortal. Seja para o bem ou para o mal. Seja eu sua alegria ou sua dor. Seu riso ou seu pranto. Mas eu sou! Eu sou! Então me escreva, vamos! Me transforme em realidade, me tire da mente, me faça ser importante! Se importe! Me faça a diferença! Me escreva. Nem que nunca me mostre pra ninguém, nem que jamais se lembre de mim dentro da gaveta esquecida, mas por favor, me escreva. 

Fanfic - Castle Walls: Parte 06


Parte 06

O celular não parava de tocar, e depois de muito custo consegui pegá-lo de cima da mesa de cabeceira, ainda sem enxergar direito, e atender. “Beckett”, respondi, ainda com voz de sono, enquanto ouvia do outro lado Esposito me atualizando no caso. Logo naquela manhã o ex de Alice estava de malas prontas para sair da cidade, mas eles conseguiram o interceptar em casa antes que ele conseguisse fugir. Tinham-no segurado na delegacia, mas gostariam que eu fosse interrogá-lo. Como não era tão urgente, e ele já chamara pelo advogado dele, respondi que dentre uma hora eu estava lá. Quando consegui desligar o telefone, eu me virei de costas na cama e olhei a minha volta, nenhum sinal de Addison. Por um momento tudo pareceu um sonho, mas então comecei a ouvir barulhos distantes e de repente ela apareceu na porta do meu quarto, vestindo uma camisola salmão, com uma caneca na mão, cantarolando.

— Bom dia. – ela cumprimentou se aproximando da cama.

— Você sempre acorda de bom humor? – colocou o braço apoiado na cabeça, e sorri de volta. — Bom dia pra você também.
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