Tem dias que o riso some. Tem dias que já não sei mais o que fazer. Não tenho casa, não tenho para onde ir, não tenho abrigo. Sinto-me movendo-me pela areia movediça, correndo o risco de simplesmente ser engolida por ela em um dia qualquer. Não sei o que será do meu futuro, ando na corda bamba, sem conseguir enchergar um palmo a minha frente. Tenho medo. Medo de perder o que eu tenho hoje, tenho medo do frio que espreita pela janela fechada. É como se ele soubesse que logo essa luz iria se apagar e então seria sua vez de voltar para o seu lugar. Às vezes não tem como evitar certos pensamentos autodestrutivos. Sou uma bagunça ambulante e, aparentemente, não há ninguém que consiga lidar comigo. É mais fácil para os outros lidarem apenas com meu lado amigo, compreensivo, legal, inteligente e divertido. Sempre que chega-se nas profundezas, onde os verdadeiros problemas começam a aparecer, as pessoas recuam. Preferem se afastar, é muito mais do que elas conseguem aguentar. E isso dói. É difícil não se sentir mal quando se constata esse fato. Dessa vez, tiveram muitas barreiras, mostrando-me que seria impossível passar por elas. Aos poucos, as peças foram se encaixando e por um minuto pareceu que iria dar certo... Doce ilusão. Novamente, um entrave. Algo que me impede de estar completamente segura. Tenho vontade de fugir, recolher-me em meu mundo particular e confortável, com as pessoas que sempre me acolheram e aguentaram. Não sei o que fazer, o que pensar, o que sentir, e nem mesmo o que escrever.
Será que eles estão falando de mim? E se não for? Mas e se for? Será que eu fiz algo errado? Será que é por que não trabalho direito? Eu não devia ficar mexendo tanto no celular... Droga! Será que vão me demitir? Contratar outra pessoa? Ela não parece tão animada em me ver... Não tem conversado tanto comigo... Será que eu fiz alguma coisa? Será que está brava comigo? Descontente?

Todos esses pensamentos ficam rondando minha cabeça. Eles chegam de repente, assim, do nada, e trazem minha insegurança com eles. 

Errei de novo... Algo tão simples! Foi tão idiota! Ela vai achar que sou burra, não é possível. Estava numerado e, mesmo assim, coloquei na ordem errada...

E se ela me achar mesmo burra? Por não conseguir seguir uma simples ordem? Logo eu, tão inteligente e atenta profissionalmente... 

Eu sei que não sou burra, eu sei que gostam de mim, eu sei que faço um bom trabalho. E ainda assim, não consigo calar essa voz constante dentro da minha mente, dizendo-me coisas ruins, fazendo-me duvidar sobre mim mesma, sobre minha capacidade. Pelo menos já consigo reconhecer quando isso acontece, e tento me convencer das minhas qualidades, de que eu sei que são mentiras e que não devo escutar essa voz. Mas ela insiste. Persiste. Sussurra...
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