Resenha - A dor me enfeita a face

Resenha - A dor me enfeita a face


E enfeita mesmo, viu? Tenho certeza que se eu olhasse no espelho logo após ter lido alguns capítulos deste livro, meu rosto provavelmente iria demonstrar as mesmas marcas que aparecem no rosto de Rachel.

Comprei este livro, A dor me enfeita a face, da Metanoia Editora, diretamente da autora, Mayti Ulian, em um sarau lésbico produzido pela Editora Malagueta aqui em São Paulo. De início, achei uma capa muito bonita e a sinopse me chamou a atenção. Não sabia o que esperar direito da história, e após ensaiar ler por diversas vezes, depois de vários meses, acabei deixando que essa história me invadisse o peito e me inundasse com suas emoções e sentimentos.
Sometimes I get tired of all of it. It's bad feeling like a total mess all the time, specially when people think the same. 

Poesia - Branca



Em um dia qualquer, esquina dobrada,
É o seu rosto que me deixa assustada. 
Branca feito um papel, boca feito porcelana,
O coração batendo forte na esperança insana.

Será que você me viu? Será que percebeu?
Meus olhos vidrados em seu vestido branco,
Não conseguem se fechar com medo de que
Seja só mais uma miragem, sonhando acordada.

Treino umas palavras na ponta da língua,
Mas você estaria interessada no que tenho a dizer?
Ignoraria minhas tentativas de me fazer ver?
Certeza que não me daria um sorriso sequer. 

Não posso culpar o destino quando fui eu que pedi,
Para ter certeza de não estar louca, te ver eu quis.
Agora estou sempre andando com cuidado,
Com medo de ser assombrada pelo meu passado.


Respira. De novo. Respira.


Respira. Ok, hora de começar. Ou recomeçar. Soltando as amarras que me prendem, seguram e aprisionam, finalmente consigo respirar. Pensar com clareza. Durante tanto tempo fui aquela que ajuda os mais necessitados. Durante tanto tempo fui sua rocha, sua âncora, sua certeza de um porto seguro. Não importava quando, eu estava aqui sempre que precisavam, mas isso tinha um preço. A minha liberdade. De bom grado eu doava meu ser àqueles que eu amava e queria cuidar, sem pensar em mim mesma, nas minhas próprias necessidades. Sou a melhor amiga, a melhor amante, a melhor ouvinte, a melhor cuidadora e a que sempre lhe trará um bom conselho seguido de um bom afago. Obviamente, quem gostaria de perder alguém assim? O fato é que, de pessoa para pessoa, de ajuda em ajuda, o tempo vai nos desgastando, retirando pedacinhos de quem somos para os deixar com aqueles que precisam, e isso nos cansa. É difícil. Mas o tempo... O tempo é maravilhoso. Existe um tempo certo para cada pessoa e para cada caminho. Quando se excede e se tenta estendê-lo, insistindo em segurar uma corda que lhe machuca as mãos, você apenas prolonga a dor da despedida. É chegado o fim, e é necessário. Precisamos seguir caminhos diferentes, querida. Assim é a vida. Não chores, não amaldiçõe, não se culpe. Findou-se o nosso tempo, mas não as nossas lembranças. E então, finalmente sentindo a brisa renovando nossas energias, o sentimento de liberdade se espalhando por nosso corpo e mente, conseguimos finalmente respirar ar puro. E a vida segue o seu curso. Conhecemos novas pessoas, nos abrimos para novas experiências e vivências. Estamos prontas. E tudo acontece de forma rápida, como se apenas estivesse esperando aquele livro terminar para começar o próximo, afinal, já estava na hora. Não que não teremos novos trabalhos para essas novas pessoas que se achegam, mas com certeza, após tanto tempo dedicado àqueles que mais necessitavam de nós, poderemos enfim ajudar a nós mesmas. Viver algo leve enquanto vamos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. E, principalmente, crescendo e evoluindo.  




Anne & Anna - O café


O Café

Ela estava ali. Ela sempre estivera ali. Sentada sozinha em sua mesa preferida na Starbucks, aquelas dentro da cafeteria, em um banco confortável, tomando seu cappuccino e comendo um lanche de peito de peru. Seus olhos sempre fitando o livro que sempre trazia consigo. Não interagia com as outras pessoas, gostava da quietude e da tranquilidade. Talvez por isso eu nunca tivesse reparado nela; meus olhos sempre buscavam tantas garotas que passavam a minha frente, todas tão diferentes, falantes, extravagantes. Escrevia histórias sobre elas, imaginava suas vidas, queria conhecê-las e entendê-las. Eu buscava uma história de amor, mas todas me davam pequenas crônicas em conta-gotas. Nunca me ocorreu simplesmente aquietar-me e sentir as vibrações em minha volta. Então, em um dia qualquer, após outra decepção amorosa, sentei-me calada na cafeteria. Sentia-me solitária, amarga e triste, assim como os tantos cafés que eu adorava tomar. Meu olhar vagava pelo ambiente, até pousarem sobre a garota de cabelos pretos e lisos sentada no canto do lugar. Ela olhou-me, sorriu, e voltou a sua leitura. Rapidamente interessei-me por ela. Geralmente eu demorava séculos para me aproximar, apenas observando minhas pretendentes, mas dessa vez resolvi tentar a sorte. Caminhei calmamente até ela e me apresentei. 
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