Conto - Sem Medo de Viver




N/A: Conto vencedor em 3º lugar na Categoria Conto Adulto do Prêmio Literário Mario Sérgio Cortella da 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirao Preto (2016) 
Sem Medo de Viver

            O vermelho cobre meus lábios uma vez mais. Como diria meu filho do meio Ricardo, eu não perco a chance de chamar a atenção. Um riso irônico vem aos meus lábios. Claro! Pois foi isso que eu quis durante minha vida inteira: chamar a atenção. Penteio os cabelos, agora vermelhos como fogo, deixando-os soltos e com uma leve ondulação. Passo lentamente os dedos enrugados pelos desenhos impressos em minha pele, enquanto um sorriso triste borra meus lábios rubros, relembrando-me do significado de cada um deles. Meus dedos contornam a pequena borboleta tatuada em meu braço esquerdo, enquanto meus lábios tremem. Lembro-me da reação indignada de Ricardo ao saber da tatuagem, apesar de eu lhe explicar que borboletas são símbolo da transformação e da beleza, assim como minha mãe o era.
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