Hey, moça, vem
tomar um café comigo. Senta aqui, me dá a mão, vamos conversar. Faz tempo que
te observo de longe, assim, como quem não quer nada. Seu largo sorriso é morada
certa em teus lábios, mas há dias em que o cansaço é tanto que você quase se
esquece de sorrir. Seus olhos estão tristes e as preocupações habitam todos os
cantos da sua mente, tirando o seu sono. Calma, moça, vai dar tudo certo, sabe?
Afinal, você é uma sobrevivente, uma lutadora. Quando ouvi tua história, meu
coração se apertou no peito, minha vontade era de te segurar no colo, abraçar
forte e secar tuas lágrimas. Vou ser sincera e espero que não seja inapropriado
o que irei dizer. Ainda que alguns bons anos atrasada, quero lhe dizer que você
é uma mulher extraordinária. Moça, você é linda! De encher os olhos de quem lhe
vê, e de encher o peito de quem lhe conhece. Você floresce por dentro,
espalhando imensa alegria a todos ao seu redor. Sua energia contagia o
ambiente. Você merece ser bem tratada, bem cuidada, bem respeitada. Você merece
um cara que te veja como a mulher forte, independente, maravilhosa, engraçada e
incrível que você é, e que perceba que todas essas suas qualidades são o que te
fazem única. Quando fala em francês, seus olhos brilham, seu coração palpita no
peito e seu rosto se ilumina. Espero que cuidem bem desse coraçãozinho, você
merece.
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Ser amada é doce
Ser amada é doce como eu jamais achei que poderia ser. Eu sempre me foquei em amar as pessoas, em me doar ao máximo, mesmo sabendo que eu nunca seria amada da mesma forma. Então eu experimentei a doçura de toques suaves, apelidos carinhosos e abraços quentinhos em noites frias. Acostumei-me a acordar com seus beijos e seu rosto macio, a ir dormir enroscada em seu corpo, de mãos dadas. E tal criança pequenina falo contigo em uma linguagem fofinha que os amantes usam.
Ser amada é doce como um sopro de vida. Saber que mesmo com todas as lágrimas e as vozes que sussurram em meu ouvido eu tenho uma alegria que me abraça todas as amanhãs. Sentir-se amada é um calorzinho gostoso de fim de tarde, contrastando com aquele arrepio gostoso da brisa das manhãs. Sinto-me mais viva, com vontade de viver e desbravar novos lugares, viver novas situações.
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Doses diárias de amor
Amar você é doce
Amar você é doce, como eu jamais achei que poderia ser. Pra mim, o amor sempre teve um gosto amargo de dor e tristeza. Se me perguntasse há um ano o que é o amor, eu provavelmente lhe mostraria todas as minhas cicatrizes que carrego no peito. O lado bom é que poemas maravilhosos surgem do sofrimento. Se me perguntar hoje o que é o amor, eu certamente lhe mostrarei meus sorrisos mais sinceros e os meus olhares mais brilhantes.
Amar você é doce, é chocolate, é brigadeiro. É fazer uma receita de bolo em conjunto, típica cena de um filme de comédia romântica, experimentando o ponto do chocolate na boca. É comer bolos e tortas e querer fazer receitas de comida que eu jamais imaginei querer fazer. Eu? Cozinhando? Querendo/tentando cozinhar?
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Regina
A vida não faz nada por acaso, disso
eu já sei há tempos. E não foi por um acaso que eu cruzei com uma moça linda na
volta do mercadinho, às dez horas da manhã. Moça essa que eu observei que
chegava tão tarde, que eu quase não via, e que a ansiedade adolescente me fazia
ficar nervosa esperando uma oportunidade para conversar. Quando eu ia imaginar
que tal moça era tão engraçada, e tão completamente maravilhosa? E em apenas
uma madrugada chuvosa, em uma conversa de uma hora, eu já descobrisse que tal
moça é uma mulher tão fascinante? Nem nos meus sonhos mais loucos eu
conseguiria imaginar me tornar amiga de tal mulher, ser parte do seu dia, saber
da sua história. Quando a conheci, mexeu com meus instintos tão secretos e a
timidez de garota me fez criar uma vergonha gigantesca. Seu jeito, sua risada
gostosa, sua beleza estonteante, e claro, seu corpo escultural. Como conseguir
conter minha mente tão fértil de escritora? Como controlar todos os desejos que
se afloraram? E eles foram muitos, se analisa tanto as pessoas como diz, você
já deve ter percebido. Pode rir, moça, fico mesmo vermelha e com vergonha de
lhe dizer as coisas. Apesar...
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A Tempestade
Quando as nuvens negras se aglomeram no céu cinza, e o vento uiva no norte, é sinal de que uma tempestade está por vir. Não há abrigo para me esconder, e eu tento acelerar o passo, mas um problema de nascença me impede de correr. Olho para trás e vejo o quão longa e escura essa estrada tem parecido para mim. Avancei um bom tanto, mas estou longe do meu destino final. Em uma pequena vila, corro batendo de porta em porta, pedindo para que me deixem entrar, nem que apenas de passagem, só para me manter segura quando a chuva passar, mas não ganho moradia. Em alguns deram-me migalhas de pão para não passar fome e um copo d'água para passar a sede, mas meu corpo pede por mais, minha alma anseia por mais. Eles não podem me dar mais, desculpe, eles não têm nem para eles mesmos... Tudo bem, eu agradeço, mas por dentro não consigo evitar o sentimento de mágoa e rejeição. Alguns anos atrás nesta mesma vila eu havia conseguido um abrigo que parecia seguro e confortável, mas na verdade ele escondia muito mais perigos que eu sequer poderia imaginar. Hoje foi derrubado e transformado em um belo casebre.
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Tenha calma...
Menina apressada que corre com a jarra de leite na mão, nunca lhe ensinaram que não se deve correr? No banquete da vida, de tanta ansiedade se esvazia, que acaba comendo cru o que era para ser ao ponto. De pulo em pulo, anseia em chegar ao seu destino, esquecendo-se dos avisos no caminho de pedras e areia. Tome cuidado, menina, quanto maior a velocidade, maior o ralo em seus joelhos. Tropeça nos próprios pés e sempre derruba aquilo que vinha carregando com tanto carinho e doçura. Irrita-se consigo mesma, aponta mil defeitos e se põe a chorar de raiva. De que adianta? Quer cortar caminhos e seguir atalhos que são mais longos e tortuosos do que a sua própria estrada. Sua mãe não lhe ensinou a não andar pela floresta? Se bem que talvez fosse bom. Desestressa, distraia, menina. Tira esse peso dos ombros que já não há mais necessidade. Desacelera. Você já sabe que tudo vai acontecer como tem que acontecer; tudo tem seu tempo, não tente apressar o que não pode. Respira, garota, seu mundo não vai acabar. Eu sei que você já esperou demais por tanta coisa... Tantas promessas vazias... Tantos "talvez"... Tantos "sei lá, pode ser..." Tantas reticências... E tudo o que você quer é um ponto final. Assim. Bem colocado. Com propriedade. Um ponto e vírgula, pode ser; uma exclamação! Ou várias!!!!! Você quer certeza. Decisão. Cansada de tanto ser uma opção. Mas não adianta querer correr, se vai apenas tropeçar. Dê seus passos com clareza, exatidão. Alguns bem pensados, outros apenas pela intuição, e você vai chegar lá, eu prometo. Então, tenha calma, menina, que o tempo sabe bem o que faz.
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Ideias fora do lugar
The saddest part...
Já faz alguns dias que a felicidade fez morada em meu coração. Finalmente alguns sonhos os quais eu tanto desejara estão para acontecer. Tudo aquilo que eu sempre quis acontecendo bem em frente aos meus olhos, ou quase. O riso chega de repente, e às vezes nem sei porque estou sorrindo. É só uma sensação boa. Sensação de liberdade, de finalmente estar onde eu sei que sempre deveria estar. Tudo ficará mais perto. Mas então, essa brisa de tristeza me envolve. Eu estou feliz, as coisas estão acontecendo, estão dando certo... Mas só pra mim. Estou dando esses passos sozinha, mas não me sinto sozinha. Ultimamente me sinto apenas feliz. Cheia de coragem para essa nova etapa da minha vida. Eu em sinto viva. Mas olho ao meu lado e você não está lá. Confidencia-me como a vida tem passado diante dos seus olhos, e como você está completamente perdida. Não sabe o que fazer, o que decidir... Tanto faz a vida, a morte... O nada. O vazio. Conformada com esse marasmo, e que apesar do desespero, a certeza de que isso não irá mudar. E eu tento... Eu tento tanto fazer com que você enxergue que pode mudar! Mas você tem que decidir... O trabalho é duro, é árduo. Pediu-me para ser tolerante, pediu-me para mudar... E diariamente eu tenho feito isso, apesar das crises e brigas. Não é fácil. Você deveria fazer sua parte. E isso não é uma crítica... Não é para fazer cara feia.
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Ela era luz.
Ela era luz.
Esses dias me peguei pensando em que momento nossas vidas se cruzaram, e não soube precisar o instante exato, apenas que de um dia para o outro, ela fazia parte da minha vida. Tudo começou como simples conversa, uma simples companhia, dessas de jogar conversa fora. Era tão diferente de mim, mas ao mesmo tempo um pouco parecida. Seu jeito tímido e retraído parecia fazer com que ela se afastasse das pessoas, mas depois que você a conhecia, sua personalidade única e iluminada lhe cativava. Ela me cativou. Sua paixão pela escrita e pelos livros a deixa mais próxima de mim. Ela não fazia parte do meu círculo de amizades, mas então, um dia... Ela não só entrou na roda, como passou a ser uma das que puxam a canção e faz todos cantarem no ritmo. Ela é daquelas que nos envolvem e nos fazem se sentir acolhidos. Eu a conheci em uma dessas noites de sábado movimentadas, e jamais imaginei que pudesse ser alguém tão próxima a ela.
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Thaís
Além da janela
A tristeza acaricia e envolve seu corpo, e me agonia assistir de longe e não poder fazer nada. Olhas o mundo pela janela do seu quarto, e por detrás das grades sente-se conformada, engaiolada, solitária. De vez em sempre essa carência lhe aperta o peito, esfria o corpo, mata o sentimento. Você tenta ser otimista, dizendo que isso vai passar, mas sabendo que essa sensação já faz parte de quem você é. As lágrimas já secaram em suas bochechas rosadas e a pela raiva já nem é mais consumida. Apenas sente aquele mesmo torpor de sempre. Ah, minha pequena, como estás enganada! O mundo é muito maior do que a sua janela pode mostrar, e as grades, ainda que fortes e frias, podem ser sim derrubadas.
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Love me like you do
Música: Love me like you do (cover)
https://www.youtube.com/watch?v=ZAnbP4rMVZA
Nunca pude lhe encontrar, e talvez fosse por uma
boa razão. No instante em que meus olhos te encontraram, naquele momento em que
você me reconheceu, eu soube. Você também sentiu, e não me importava quantas
mentiras dissesse para tentar esconder o fato de que tinha sentido, eu iria
saber. Depois de tantos anos duas desconhecidas finalmente se vendo pela
primeira vez. O riso nervoso escapou de meus lábios secos, enquanto meus olhos tentavam
guardar todos os seus traços, para que eu sempre pudesse me lembrar deles. O
abraço veio tímido, cheio de reservas, mas assim que o gelo inicial foi
quebrado, a química logo se instalou. Em uma sinfonia de risos e sorrisos
parecia que nos conhecíamos há séculos, o que não seria de todo mentira. A todo
momento eu procurava as íris cor de chocolate, ainda que furtivamente, e
esperava esbarrar em seus braços para sentir o calor do seu corpo. Se eu
pudesse, gostaria que essa noite durasse para sempre; mas infelizmente, tudo
chega ao seu fim. E levantando-se, você decretou o fim da noite. Não poderia
deixar que fosse... Não assim, com mil perguntas rondando minha mente, com
tanta coisa não dita entalada na garganta, com tanta esperança dentro do peito.
E num misto de nervosismo e ansiedade, fiz o pedido indecente: fica. E ao
responder que não teria como voltar pra casa, continuei: dorme na minha.
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Muros e Pontes
Minhas mãos estão machucadas, meus pés estão machucados. E eu estou cansada. Demorei tanto tempo construindo pontes... Retirando tijolo a tijolo dos muros tão bem guardados da fortaleza. A cada tijolo eu pude olhar mais dentro, observar, entender. E a cada tijolo fora, mais luminosidade entrando. Isso é bom, eu pensei. Nos buracos em que eu abri resolvi colocar pontes, para que houvesse um caminho de ida e de volta de dentro da fortaleza, e não só apenas para a dona dela, mas para mim também. Fui convidada a entrar no castelo. E assim eu o fiz, dia a pós dia, às vezes para o almoço, outras para a hora do chá, outras para dormir... E em algumas, fiquei de guarda. Mas então, em um dia de tempestade intensa, a moradora se desesperou e começou a tapar os buracos que eu abrira. Eu estava do lado de fora. Ela me deixou para fora. Eu ouvia os gritos de angústia, e em desespero, comecei a esmurrar os muros do castelo. Esmurrei e esmurrei e esmurrei, até ouvir o som abençoado do cimento caindo. Eu entrei de novo. E no lugar do buraco, ao amanhecer, a luz entrou. E isso começou a incomodar a dona da casa. Fui expulsa.
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Eu estou aqui!
Eu estou aqui. Repito. Eu estou aqui. Cadê você? Depois de tantos anos... Eu finalmente consegui chegar. Eu estou aqui! Eu estou aqui! eu grito. Mas você não pode me ouvir. Eu sussurro. Eu estou aqui... Mas você não pode me ouvir. Após tanto tempo... Como você estará? Será que mudou muito do que eu me lembro? Ainda que eu nunca tenha pousado meus olhos em seu corpo, ainda que minha mão nunca tenha tocado a sua, ainda que meus lábios nunca tenham sentido a quentura da sua bochecha ao se avermelhar, eu saberia exatamente lhe reconhecer. Depois de tanto tempo... Eu esperei por tanto tempo... Esperei e esperei... E na verdade, isso foi o que todo mundo me aconselhou a não fazer. Não esperar. Engraçado, não é? Pois dentro de mim uma esperança gigantesca crescia a cada ano. Ainda que eu nunca mais tenha trocado palavras com você, a cada viagem meus olhos lhe procuravam desesperadamente pela multidão. Mas... Eram poucos dias... Lugares diferentes... Mas hoje? Hoje eu estou aqui. Olho para essa cidade grande, toda cinza, cheia de prédios. Mas eu não estou admirando a cidade.
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(Não) Procura-se um amor
Todos nós buscamos um amor que seja instantâneo, rápido, e fácil. Esperamos encontrá-lo na próxima esquina, na fila da padaria, na danceteria ou na pessoa que passa ao nosso lado na rua. Quando isso não acontece, quando o acaso parece se recusar a lhe apresentar alguém, resolvemos tomar a frente e uma atitude, e então começamos uma infindável caçada. Preguiçosos demais para sairmos por aí vasculhando cada beco atrás do acessível, procuramos nas redes sociais pelo amor perfeito que está estampado nos jornais e perfis mundo afora. Pessoas aparentemente felizes, sem problemas, engraçadas e espetacularmente lindas pipocam pelos grupos e páginas, presenteando-nos com milhares de fotos e propagandas, muitas vezes enganosas, sobre suas vidas e costumes. Alguns, do outro lado do oceano, outros, na cidade vizinha, são potenciais relacionamentos se conseguirem sobreviver à distância. Ora, o que é esperar alguns meses para ver a pessoa amada, quando se tem tantos meios para sufocar a saudade que quase lhe mata?
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Me Escreva
Me escreva. Me ponha no papel. Me crie com sua caneta-tinteiro, para que você não possa me apagar. Me faça sair em linha reta, desfilando toda minha arrogância de sabe tudo, ou me desenhe em linhas tortas, demonstrando toda a confusão instalada em minha mente perturbada. Me manche, assim como eu manchei sua vida, me rabisque, me rascunhe, para que me jogue fora se não gostar do resultado. Me recite em belos poemas, rimando sua vida na minha, nem que por breve e singelos instantes efêmeros. Me grite em letras garrafais e maiúsculas quando me odiar, seja bruta, eu não me importo. Me chame de vadia, sublinhe o vaca diversas vezes e reescreva o puta por toda a folha de novo e de novo até acreditar que eu sou realmente filha dela. Me carimbe com suas lágrimas, deixe que eu escorra no papel, sem destino, sem começo nem fim, apenas no meio do caminho da sua felicidade. Me suja, me xingue, me maltrate. Faça comigo o que bem quiser. Me amasse, me embole, me rasgue. Mas eu só lhe imploro uma única coisa: me escreva. Me escreva! Me marque em sua pele, me faça existir, me faça ser imortal. Seja para o bem ou para o mal. Seja eu sua alegria ou sua dor. Seu riso ou seu pranto. Mas eu sou! Eu sou! Então me escreva, vamos! Me transforme em realidade, me tire da mente, me faça ser importante! Se importe! Me faça a diferença! Me escreva. Nem que nunca me mostre pra ninguém, nem que jamais se lembre de mim dentro da gaveta esquecida, mas por favor, me escreva.
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Eu quero você.
Eu quero você. É tão simples, não é? Eu quero você. Consegue me ouvir? Eu quero você. Aqui. Agora. Urgente. Consegue sentir? Eu quero. Eu mando. Se fosse simples assim... Você, especialmente você, sabe que eu não mando em nada, eu apenas obedeço, mas me concede um pedido? Passa essa noite comigo. E amanhã à noite. E na outra noite. Eu quero você, é, vou repetir. Será que você pode me ouvir agora? Eu quero você em minha cama, espreguiçando-se nos lençóis brancos, esfregando-se e ronronando, e me olhando desse jeito. Eu quero minhas mãos deslizando pelo seu corpo quente e macio, enquanto eu a observo. Sabe que eu gosto disso, não sabe? Quero me aproximar do seu ouvido, meu corpo colado ao seu, mordiscar o lóbulo da sua orelha e sussurrar: "Dança para mim, minha linda. Dança para mim..." E ao sentir seu corpo se mexer embaixo do meu, repetir "Dança... Rebola pra mim... Só pra mim..." Eu quero morder você. Assim, devagar... Pedaço por pedaço, devorá-la inteira. Eu quero sentir seu gosto... Por favor...
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A Menina dos Óculos Vermelhos
Crônica: A Menina dos Óculos Vermelhos
Nota; Feliz aniversário, Aly! Espero que goste desse singelo presente.
Escrevi escutando "You're Beautiful" do James Blunt.
ps: na imagem o óculos não é vermelho :/ mas eu não achei outro que eu gostasse e combinasse, e eu gostei do título e também achei que não deveria trocá-lo.
Era um dia comum, ensolarado, e ventava um pouco. Eu estava sentada em um daqueles bancos de madeira da faculdade, esperando... O quê? Não sei, alguma coisa, qualquer coisa. Eu apenas esperava... Que algo mudasse, acontecesse. Talvez alguém caísse. Talvez o céu se abrisse. Talvez alguém me chamasse... Mas nada estava acontecendo. Era um dia comum. E como sempre, lá estava eu sozinha observando as pessoas que passavam por mim. Uma brisa bagunçou meus cabelos, fazendo com que caíssem em meus olhos. Quando consegui me livrar dos fios, prendendo-os atrás da orelha, aconteceu. Eu a vi. Ela vinha em minha direção, eu não a conhecia, era óbvio que ela não iria falar comigo. Era óbvio que ela nunca tinha me visto na vida, e assim sendo, uma garota como ela não daria bola para uma estranha tão comum e tão solitária. Os seus cabelos escuros estavam compridos, e balançavam com o vento. Ela usava uns óculos vermelhos, e eles emolduravam seu sorriso. Era um sorriso tão lindo! Usava um jaleco branco por cima do vestido azul claro. Ela vinha com algumas amigas, e eu fiquei meio sem jeito, mas ainda assim a observava. Ela ria do que elas falavam, mas de vez em quando olhava em minha direção. Ia se aproximando... Aproximando... E eu ainda imaginava que ela fosse passar reto. A poucos passos do meu banco ela parou, despediu-se das amigas, sorriu mais um pouco, e enquanto elas saíam ela virou-se para mim, ainda sorrindo, e deu os passos finais até chegar a mim.
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Feliz aniversário!,
Para Alyete,
presente
Você nasceu para voar!
Vem aqui, pequena, vamos tomar um café. Senta aqui na varanda comigo, relaxa. Sente o vento batendo no rosto, observa os pássaros na pequena jabuticabeira que eu mal consigo cuidar. Que foi, pequena? Você olha para mim como se eu fosse um alienígena, e talvez eu seja. Não faz essa cara, não faz beicinho, eu não suporto lhe ver chorar. Chega mais, coloca a cabeça no meu ombro, assim. Fica triste não que tudo dá-se um jeito. Você me pergunta com esses seus olhos castanhos por quê eu te chamo de pequena. Você olha para mim como se implorasse para que eu parasse de te escrever. Desculpa, pequena, isso não vai acontecer. Sabe... Sabe por que lhe chamo de pequena? Porque eu cuido de você. Não importa o que aconteça, eu vou cuidar de você. És minha pequena, ainda que do tamanho do universo e com o brilho das estrelas. Você é real, pequena. Você não é aquela que eu almejo, mas que nunca irá olhar pra mim. Você não é intocável. Eu já toquei, já senti, já experimentei. Você é minha, pequena, mas eu não sou sua. Não, não se culpe, por favor. São fatos aleatórios da vida, do universo, de Deus... Vai saber. Mas o fato é que poderia ser, mas não o é. Por isso, pequena, eu escrevo.
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Mudança
Olho as caixas de papelão separadas a minha frente. Está na hora de começar! Com um suspiro, levanto-me do chão e dou uma olhada geral na casa bagunçada. Minhas coisas estão espalhadas por todos os cantos... Eu nunca fui muito bem organizada, não é mesmo? Começo recolhendo minhas roupas, mas não as dobro, jogo todas emboladas em uma caixa vazia. Não quero perder tempo com isso. Vou juntando os pares de sapatos, um em cada canto, deixando-os todos juntos, colocando-os em sacolas e depois em outra caixa. Passo na cozinha e pego minha coleção de chícaras, deixando apenas uma, para tomar café contigo casualmente. Coloco-as todas embrulhadas em jornal dentro de outra caixa, assim como as tampas e frigideiras que eu tenho. Vou ao banheiro, pego minha escova de dentes, meus remédios de ansiedade e pente. Não há muita coisa, nunca fui garota de cremes. Volto à sala, recolho os bibelôs, os CDs que estavam espalhados pelo rack, as caixas de série que tanto te incomodavam. Recolho meus livros... Esses são tantos! Precisarei de mais caixas... Pelo menos junto-os no canto para que não atrapalhe, prometo voltar para buscá-los. Separo cinco que acho que vai gostar para deixar contigo. Finalmente volto ao quarto. Paro, olho a cama arrumada, sorrio com um suspiro. Olho o porta-retratos na mesinha de cabeceira.
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Vem viver comigo?
Eu quero te dar o mundo, pequena. Isso é normal? Talvez não seja... Mas quem disse que eu já fui normal um dia? Eu quero dividir meus momentos com você. Quero dividir minha garrafa de coca-cola, o pedaço de chocolate que estava perdido no armário, metade do sofá enquanto assistimos ao filme. Quero dividir minha pipoca. Dividir o frio que sinto deitada na rede com você. Quero dividir os momentos de dor, e quando suas lágrimas não pararem de cair, quero secar seu rosto. Quero dividir o peso do mundo. Assim, ele não será mais pesado. Às vezes me pergunto se não estou errada... Já me disseram que quem dá muito, pouco recebe. É verdade, até. Mas eu me sinto feliz assim. Ver o sorriso no seu rosto iluminando tudo a sua volta, me faz sorrir. Eu quero te ver feliz, pequena. Eu sei do seu potencial. Você vai ganhar o mundo, meu amor. E não se desespere, eu sei muito bem o lugar onde devo ficar. Aqui, ao seu lado. Você vai encontrar sua alma gêmea, e eu vou estar lá para aprovar se ela é boa pra você ou não. Você queria tanto, mas tanto, mas tanto alguém que fosse sua outra metade. E eu apareci. Talvez não seja a melhor metade. Talvez eu seja sua metade invertida, tão diferente e ao mesmo tempo tão igual a você. Mas essa é a graça.
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O Café Abandonado
Levantou-se, colocou o roupão, calçou os chinelos, e foi ao banheiro. Depois, rumou à cozinha, coçando os cabelos castanhos, os olhos incomodados com a luz do dia, a boca seca. Em cima da mesa a caneca de café intocada. Estava frio, como todo o resto. Não mexeu nela. Fez um novo café, colocou em uma xícara de porcelana que estava no armário, e se encostou nas enormes portas. Em pensar que na manhã do dia anterior tudo fora diferente, estivera... Cheio. Quente. E agora, estava tudo frio. Vazio. Solitário. Dividira seu café com ele, sua cama aconchegante, um lugar em seu armário abarrotado. Torcera com ele nas noites de quarta-feira, aliás, contra ele. Era são-paulina, e ele? Corintiano roxo. Sorriu com o pensamento. Mas decidiu que não veria mais futebol. Olhou a sua volta, aquele azul horrível cobrindo as paredes, e em quantas vezes ele lhe pedira que pintasse de uma cor mais alegre. Agradeceu sua teimosia, talvez se as paredes fossem laranjas, vermelhas ou verdes, ela não aguentaria olhar para elas agora. O azul era dela, do modo como queria, e era ela que iria ficar ali, afinal, enquanto ele iria embora, como tantos outros. Logo ele, que sempre jurara que sua escova de dente azul nunca se dera tão bem com outra escova de dente azul, e que elas deveriam casar, mesmo sendo ambas azuis, e mesmo que as outras escovas implicassem. Logo ele, que a acompanhava nos copos de cerveja e nas conversas intermináveis de madrugada sobre filosofia. Logo ele, tão sabido, tão ele, havia se tornado tão nada, tão ninguém. Aliás, era o contrário.
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