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Será que eles estão falando de mim? E se não for? Mas e se for? Será que eu fiz algo errado? Será que é por que não trabalho direito? Eu não devia ficar mexendo tanto no celular... Droga! Será que vão me demitir? Contratar outra pessoa? Ela não parece tão animada em me ver... Não tem conversado tanto comigo... Será que eu fiz alguma coisa? Será que está brava comigo? Descontente?

Todos esses pensamentos ficam rondando minha cabeça. Eles chegam de repente, assim, do nada, e trazem minha insegurança com eles. 

Errei de novo... Algo tão simples! Foi tão idiota! Ela vai achar que sou burra, não é possível. Estava numerado e, mesmo assim, coloquei na ordem errada...

E se ela me achar mesmo burra? Por não conseguir seguir uma simples ordem? Logo eu, tão inteligente e atenta profissionalmente... 

Eu sei que não sou burra, eu sei que gostam de mim, eu sei que faço um bom trabalho. E ainda assim, não consigo calar essa voz constante dentro da minha mente, dizendo-me coisas ruins, fazendo-me duvidar sobre mim mesma, sobre minha capacidade. Pelo menos já consigo reconhecer quando isso acontece, e tento me convencer das minhas qualidades, de que eu sei que são mentiras e que não devo escutar essa voz. Mas ela insiste. Persiste. Sussurra...

Poesia - Branca



Em um dia qualquer, esquina dobrada,
É o seu rosto que me deixa assustada. 
Branca feito um papel, boca feito porcelana,
O coração batendo forte na esperança insana.

Será que você me viu? Será que percebeu?
Meus olhos vidrados em seu vestido branco,
Não conseguem se fechar com medo de que
Seja só mais uma miragem, sonhando acordada.

Treino umas palavras na ponta da língua,
Mas você estaria interessada no que tenho a dizer?
Ignoraria minhas tentativas de me fazer ver?
Certeza que não me daria um sorriso sequer. 

Não posso culpar o destino quando fui eu que pedi,
Para ter certeza de não estar louca, te ver eu quis.
Agora estou sempre andando com cuidado,
Com medo de ser assombrada pelo meu passado.


Respira. De novo. Respira.


Respira. Ok, hora de começar. Ou recomeçar. Soltando as amarras que me prendem, seguram e aprisionam, finalmente consigo respirar. Pensar com clareza. Durante tanto tempo fui aquela que ajuda os mais necessitados. Durante tanto tempo fui sua rocha, sua âncora, sua certeza de um porto seguro. Não importava quando, eu estava aqui sempre que precisavam, mas isso tinha um preço. A minha liberdade. De bom grado eu doava meu ser àqueles que eu amava e queria cuidar, sem pensar em mim mesma, nas minhas próprias necessidades. Sou a melhor amiga, a melhor amante, a melhor ouvinte, a melhor cuidadora e a que sempre lhe trará um bom conselho seguido de um bom afago. Obviamente, quem gostaria de perder alguém assim? O fato é que, de pessoa para pessoa, de ajuda em ajuda, o tempo vai nos desgastando, retirando pedacinhos de quem somos para os deixar com aqueles que precisam, e isso nos cansa. É difícil. Mas o tempo... O tempo é maravilhoso. Existe um tempo certo para cada pessoa e para cada caminho. Quando se excede e se tenta estendê-lo, insistindo em segurar uma corda que lhe machuca as mãos, você apenas prolonga a dor da despedida. É chegado o fim, e é necessário. Precisamos seguir caminhos diferentes, querida. Assim é a vida. Não chores, não amaldiçõe, não se culpe. Findou-se o nosso tempo, mas não as nossas lembranças. E então, finalmente sentindo a brisa renovando nossas energias, o sentimento de liberdade se espalhando por nosso corpo e mente, conseguimos finalmente respirar ar puro. E a vida segue o seu curso. Conhecemos novas pessoas, nos abrimos para novas experiências e vivências. Estamos prontas. E tudo acontece de forma rápida, como se apenas estivesse esperando aquele livro terminar para começar o próximo, afinal, já estava na hora. Não que não teremos novos trabalhos para essas novas pessoas que se achegam, mas com certeza, após tanto tempo dedicado àqueles que mais necessitavam de nós, poderemos enfim ajudar a nós mesmas. Viver algo leve enquanto vamos aprendendo e ensinando ao mesmo tempo. E, principalmente, crescendo e evoluindo.  




Palavras


Nunca me faltaram palavras para descrever sentimentos. Sempre tão cheia deles que às vezes chegava a transbordar. Ultimamente ando numa secura de palavras digna do Saara. Tenho andado preocupada, sem entender direito o que acontece com meus dedos, que já não conseguem apertar as teclas certas e juntar as ideias para um bom texto. Eu sempre usei as palavras como armas para atingir as pessoas que estavam longe de mim. Sempre precisei delas para tocar as pessoas que estavam a quilômetros, para fazer o papel de um abraço apertado, de um ombro para chorar, de uma forma de alegrar. Eu sempre vivi pelas palavras e pelos textos que transbordavam meus sentimentos. Só então me dou conta de que a resposta está bem a minha frente. Abro os olhos e encontro os seus, tão perto, tão negros e pequenos, com uma leve linha curva. Essa é a diferença. Não preciso mais me amparar nas palavras, pois estou vivendo os momentos. Não preciso lhe dizer como sinto por um pedaço de papel ou uma tela fria quando simplesmente posso olhar em teus olhos, com o rosto bem pertinho do seu, segurando firmemente em sua mão, encarando seu sorriso que me transmite felicidade. Meu corpo fala por mim, minhas ações falam por mim. Mas não pense que essa escritora irá se calar, isso jamais acontecerá. Sou feita de palavras, e se não as libero, me sufoco. Finalmente fui agraciada com um pedido que fiz há anos, pelo qual implorei, briguei e exigi. Por muito tempo andei sozinha, lutei sozinha, tentei sozinha. Hoje ando acompanhada por alguém que tem os mesmos desejos, vontades e sonhos que eu. Meu peito explode em saudade todas as vezes em que precisamos nos despedir, e espera ansioso pelo dia em que nos veremos de novo. Com você, todos os meus dias são feitos de sol e calmaria. Não tenho medo da vida, muito pelo contrário, anseio por ela. Para vivê-la. Perdoe-me se não me expresso sempre através de palavras, mas tenha a certeza de que meus olhos e meus lábios sempre lhe mostrarão meus sentimentos mais sinceros e intensos por você. 

Tenha calma...


Menina apressada que corre com a jarra de leite na mão, nunca lhe ensinaram que não se deve correr? No banquete da vida, de tanta ansiedade se esvazia, que acaba comendo cru o que era para ser ao ponto. De pulo em pulo, anseia em chegar ao seu destino, esquecendo-se dos avisos no caminho de pedras e areia. Tome cuidado, menina, quanto maior a velocidade, maior o ralo em seus joelhos. Tropeça nos próprios pés e sempre derruba aquilo que vinha carregando com tanto carinho e doçura. Irrita-se consigo mesma, aponta mil defeitos e se põe a chorar de raiva. De que adianta? Quer cortar caminhos e seguir atalhos que são mais longos e tortuosos do que a sua própria estrada. Sua mãe não lhe ensinou a não andar pela floresta? Se bem que talvez fosse bom. Desestressa, distraia, menina. Tira esse peso dos ombros que já não há mais necessidade. Desacelera. Você já sabe que tudo vai acontecer como tem que acontecer; tudo tem seu tempo, não tente apressar o que não pode. Respira, garota, seu mundo não vai acabar. Eu sei que você já esperou demais por tanta coisa... Tantas promessas vazias... Tantos "talvez"... Tantos "sei lá, pode ser..." Tantas reticências... E tudo o que você quer é um ponto final. Assim. Bem colocado. Com propriedade. Um ponto e vírgula, pode ser; uma exclamação! Ou várias!!!!! Você quer certeza. Decisão. Cansada de tanto ser uma opção. Mas não adianta querer correr, se vai apenas tropeçar. Dê seus passos com clareza, exatidão. Alguns bem pensados, outros apenas pela intuição, e você vai chegar lá, eu prometo. Então, tenha calma, menina, que o tempo sabe bem o que faz.

The saddest part...


Já faz alguns dias que a felicidade fez morada em meu coração. Finalmente alguns sonhos os quais eu tanto desejara estão para acontecer. Tudo aquilo que eu sempre quis acontecendo bem em frente aos meus olhos, ou quase. O riso chega de repente, e às vezes nem sei porque estou sorrindo. É só uma sensação boa. Sensação de liberdade, de finalmente estar onde eu sei que sempre deveria estar. Tudo ficará mais perto. Mas então, essa brisa de tristeza me envolve. Eu estou feliz, as coisas estão acontecendo, estão dando certo... Mas só pra mim. Estou dando esses passos sozinha, mas não me sinto sozinha. Ultimamente me sinto apenas feliz. Cheia de coragem para essa nova etapa da minha vida. Eu em sinto viva. Mas olho ao meu lado e você não está lá. Confidencia-me como a vida tem passado diante dos seus olhos, e como você está completamente perdida. Não sabe o que fazer, o que decidir... Tanto faz a vida, a morte... O nada. O vazio. Conformada com esse marasmo, e que apesar do desespero, a certeza de que isso não irá mudar. E eu tento... Eu tento tanto fazer com que você enxergue que pode mudar! Mas você tem que decidir... O trabalho é duro, é árduo. Pediu-me para ser tolerante, pediu-me para mudar... E diariamente eu tenho feito isso, apesar das crises e brigas. Não é fácil. Você deveria fazer sua parte. E isso não é uma crítica... Não é para fazer cara feia.

Chance...


O sol nunca foi tão quente e amarelo,
O vento nunca me pareceu tão gostoso
Balançando meus cabelos, como agora.
O céu nunca foi do mais puro azul-claro,
E o arco-íris nunca pareceu tão colorido.

Há tantas coisas a agradecer...
Tantas felicidades rodeando o meu ser,
Tantos sonhos se tornando realidade,
Que às vezes é tão difícil de acreditar. 

Me Escreva


Me escreva. Me ponha no papel. Me crie com sua caneta-tinteiro, para que você não possa me apagar. Me faça sair em linha reta, desfilando toda minha arrogância de sabe tudo, ou me desenhe em linhas tortas, demonstrando toda a confusão instalada em minha mente perturbada. Me manche, assim como eu manchei sua vida, me rabisque, me rascunhe, para que me jogue fora se não gostar do resultado. Me recite em belos poemas, rimando sua vida na minha, nem que por breve e singelos instantes efêmeros. Me grite em letras garrafais e maiúsculas quando me odiar, seja bruta, eu não me importo. Me chame de vadia, sublinhe o vaca diversas vezes e reescreva o puta por toda a folha de novo e de novo até acreditar que eu sou realmente filha dela. Me carimbe com suas lágrimas, deixe que eu escorra no papel, sem destino, sem começo nem fim, apenas no meio do caminho da sua felicidade. Me suja, me xingue, me maltrate. Faça comigo o que bem quiser. Me amasse, me embole, me rasgue. Mas eu só lhe imploro uma única coisa: me escreva. Me escreva! Me marque em sua pele, me faça existir, me faça ser imortal. Seja para o bem ou para o mal. Seja eu sua alegria ou sua dor. Seu riso ou seu pranto. Mas eu sou! Eu sou! Então me escreva, vamos! Me transforme em realidade, me tire da mente, me faça ser importante! Se importe! Me faça a diferença! Me escreva. Nem que nunca me mostre pra ninguém, nem que jamais se lembre de mim dentro da gaveta esquecida, mas por favor, me escreva. 

Está frio lá fora, está frio aqui dentro. Meu coração chora, transborda minhas dores e mágoas. Já não consigo segurar as lágrimas. O ar a minha volta está tão vazio, mas aqui dentro está tão cheio... Já não me aguento mais. A solidão aperta o peito. Querida amiga, sempre lhe tentei manter afastada, longe de mim, mas é a única que não consegue me deixar. Meus olhos vazios miram o céu, que começa a escurecer, tornando-se cinza, para combinar com meu humor. Não há ninguém, nunca houve ninguém. Tentei segurar as pessoas, fazê-las ficar ao meu lado, mas não é assim que funciona... No começo elas ficavam... Mas quando começavam a me conhecer de verdade, não me aguentavam. Pediam espaço... E tudo o que eu queria era alguém para ficar. Assustados, debatiam-se pedindo passagem, doidos para voar, livrar-se das correntes que se tornaram meus braços e abraços. E eu, eu implorava para que ficassem. Não me deixem sozinha, fiquem... Eu tenho medo do escuro. Mas eles não enxergavam minha solidão, apenas minhas palavras distorcidas. Seria eu louca? Se perguntassem para eles, talvez diriam que sim... Fazendo-me de vítima, quando era uma insana obsessiva. Talvez, talvez eu deva permanecer sozinha para não machucar ninguém. Não ferir ninguém. Não prender ninguém. É injusto... Injusto ter que me segurar e me trancafiar e que ninguém me pergunte verdadeiramente como eu estou. É injusto que ninguém se importe. É injusto que ninguém se arrisque por mim, que ninguém me escolha. É injusto estar rodeada de pessoas e me sentindo completamente só. É injusto eu saber que mereço alguém legal, e que não há ninguém para mim. Ninguém me escolhe. Eu sou uma opção, mas uma opção que todos preferem ignorar. Não se arriscar. É injusto pois sei do meu potencial, e me vejo grande... E no fim, no fim eu não sou ninguém. No fim eu sou apenas essa garota perdida e excessiva. Quem quer alguém extravagante? Quem quer alguém ciumento, chato, obsessivo, falante e insistente? Quem quer alguém que põe os outros antes de si mesmo? Quem quer alguém que tenta sempre ser o centro das atenções? Quem quer alguém egoísta? Quem me quer? Ninguém. Essa sempre foi e sempre será a resposta. Eu juro que tento acreditar no contrário, mas a cada ano que passa, isso não muda. As ilusões são as mesmas e o coração já está cansado de tantos machucados. Fico pensando se não vão ler e me dizer que me faço de vítima, que eles estão lá por mim sim e eu que não reconheço. Eu que não confio. É... Vê? Ainda penso nos outros, quando eu tenho o direito de me sentir triste, chateada, quebrada, sozinha, magoada. E eu só queria que alguém me abraçasse e dissesse que tudo vai ficar bem. Eu só queria saber que quando eu chorar, gritar, e estiver enlouquecendo na dor, alguém iria me segurar, abraçar e me deixar chorar. Confortar. E dizer que tudo ia acabar. Melhorar. Mas no fim do dia não há ninguém, apenas eu mesma e Deus. Minha fé está aqui, apesar de tudo, mas seria demais pedir alguém? Seria demais? É... Talvez seja. Não há ninguém.

Indomável


Eu escolhi o cabelo vermelho, ou ele me escolheu? Quem sabe de fato o que aconteceu, mas de qualquer forma, foi ele que combinou melhor com minha personalidade. Cor forte, cor do fogo, cor do amor. E eu sou assim, forte. Extrema. Difícil não me ver, especialmente quando eu faço de tudo para que me vejam. Eu não vou me calar. Eu não vou me esconder. Eu não vou desistir. Por algum tempo andei perdida entre os tantos caminhos que a vida oferece. Esqueci-me de mim mesma, e até as palavras me faltaram. Como!? Eu também me fiz essa pergunta tantas e tantas vezes... Estava entrando em desespero, sem poder externar meus sentimentos, tentando trancafiá-los em uma caixinha para depois enterrá-la bem fundo. Talvez quem sabe nunca mais mexer ali, deixar passar. Como eu poderia fazer isso? Onde eu estava com a cabeça? Não sobrevivo de meias verdades, meios sentimentos, meias tristezas, meios amores. É tudo ou nada. Pegar ou lagar. Chorar ou sorrir. Gritar ou silenciar. E eu grito. Eu grito! Eu GRITO! Consegue me ouvir? Não? Pois eu vou gritar até o planeta inteiro me ouvir! Não consegue me ver? Pois eu vou pular e pular e pular até aprender a voar. E eu vou voar! Sabe por quê? Porque gaiola nenhuma jamais vai me prender. Ninguém me prende! Ninguém me doma! Eu sou indomável, cavalo selvagem correndo pela floresta. Águia selvagem voando pelo céu, sem limite. Eu vou sentir o sol em minha pele, eu vou rir até chorar. Peguei a chave e abri um por um, soltando todos os meus sentimentos. Desamarrando minhas mãos. Vou chorar, vou sentir raiva, vou gritar, vou rir, vou sorrir, vou enlouquecer. Eu vou fazer o que eu quiser! Estou aprendendo a me reencontrar, voltar a ser quem eu sou. E quem quiser vir comigo, vai ter que me aceitar como sou. E ficar ao meu lado sem medo. Eu sou assim. Extravagante. Eu sou assim. Extrema. Eu vou assim. E eu amo ser assim! Eu vou falar alto, eu vou dançar o quanto eu quiser, eu vou amar e vou tentar e eu vou porque eu vou porque eu vou. Eu sou livre! Eu gosto de ser livre, e ninguém vai me prender. Jamais. Eu não vou permitir. Mas vou me permitir sentir o que quiser, falar o que quiser, e fazer o que eu quiser. Eu sou dona de mim mesma, e não preciso ser domada. Com Deus guiando meu caminho, eu escolho o meu destino. 

Gostaria eu de poder abrir minhas veias e retirar à força o que eu preciso escrever... Esse não escrever está me sufocando aos poucos. Essa falta de emoção, de choro, de raiva, de amor... Está me matando aos poucos de tédio. Ainda se fosse de solidão, daria uma bela canção. Mas nem mesmo isso me restou.
Sou forte, mas debaixo dessa fortaleza
Mora uma garota solitária e insegura.
Sou âncora para aqueles que me pedem ajuda,
E areia quando encontro-me sozinha.
No momento, só queria carinho.
Atenção e companhia.
Dá para ficar? Por favor,
Pode me abraçar?
Eu quero passar todas as noites ao seu lado, minha pequena
E quero te sussurrar bom dia em cada raiar de sol.
Ser aconchego em dias cinzas quando não queres sair da cama,
Ou abrigo em dia de tempestade, para que chores em mim. 
Estou enlouquecendo... E sei que estou enlouquecendo, eu posso ver, posso sentir... Quão louco isso pode ser? O quão amedrontador? Observo atentamente enquanto lentamente eu me torno quem eu não quero ser. Vejo o monstro que reside dentro de mim soltando-se das suas amarras... Minha paranoia manda lembranças, sorrindo, pois sabe que por mais que eu tente, não consigo controlá-la. Minha mente gira e gira e gira... Os pensamentos viajam rápidos... Eu tento me conter, controlar, sei que estou errada... E de vez em quando uso e abuso da ironia... Porque não quero me esconder, esconder o que sinto... Preciso mostrar... Escancarar para que você veja. Me veja. Perceba o que sinto. Quero me desfazer da invisibilidade. Estou aqui! Você não vê? Não vê como me sinto? Não se importa? Não posso me permitir deixar que o outro sinta minha falta, porque o medo latente dentro de mim tem receio de que não sintam minha falta, e de que me esqueçam aqui...

Fico aqui pensando, rolando em minha cama, sentindo sua falta, lembrando-me dos pequenos e preciosos momentos em que passamos juntas. Eu poderia dizer que quando nos vemos o mundo para por um segundo, mas não é verdade. É exatamente o contrário, meu mundo gira muito rápido, e as horas passam em um piscar de olhos. De repente, já está no momento da despedida, e meu coração pede por mais tempo. Não que eu já não tenha aproveitado cada segundo ao seu lado. É estranho como nós funcionamos, não é? No minuto em que ponho meus olhos em você, um sorriso se abre em meu rosto, mas ainda não vejo com clareza. Brincadeiras, risadas, conversas... Nada fora do comum... Mas quando nos aproximamos...

Fico perdida nos detalhes do seu rosto, pequenos gestos que passam despercebidos. Como o vermelho que persiste em suas bochechas quando ri demais, e não é de vergonha... Ou quando seu braço roça no meu... Guardo esse momento em minha mente, sabendo que apesar de ínfimo, tenho a sensação de ser importante. Quando estamos conversando frente a frente, e tenho a oportunidade de olhar dentro dos seus olhos, e o seu sorriso fica meio desfocado... Mas a melhor memória, a mais fugaz, e a que eu mais gostaria de guardar, é o seu cheiro. Um delicioso e suave perfume, que me remeteu às lembranças daquele quarto de hotel. Ah se eu pudesse guardar seu cheiro! Gostaria de ter memória olfativa, mas infelizmente não o tenho.

Andei tanto para poder te encontrar, e andaria tudo de novo, se pudesse ficar mais tempo ao seu lado. Necessito dos seus carinhos, do seu toque macio, da sua carência que combina tão bem com a minha. Toda vez que penso muito sobre sentir seu cheiro, acabo com a imagem em minha mente de um abraço. Meu nariz roçando em suas costas nuas, sentindo sua pele macia, quente, gostosa. Meus beijos em sua nuca, minhas mordidas de leve por toda a extensão dos seus ombros... A cada lado que viro em minha cama vazia e gélida eu peço para ter seu corpo aqui junto ao meu. Necessito deslizar meus dedos e deixar minhas digitais em seu corpo. Ouvir seus gemidos, sua voz em meu ouvido, e sussurrar minhas juras de carinho eterno. 


Momentos


A vida é feita de momentos. E esse é o meu momento. Eu, apressada como sempre, diversas vezes me perguntei para onde estou indo, o que está acontecendo. Tentei classificar o sentimento, colocá-lo em um compartimento, tentei entender o que estava rolando, colocar etiquetas, mas todas as vezes em que o fiz, acabei enfiando os pés pelas mãos. Noites em claro e em choro foram disperdiçadas nesse processo. Quando irei eu entender que não há como classificar? Os momentos são tão fugazes, eles aparecem do nada, duram um tempo incerto, de segundos a horas, dias, meses... Para sempre? Não, pois eles são passageiros. E quando você menos espera, eles já acabaram. E a graça é que por mais que você espere por eles, sempre é pego desprevenido. Aos poucos vou aprendendo a desacelerar, a parar de querer ter um porto seguro. Aliás, eu preciso ter: em mim mesma. Afirmar minhas certezas, meu eu, ser minha própria rocha. Fora isso, ando aprendendo a andar na corda bamba. Em cima dos muros, seja nos dias nos quais o sol brilha forte e me aquece, ou nas noites em que a escuridão toma conta dos nossos corpos e das nossas mentes. Tendo uma âncora em mim mesma, posso sempre voltar à razão, mas ao mesmo tempo, posso aproveitar todos os momentos que eu conseguir. Quando deixo de pensar, quando deixo rolar, é quando mais consigo aproveitar. São risadas, felicidades, loucuras entre outras mil incertezas, mas que me alegram tanto! Eu tenho medo, bem lá no fundo, de que um dia esses momentos passem, apesar de eu saber que é exatamente isso que vai acontecer. Eu só não queria que fossem muito cedo... Apesar de algumas lágrimas vez ou outra, o riso tem prevalecido em meu coração. Aos poucos respiro fundo, concentro-me, e vou me entendendo, tornando-me alguém melhor, aprendendo a ter paciência, e construindo memórias cheias de momentos inesquecíveis, fulgazes, e vitais para a minha felicidade, minha vida.

Solidão


Essa solidão que habita em mim,
Será que um dia irá partir?
Gosta de me enganar, fingi-se de morta,
E quando menos espero, aparece novamente. 

Essa solidão que habita em mim,
Não entendo a razão de querer ficar.
Vá-se embora, já me habita há tempo demais.
Não te quero por aqui, apertando-me o coração.

Feliz..


Eu estou feliz. Tenho medo de gritar essa felicidade, então vou sussurrar, para ninguém mais ouvir: eu estou feliz. Meu coração ainda sangra, as feridas reabrem de vez em quando, e eu ainda não sei o que vou fazer no futuro. Mas cansei de lutar contra o destino. Eu ainda tenho medo de ficar sozinha, e sinto falta de carinho. Mas estou aproveitando o que eu tenho. As pequenas coisas. O sol está me esquentando, e eu adoro esse calor gostoso para sair e rir por aí. E quando a chuva vem, ah baby, que alívio e que delícia ficar agarradinha contigo nessa cama geladinha. Passo a passo. Dia a dia. E assim a gente vai vivendo. Se eu pensar muito no destino e na vida eu vou acabar deprimida. Prefiro me espremer e estourar em felicidade. Eu quero sentir o seu toque e rir com você. E se outra pessoa aparecer, a gente vê. A única que perde nesse jogo é minha inspiração. Coitada, fica perdida, sem saber sobre o que se esparramar. Ela se fecha e está morrendo de raiva de mim. Se aquiete, meu amor, relaxa, logo você vai chorar de saudades e voltar pra mim, pedindo morada nos meus dedos e querendo deslizar no papel branco. Logo faremos amor novamente e você será minha, e eu serei sua, e nos derreteremos em tinta preta retinta a encantar os apaixonados incuráveis desse mal chamado amor. Por enquanto, me deixa ser... feliz.


A vida é uma droga. E o destino é pior ainda. Há cinco anos eu imaginava você levando sua vida, casada talvez. Com um moço bonito e educado, que lhe trataria bem, como você merece ser tratada. Você estaria trabalhando, quem sabe fazendo teatro, como sempre quis. Teria uma boa casa, com todo o conforto que você merece. E apesar de estar feliz, você lembraria de mim, sentiria falta desses anos em que não nos falamos. Isso me confortava. Pois significava que eu não era certa para você porque esse não era seu destino. Você precisava do seu príncipe, afinal de contas, de uma vida em um conto de fadas, e isso eu não poderia lhe proporcionar. Isso indicava que você escolheu o caminho mais fácil, sem ter que sofrer como eu lhe faria sofrer por ser uma mulher ao seu lado. Mas a vida é ironicamente engraçada. Dolorosamente engraçada.
Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger