Mostrando postagens com marcador mini contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mini contos. Mostrar todas as postagens

Linhas


Domingo, mais de sete horas da noite, o metrô está quase vazio. Até mesmo aquela linha vermelha, quase vermelha de sangue se for lá pelas cinco e meia da tarde, está meio solitária. Acesso à linha azul, ainda faltam diversas estações até aquela em que preciso descer. Entrei no vagão e sentei-me em um baco azul. Na primeira oportunidade me mudo para perto da outra porta, banco marrom, dessa forma não preciso me levantar caso entre um idoso ou deficiente. Ouvindo minha música, cansada, observando as poucas pessoas que estão no vagão, entra um casal e senta perto. Ela, com um bebê no colo. Ele, com a bolsa da criança no ombro. Perto da porta um senhor já de idade, com uma bengala. As estações passam, e então o senhor se levanta. Escuta o trem parar, e então ele pergunta:

Luz Solar


Vivendo em tempos de chuva e rajadas de vento, a menina se resignou em aproveitar o pouco que lhe era dado. Clamou pela água, pelas tempestades e pelas garoas, esperando que as gotas aliviassem a dor da partida. Deixada, sozinha ficou. De tempos em tempos, com os olhos marejados, chegava a desejar a escuridão dos recantos malditos do esquecimento. Na calada da noite, derramava as lágrimas de dor e solidão que tanto lhe afligiam o coração. Nunca tinha pensado em abrir a janela, para falar a verdade. Resquícios de fios dourados se infiltravam em seu quarto pelas frestas entre as táboas, mas ela ainda se recusava a sair de seu casulo. Com a persistência de luz, a menina não resistiu em ir espiar lá fora. Pé ante pé, saiu ao amanhecer de um novo dia, e a luz intensa solar cegou seus olhos. Com medo, tentou se esconder, mas a casa que outrora era dela não mais ali estava. Sem ter pra onde ir, ajoelhou-se no chão implorando para que o sol não a queimasse. Seus raios eram doces e quentes, e faziam bem para a sua pele. Seus cabelos reluziam, puro fogo que a fazia brilhar. Aos poucos, foi se levantando, sentindo como era bom aquela quentura e como tudo parecia mais bonito ao seu redor. Já conseguia respirar com mais facilidade. Não fazia ideia de quanto aquele dia iria durar, mas esperava que por bastante tempo. Decidida a não se apegar, jurou que tentaria não ser nem muito a chuva nem muito o sol. Sem escuridão que a engolisse, sem o sol que a cegasse. Sem o mar que a afogasse, sem a terra que lhe consumisse. Aproveitaria com cuidado, dessa vez. Iria ser racional, pelo menos até que o coração se alegrasse e implorasse, então, bem, então ela se jogaria do penhasco de encontro ao sol, acreditando que podia voar. Se a queda aconteceria ou se passáro seria, só o tempo iria dizer.

O Abraço


- Eu te amo! - gritei no meio da rua.


Logo minhas palavras atingiram seus ouvidos, ela veio como um furacão. Os olhos cor de chocolate bem abertos, escuros, raivosos. 


- Cala a boca! Alguém pode te ouvir! - ela olhou para os lados, e então para mim. - O que quer?

- Ganhar sua atenção. - sorri de canto.

- Parabéns, agora você tem. Desembucha. - colocou os braços em frente ao peito, em uma atitude defensiva.

Casacos Esquecidos

- Engraçado - ela sorri de canto, olhando para o chão.

- O que é engraçado? - pergunto realmente sem entender.

- Você - olha diretamente em meus olhos. - Engraçado como você lida com milhões e milhões de palavras todos os dias, o tempo inteiro, e quando chega o momento de usá-las de maneira correta, elas lhe fogem da boca, da mente, dos dedos.

- Pois é... - olho para baixo, mãos no bolso da calça jeans que uso há três dias já. - Para você ver como é uma faca de dois gumes.
Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger