Conto – Outra Vida

Conto escrito ouvindo a música "Outra Vida" do cantor Armandinho.


 Era fim de tarde, e o céu estava tingido de laranja. O vento balançava as árvores, arrepiando meu braço, dando aquela leve sensação de frio, mas, ao mesmo tempo, gostoso demais para colocar um casaco. Coloquei a canga em cima da areia, bem em frente ao mar, e me sentei. Olhei para as minhas pernas, cheias de pelinhos encravados, e fiquei cutucando, puxando as bolinhas, tentando conter o nervosismo. Olhei o visor do celular umas dez vezes, e cinco minutos depois, ela apareceu.

Caminhava na beira do mar despreocupada, com os fones nos ouvidos. Dessa vez, usava um short jeans escuro por cima do biquini branco, um chinelo Havaianas, e o celular em uma das mãos. A luz do sol reluzia em seu corpo, e sua pele marrom brilhava. Quando estava perto o suficiente, ela sorriu ao me ver. Ainda que eu não pudesse ver seus olhos, por conta dos óculos escuros, eu sabia que ela estava feliz em me ver. E, pegando o mesmo caminho que ela fazia todos os dias, ela veio até mim.

­­— Cuida para mim?

 


Um turbilhão de sensações invade meu corpo. Uma energia surreal percorre meu corpo e exala pelos meus poros. É quase como se eu pudesse flutuar. Depois de tanta chuva, sinto o sol na minha pele, meu corpo se aquece, e o vento toca meu rosto, entra pelo meu corpo e penetra meus pulmões. O coração bate forte. Eu estou viva. Eu estou viva! Não sei lidar com tantos estímulos de uma vez e as emoções acham um jeito de sair, vertendo-se em lágrimas de felicidade. Eu sinto tanto, e tanto, e eu preciso externar antes que eu exploda. E eu preciso escrever. Pois é assim que eu consigo me expressar. 

 Tem dias que eu só não tenho forças. Meu corpo fica pesado, eu não tenho vontade de fazer nada. Escrever torna-se um peso enorme que meus braços não conseguem aguentar. Mal consigo aguentar minha cabeça em meu pescoço. A vontade é de deitar no chão e ali ficar. 

Poesia - A Caça


A Caça

Seus olhos me perseguem durante à noite, 
Sua voz continua ecoando em minha mente,
Estendo o braço, a mão, meus dedos... 
Ah! Se eu pudesse mostrar do que são capazes...

Você brinca com minhas palavras e se deleita,
Atiça meu desejo e me tira dos eixos,
Afaga meu ego até transbordar pelas pernas,
E então me deixa ali, sem nem se importar.
Tem dias que a tristeza aperta o peito, o choro transborda pelos olhos e não há razão suficiente dentro de mim que me segure. O silêncio é ensurdecedor. A dor da saudade aparece como quem não quer nada, de mansinho, trazendo lembranças boas. Amanhã olharei para o sol, que mal aparece, vou fingir que nada disse, que nada pensei e que nada senti. Vou retomar meu orgulho, pegar minhas malas, e continuar caminhando.
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