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Um momento de estranhamento


N/A: texto produzido para o Ninho Online sobre um momento de estranhamento vivido pelo personagem.

         Eles disseram que vou me sentir melhor. Eles disseram que tudo ia ficar bem. Mas não consigo tirar esse peso da garganta, não consigo tirar essa sensação de borboletas rasgando meu estômago. Dois meses atrás, quando cheguei em casa, minha mãe estava mexendo no meu quarto. Jogava meus CDs fora, tirava os pôsteres de banda das paredes, olhava minhas anotações nos cadernos. Quando me viu, não falou nada. Na semana seguinte ela me comprou um vestido. Deixou em cima da minha cama. Sorri amarelo, agradeci, mas disse que eu não queria, não gosto de vestidos. Ela insistiu, eu tentei usar. Olhei-me no espelho com aquela peça rosa florida caindo desengonçadamente no meu corpo magricela. Não gostei, não me senti bem.

Um momento perfeito de escrita


Um Momento Perfeito de Escrita

N/A: Esse texto foi criado para um exercício do "Ninho de Escritores Online" sobre um momento perfeito de escrita.

Após tantos anos, ali estava eu, ali estávamos nós. Duas estranhas que um dia foram mais do que amigas. Seus olhos me prenderam uma vez mais e seu sorriso, surpreendentemente, apareceu ao me reconhecer. Eu queria falar, mas da minha boca nada saía. Eu estava branca, tremendo, com o coração acelerado, estômago embrulhado. Sua mão tocou em meu braço, senti-o queimar. Segurei em sua mão, por milésimos de segundo, até que ela me soltasse e se afastasse. Suspirou… Sorriu… Olhou-me… E partiu. Não sei explicar como me senti, um misto de dor e emoção, um pouco de felicidade, mas cheia de dúvidas.

Escrita Criativa - Situação Ininteligível




Tema: uma situação ininteligível, ou seja, incompreensível, de difícil entendimento, para o personagem. 
        
  Sábado à tarde, sentada na varanda, toda enrolada no cobertor, em pleno frio de São Paulo, tomando um café, eu lia meu livro, já nas páginas finais, quando tocam a campainha. Merda! Bem no meio do penúltimo capítulo! Levantei a cabeça, pronta pra xingar o retardado que tinha descansado o dedo ali, mas fiquei sem fala, com os olhos arregalados, e o coração pulando no peito. De cabelos pretos, botas, óculos escuros, e uma voz rouca inconfundível, estava a Cher, em carne e osso, parada no meu portão. “Garota, abra essa merda dessa porta!” foi o que eu entendi do seu inglês. Levantei de um pulo, e comecei a dar gritinhos de alegria e êxtase, quando de repente, dei um grito que rasgou minha garganta. Uma garota passou correndo, atirou na Cher, que se agarrou no portão de grade. Eu fiquei branca, apavorada, sem conseguir sair do lugar, completamente horrorizada. Minha cabeça estava entrando em parafuso, sem conseguir processar o que estava acontecendo. A Cher, meu ídolo, agarrada no portão, toda ensanguentada, quase morrendo, gritando, e a menina ruiva ao seu lado, com a arma na mão, rindo insanamente e dando pequenos pulos. Eu queria salvá-la, queria gritar, mas não conseguia me mexer. De repente, a louca olhou pra mim, e apontou a arma, deu uma risada escandalosa. A primeira coisa que eu pensei, antes de me esconder embaixo da mesa, desviando da primeira bala, foi: fodeu! Um barulho de sirene tocando ao longe fez uma pontinha de esperança se acender, mas seriam eles rápidos o suficiente pra nos salvar?

Escrita Criativa - Diálogo

Tema: o personagem se revela pelo diálogo


Diante dos portões da faculdade três amigos conversavam. Fred era o mais alto e o mais afetado, porém, o mais educado. Estava se segurando para não dizer boas verdades a João, que por ser o único hetero no grupo, muitas vezes tinha uma opinião preconceituosa em alguns assuntos.

— Cara, é o que eu to dizendo, não há necessidade de demonstrar tanto, saca? – João reafirmou seu ponto.

— E não há necessidade de demonstrar tanto sua heterossexualidade, mana. – Fred respondeu, cruzando os braços em frente ao peito. — Sabe que odeio quando você fica cheio desses preconceitos.

— Não é preconceito... – João suspirou, coçando a cabeça. – Só acho desnecessário.

— Queridas, chega desse papo chato? – interveio Paulo, colocando a mão na cintura afetadamente, só pra provocar. — Vocês vão colar lá na Augusta comigo e com o Gabi hoje? Parece que vai ter um show bapho de montação por lá.

— Sei não... Só se minha namorada for...

— Ah não bicha! – respondeu Fred, bufando e revirando os olhos. — Lá só dá bicha pão com ovo. É uó!

— Mas não vamos pelo povão, bee. Tô querendo ir por causa dos shows! Tem muito bate cabelo! – Paulo retrucou, tentando convencer o amigo.

— Nem vem, aquelas drags são um desastre! – levantou uma sobrancelha, em tom irônico. — São tão bem maquiadas que podiam ser contratadas pro circo.

— Como você é chato! – ele deu de ombros, virando-se para João, que prestava atenção no celular. — Vamos comigo, bee! Please!


— Boa sorte pra vocês. – Fred sorriu. — Vou indo. Cuidado para não serem roubadas... – riu maldoso acenando para eles, enquanto saía rebolando afetadamente, só para irritar João e seu preconceito. 

Escrita Criativa - Prazer extremo




Era a primeira vez em que meu corpo entrava em contato com seu. Sua pele ardia em brasa de encontro a minha. No escuro do quarto não podíamos ver, por isso nossos sentidos estavam mais apurados. Beijei seus lábios novamente, mordiscando seu lábio inferior, e uma vontade me veio à mente. Sem consultá-la, dei pequenas lambidas indo do queixo até o lábio cheio, e senti-a estremecer. Queria enlouquecê-la, mas ela era uma boa aluna e adorava mostrar que havia aprendido bem a lição. Sua língua lambeu do meio queixo até o meu lábio superior, e aquela sensação fez meu corpo se arrepiar inteiro. Minha respiração estava falha, meu coração palpitando no peito. Percebendo que eu adorara, ela fez novamente, mas dessa vez seus dedos se encostaram em meu sexo, constatando como me deixara molhada. “Quero sentir seu gosto, amor...” Ela sussurrou eu senti pulsar em sua mão, apertando-a entre minhas coxas. Não consegui lhe responder. Virou-me de costas, descendo o corpo lentamente pelo meu, os cabelos macios acariciando minha barriga. Encaixou-se entre minhas pernas, mordiscando minhas coxas, dando pequenos beijos, fazendo-me tremer de desejo. A ansiedade me corroia, e quando finalmente senti sua boca em meu sexo, comecei a gemer baixinho. Eu não possuía mais controle sobre meu corpo, que se contorcia nos lençóis, estremecendo a cada lambida. Quanto mais eu gemia, mais intenso se tornava, e eu já não mais pensava naquele momento. Senti meu corpo inteiro tremer, enquanto eu chegava ao ápice, segurando em seus cabelos e gemendo mais alto, sentindo o primeiro orgasmo. Quando meu corpo se aquietou, relaxado e suado, senti-a junto a mim, seus lábios selando os meus, com o meu gosto neles, enquanto seus dedos e sua mão se entrelaçavam na minha. 

Escrita Criativa - Mariana

Tema: algo que seja indefensável, mas que seja justificável do ponto de vista do personagem.


Mariana


Seu corpo era meu. Deu-me por livre e espontânea vontade. Eu só demorei a desfrutar do seu presente. Sempre a admirei, sabia? Desde que éramos jovens. Seus olhos transmitiam tanta vida... Tanta curiosidade pelo mundo... Mariana era meu bem mais precioso. E por um tempo, eu fui o dela. Até que ela resolveu me trocar por um desses caras musculosos cheios de tatuagem. Implorei tanto para que ela voltasse para mim... Prometi-lhe viagens para conhecer o mundo ao meu lado, o que ela sempre quis, mas não... Preferiu ficar presa àquele sujeitinho nojento. Todas as noites apareci em sua porta, liguei, mandei mil mensagens... Até que ela me dissesse para sumir da vida dela. Eu! A pessoa mais importante! Sua metade, sua alma gêmea, sua felicidade! Ela me disse que era minha, para sempre. E minha eu a fiz, ouvindo seus gritos desesperados, pedindo-me para parar... Minha lâmina desenhando corações meio incertos na pele toda cortada e avermelhada. Feliz, Janaína? Realizada? Eu estava... Passando a língua em meus lábios sentindo o gosto adocicado do sangue do seu querido namorado. Seu corpo inerte, com o corpo todo cortado e espicaçado, assim como ele deixara o coração de Mariana. Se era do seu pau que ela gostava, pau eu lhe dei. Arrancado enquanto ainda vivo, capturado entre meus dentes, de presente eu lhe dei. Acredita que após tanto trabalho, ela ainda teve a audácia de me recusar? Desesperada, tentou fugir. Pobre Mariana, se tivesse me ouvido... Se tivesse me escolhido... Teria sobrevivido.

Escrita Criativa - Alguém Estranho

Eu estou participando de um curso de Escrita Criativa do Ninho de Escritores e semanalmente temos exercícios de escrita com algum tema, fora os desenvolvidos em aula. Estou com vontade de compartilhar algumas coisas do que escrevo, já que não tenho escrito muito por aqui, apesar de estar pensando sobre isso, mesmo que esses escritos não estejam completos e possam ser melhor desenvolvidos. O tema desse foi: Alguém estranho.

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De longe eu a observo, tomando um café, com seus cabelos em formato de cachos caindo por cima dos seus olhos castanhos amendoados. Ela sorri, dando de ombros, claramente à vontade com a figura feminina a sua frente. Por muito tempo eu tive vontade de ser aquela figura. De poder desfrutar do prazer imensurável de estar em sua companhia. Houve um tempo eu que eu faria de tudo para me enfiar embaixo do seu cobertor, dentro da sua pele, injetada em sua corrente sanguínea. O vermelho em seus lábios, que costumava marcar minha roupa, acabou manchando minhas mãos. Cega por seu amor, eu fiz tudo o que ela me pediu. Hoje ela engana mais uma vítima, mais uma garota vinda do interior sem ter o que comer. Sua mão escorrega pela perna da ruivinha, com segundas e terceiras intenções. Hoje eu a vejo por quem realmente é, mas já não a reconheço. Ainda que seu cheiro seja o mesmo que um dia exalou em meus poros, seu gosto amarga minha boca toda vez que toco em seu nome. Tomo o resto do meu chocolate quente e ao passar por ela, seus olhos se apertam enquanto ela vasculha sua mente em busca de alguma lembrança. Mas já não pode me reconhecer, pois não sou mais uma vítima em sua teia de mentiras. Um sorriso se abre em meu rosto, e finalmente, estou livre. 
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