Já faz alguns dias que a felicidade fez morada em meu coração. Finalmente alguns sonhos os quais eu tanto desejara estão para acontecer. Tudo aquilo que eu sempre quis acontecendo bem em frente aos meus olhos, ou quase. O riso chega de repente, e às vezes nem sei porque estou sorrindo. É só uma sensação boa. Sensação de liberdade, de finalmente estar onde eu sei que sempre deveria estar. Tudo ficará mais perto. Mas então, essa brisa de tristeza me envolve. Eu estou feliz, as coisas estão acontecendo, estão dando certo... Mas só pra mim. Estou dando esses passos sozinha, mas não me sinto sozinha. Ultimamente me sinto apenas feliz. Cheia de coragem para essa nova etapa da minha vida. Eu em sinto viva. Mas olho ao meu lado e você não está lá. Confidencia-me como a vida tem passado diante dos seus olhos, e como você está completamente perdida. Não sabe o que fazer, o que decidir... Tanto faz a vida, a morte... O nada. O vazio. Conformada com esse marasmo, e que apesar do desespero, a certeza de que isso não irá mudar. E eu tento... Eu tento tanto fazer com que você enxergue que pode mudar! Mas você tem que decidir... O trabalho é duro, é árduo. Pediu-me para ser tolerante, pediu-me para mudar... E diariamente eu tenho feito isso, apesar das crises e brigas. Não é fácil. Você deveria fazer sua parte. E isso não é uma crítica... Não é para fazer cara feia.
The saddest part...
Contado por
Laris Neal
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Ela era luz.
Ela era luz.
Esses dias me peguei pensando em que momento nossas vidas se cruzaram, e não soube precisar o instante exato, apenas que de um dia para o outro, ela fazia parte da minha vida. Tudo começou como simples conversa, uma simples companhia, dessas de jogar conversa fora. Era tão diferente de mim, mas ao mesmo tempo um pouco parecida. Seu jeito tímido e retraído parecia fazer com que ela se afastasse das pessoas, mas depois que você a conhecia, sua personalidade única e iluminada lhe cativava. Ela me cativou. Sua paixão pela escrita e pelos livros a deixa mais próxima de mim. Ela não fazia parte do meu círculo de amizades, mas então, um dia... Ela não só entrou na roda, como passou a ser uma das que puxam a canção e faz todos cantarem no ritmo. Ela é daquelas que nos envolvem e nos fazem se sentir acolhidos. Eu a conheci em uma dessas noites de sábado movimentadas, e jamais imaginei que pudesse ser alguém tão próxima a ela.
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Laris Neal
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Poesia - Desculpas
Relendo
poesias antigas minhas,
Percebi o quão
cruel fui ao tentar atingir
Quem me
causava tanta dor.
Machuquei-a de
novo e de novo e de novo a cada poesia,
E ainda que em
seus comentários
Demonstrasse
serena indiferença,
Voltava a cada
novo texto,
Viciada em
minhas palavras-veneno.
Contado por
Laris Neal
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Poesia - Desculpe-me Pelo Transtorno
Desculpe-me pelo transtorno,
Desculpe-me pela dor que lhe causei.
Todos os cortes abertos em sua pele
morena.
Todas as lágrimas transbordando dos
olhos-chocolate.
Sei que jamais voltará a se embevecer em
minhas palavras
E agora sei que ao ouvir meu nome tua
pele se arrepia,
Seus olhos se arregalam e você é tomada
por pânico,
Implorando para que lhe salve dos
monstros que lhe assombram.
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Laris Neal
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Conto - A Última Viagem
N/A: Eu estava ouvindo a música "Losing your memory" de Ryan Star e me veio uma inspiração para escrever. Não sei se está bom, mas foi algo que me veio à cabeça, e que provavelmente vem do coração. Talvez meio triste, talvez sem um final definido, mas verdadeiro, que eu finalmente consegui transformar em palavras. Espero que leiam, gostem e deixem comentários. Boa leitura!
Conto – A Última Viagem
Sempre que eu pegava aquele ônibus,
enquanto ele saia da cidade e vagarosamente ganhava as estradas, eu ia ouvindo
música nos fones de ouvido. Olhava pela janela, observando nada mais do que a
estrada, o verde, a grama, as árvores e o céu azul claro, cheio de nuvens. Ouvia
músicas que me colocavam para cima, deixavam-me de bom humor, pois era assim
que eu me sentia. Minha alma cantava. Eu estava livre. Melhor ainda: eu estava
voltando para casa. Irônico, não é?
Era apenas uma viagem, mas eu me sentia em casa. No começo, eu mal podia pagar
a passagem de ida e de volta, era tão difícil conseguir ir aos eventos, rever
meus amigos... Mas com o tempo, aquelas viagens foram se tornando frequentes.
Duas, três, quatro vezes ao ano. Depois, seis, sete, oito vezes. Eu ia a cada
dois ou três meses, às vezes menos, sempre dando um jeito. Participava de
encontros, ia a shows, encontrava meus amigos. Eu via mais os amigos de São
Paulo do que os da minha própria cidade. Já não era mais novidade descobrir um
hotel onde passar a noite, não havia mais mistérios nos metrôs e ônibus das
rotas mais conhecidas. Era natural que depois de tantas idas e vindas, eu
finalmente estava chegando para nunca mais partir.
Quatro horas de viagem. Parece
bastante tempo. Em sua maior parte, eu lia, sempre carregando um livro em uma
bolsa ou mochila. Isso me distraia bastante. Dormia durante meia hora ou
quarenta minutos. Mas sempre havia um tempo para pensar, e principalmente,
fantasiar. Em todas essas viagens eu sempre me peguei pensando... Como seria
ter você me esperando na rodoviária? Com uma plaquinha escrita o meu nome,
ansiosamente tentando divisar o meu ônibus dos outros. E então eu apelava pelo
acaso. E se você estivesse na fila da Starbucks quando eu fosse comprar o meu
café? E se andando pela Livraria Cultura eu esbarrasse em alguém, e ao pedir
desculpas, desse de cara com seus olhos cor de chocolate? Mas então, as
fantasias se transformaram em paranoias. Andando pelas estações eu quase
congelei ao ver uma garota de cabelos cacheados e castanhos, magra, de costas
para mim. Uma ansiedade gigantesca me corroendo por dentro, até que ao se
virar, suspirei em uma mistura de alívio e decepção: não era você. Isso
aconteceu umas cinco vezes em um curto período de tempo. Estaria eu
enlouquecendo? Não importava o quanto eu estivesse distraída, se acaso alguém
minimamente parecida com você aparecesse em meu campo de visão, minha atenção
se voltava instantaneamente para essa pessoa.
Contado por
Laris Neal
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