Era tarde da noite, e sem conseguir dormir, rolando de um lado para o outro na cama, resolvi levantar e depositar meus pensamentos em um papel velho: eu ia lhe escrever uma carta. Deixei com que a caneta facilmente deslizasse no papel, imprimindo todas as minhas dores e dúvidas. Essa incerteza de não ter, não pertencer, queimava-me a alma, e agora era como se a caneta estivesse incandescente. A tarefa era árdua, mas continue abrindo-lhe o coração. Madrugada fria, fui até a cozinha e coloquei um gole de café morno na xícara e voltei para o quarto, parando para observar a janela. O luar estava alto, e eu podia ver o topo dos prédios a partir da janela do meu apartamento. Suspirei, sentindo-me sufocada. Voltei a me sentar, depositando a xícara ao lado. Eu me sentia tão só, precisava tanto de alguém ao meu lado... Mas não alguém ausente, um ser presente. Alguém que me abraçasse, que dissesse que não iria embora, e que cumprisse a promessa. Que quisesse me ter pra sempre. Sinceramente, eu estava cansada de correr, fugir, fingir. O soluço veio súbito, e eu não pude contê-lo; nem tentei, pra ser sincera. Enquanto a caneta rapidamente transformava em palavras os meus sentimentos malditos, meu peito se enchia de uma raiva genuína. Dor e mágoa há muito guardados, e quando dei por mim, eu já rasgava o papel. Merda! Joguei a caneta longe, e no rápido movimento, derrubei a xícara com o líquido preto, agora totalmente frio. Observei-o escorrer pelo papel, com uma certa mórbida curiosidade, descobrindo os desenhos que ele fazia, enquanto manchava tudo de marrom. Dos dois buracos negros que eu havia feito, escorriam lágrimas de café, e o sorriso sincero abriu-se em meu rosto. A tristeza estampada no rosto encovado da solidão, impressa em um autoretrato da amante de café: eu mesma. Então eu chorei, em silêncio, deitando a cabeça em cima da mesa, sentindo o coração se apertar no peito, uma dor realmente física, desejando, bem lá no fundo, que eu morressse de um ataque cardíaco. Covarde, eu sabia, mas naquele momento, eu não me importava. E ainda que soubsesse que eu iria estar de pé quando o sol raiasse, fechei os olhos e derramei o café amargo da solidão, vomitei as palavras entaladas na garganta, e esperei pela benção da inconsciência do sono.
Imagens Que Contam Histórias 24
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Laris Neal
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Solidão
Essa solidão que habita em mim,
Será que um dia irá partir?
Gosta de me enganar, fingi-se de morta,
E quando menos espero, aparece novamente.
Essa solidão que habita em mim,
Não entendo a razão de querer ficar.
Vá-se embora, já me habita há tempo demais.
Não te quero por aqui, apertando-me o coração.
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Laris Neal
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Olha Só
Olha só o que fez comigo, minha menina
Meu pensamento está em você todo dia.
Já não faço mais nada sem me perguntar:
Estará você pensando em mim também?
Olha só o que fez comigo, minha flor
Tenho a necessidade de te levar comigo aonde for.
Quero compartilhar com você meus momentos,
Chorar em seu ombro e rir de suas palhaçadas.
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Laris Neal
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Menina-café
Todos
os dias eu acordava cedo, e ia zumbizando até o banheiro, depois me arrastava
até a cozinha na intenção de começar a preparar meu café. Colocava o pó no
coador, e sentava-me na bancada esperando ficar pronto. Meu único alento era
saber que logo aquele cheiro delicioso iria me embriagar, e que logo eu iria me
deliciar em seu sabor. Todos os dias a única certeza que eu tinha, que me
animava o dia, era saber que eu tinha o meu sagrado café a me fazer companhia.
Então,
um dia acordei de um pulo, coração acelerado, o dia já tardava pela janela. Não
ia dar tempo de fazer o café! O mau humor já me pegou de jeito, e eu previ que
seria um dia ruim daqueles. Mas foi então que o cheiro característico invadiu
minhas narinas. Achei que estava maluca, sonhando, ou delirando, pra falar a
verdade. Curiosa, nem fui ao banheiro, deixei-me guiar pelo meu tão amado
cheiro. Flutuando até a cozinha, parei escorada no batente da porta, e foi a visão
mais linda que eu já tive.
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Laris Neal
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Livro reúne 10 autores em uma verdadeira orgia
Olá pessoal! Como eu havia comentado, eu sou uma das autoras do livro Orgias Literárias da Tribo da Editora Orgástica, organizado pelo autor Fabrício Viana. Esse livro é uma antologia de contos que reúne diversos tipos de contos, cada um representando um grupo dentro do grupo LGBT, e cada um bem diferente do outro, e muito interessante.
Eu tive o prazer de poder participar dessa coletânea, e fico feliz de ter conseguido ser selecionada, pois finalmente posso ter um dos meus contos publicado em uma antologia voltada para o público GLS (quem acompanha meu blog e meus trabalhos sabe que a maioria do que escrevo é voltara para esse público, principalmente para mulheres que amam mulheres). É sempre bom conhecer novos autores, novas propostas, e conhecer o diferente. O meu conto publicado no livro é "Loiras (In)Decentes", uma história bem engraçada e divertida, quem não leu, corre comprar o livro e dar uma olhada, pois além desse conto, será brindado com uma diversidade de opções para ler, conhecer, e gostar, dos outros autores dessa super antologia. E claro, compareçam no evento!
Para saberem mais sobre o evento, o livro e o organizador da antologia, foi lançado o release a baixo, com todas as informações:
Contado por
Laris Neal
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