Sou antiquada, sou careta,
Faço carranca quando me desrespeitam,
Torço o nariz para o que não gosto.
Falo alto, mas não faço barraco.
Faço escândalo, mas não desço do salto.
Brigo pelos meus ideais,
Não entro em brigas banais.
Sou chata, ainda que redonda.
Mas se você me aguenta,
Abre-me aos poucos, destranca-me.
Conhece cada recanto de encanto.
Descobre a simpatia e educação,
Ainda que escute o sermão.
Faço caretas com nariz de palhaço,
Para rir e gargalhar até o cansaço.
Falo de Deus, nosso Senhor,
Da felicidade e do amor.
Desfaço-me em alegrias cheias de fé,
E estou aqui para o que der e vier.
Calma, garota. O mundo não vai acabar.
Desacelera, pare um pouco para respirar.
Corre tanto que não vê a vida acontecer,
Só passar. 
Sossega, que tudo vai se encaixar.
Não é da noite para o dia,
Mas dia após dia,
Que a felicidade vem.
Sou forte, mas debaixo dessa fortaleza
Mora uma garota solitária e insegura.
Sou âncora para aqueles que me pedem ajuda,
E areia quando encontro-me sozinha.
No momento, só queria carinho.
Atenção e companhia.
Dá para ficar? Por favor,
Pode me abraçar?
Quero arrancar o coração do peito, e parar de sentir. Quem sabe assim, pare de doer.

Doses diárias de café


Minha menina-café, deixe-me beber de você, sentir o seu corpo quente em meus lábios secos e sedentos. Preciso sentir seu gosto saboroso em minhas papilas degustativas, bebericando aos poucos, para não queimar minha língua felina, que desliza pelas beiradas da xícara. Quero sentir seu aroma de menina-moça todas as manhãs, a acordar-me desse pesadelo chamado vida. Pois sim, vivia em meio a dores e desgostos, mas agora, minha pequena, eu vivo sonhando acordada. Tomo-lhe em meus braços, minhas mãos, minha boca e lhe devoro pedacinho por pedacinho, como se fosse um bolo de café, fofo, macio e completamente delicioso. De tanto ser gostosa, acabei me viciando em seus encatos, e passei a injetar pequenas gotas diárias de você em minhas veias dantes envenenadas.
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