Promessas foram feitas para serem quebradas,
e mulheres para serem abusadas. Já dizia meu pai, que abandonou minha mãe
quando eu tinha apenas três anos. Desde muito nova senti o gosto amargo da vida
nas ruas. Sentia o peso dos corpos de diferentes homens em cima de mim, o
cheiro repugnante de uísque barato impregnado nas roupas imundas, e tudo para
conseguir uma merda de alguns trocados para não morrer de fome.
Desde
pequena aprendi a roubar, comecei com carteiras em bares. Conseguia ir para a
cama com algum ricaço e depois de embebedá-lo e transar com ele, pegava tudo o
que ele tinha e sumia nos becos da cidade outra vez. Aprendi a mentir para
conseguir o que quisesse. A fingir, como uma atriz. Aprendi a apanhar também,
sentir o gosto adocicado do meu próprio sangue. Aguentar a dor, engolir o
choro, não me importar. E com o tempo, as marcas no meu corpo já retalhado não
doíam mais. Com o tempo, aprendi que nada é pessoal, são apenas negócios. Não o
dinheiro. É importante, sim, mas não tanto. O imprescindível para se sobreviver
nesse mundo é ter poder. E agora eu o tinha.
