História: Anastácia - Capítulo 09


Capítulo 09 - Primeiros Conflitos

Demorei um pouco para abrir os olhos. Eu havia dormido tão bem! Apesar de estar sentindo um pouco o corpo dolorido, estava muito bom ficar naquela cama, e eu logo me dei conta do porquê. O corpo dela estava junto ao meu, seu braço ao redor da minha cintura; olhei para ela, tinha uma expressão tão calma no rosto... Devia estar sonhando. Eu sorri, sentindo-me a garota mais sortuda do mundo com aquela loira dormindo profundamente em meus braços. Levemente me afastei dela, com cuidado para não acordá-la, e troquei de roupa. saindo do quarto. Após ir ao banheiro, lavar o rosto e escovar os dentes fui para a cozinha. Coloquei o café pra passar e fui checar o que eu tinha na geladeira; não era muito, pra falar a verdade... Um pacote de pão de forma pela metade, algumas fatias de presunto e queijo, suco de laranja, e o café. Eu não estava esperando visita, então não havia comprado nada. Morando sozinha, eu não gostava de ter muita coisa porque acabava estragando. Comecei a arrumar os lanches, colocando o presunto e o queijo, depois cortando no meio. Voltei-me para esperar o café terminar de passar no coador para colocar na garrafa e estava tão concentrada em meus próprios pensamentos que levei um tremendo susto ao sentir alguém me tocar.

— Bom dia, Leo. – a loira me abraçou por trás, beijando meu pescoço. — Assustou, foi?

— Bom dia, loira! Assustei... – fiz biquinho. — Eu estava aqui tão distraída fazendo o café que nem vi você chegar... Ah! E você estragou minha surpresa. – bufei, colocando o café em duas xícaras e me virando pra ela. — Eu ia levar na cama pra você...

— Não precisa... – ela sorriu e se apoiou no balcão da cozinha, pegando a xícara de café e tomando um gole. — Hm... Está bom! Forte, como eu gosto... – ela sorriu, esfregando os olhos.

— Opa que ótimo que já acertei! – aproximei-me dela olhando para os lanches que eu havia deixado em cima do balcão. — Então... Esse é o nosso pobre café da manhã... – sorri sem graça. — Não passei no supermercado ainda...

— Você acha o quê, que eu sou uma daquelas riquinhas chatas, esnobes e cheia de frescuras? – ela arqueou uma sobrancelha, pegando um dos sanduíches e o mordeu.

— Não foi isso que eu disse... É só que... – tentei me defender, mas ela logo voltou a falar.

— Sabia que eu já sobrevivi de fast food e de misto quente quando adolescente?

— Sério? – perguntei surpresa. — Não imagino você sobrevivendo só de misto quente... – ri incrédula, sentando-me num banquinho ao lado dela, tomando um gole do meu café.

— Seríssimo! Com quinze anos eu vivia saindo com meus amigos e mal jantava em casa, conclusão? Vivia comendo porcaria na rua. Minha mãe queria me matar! – ela começou a rir, mordendo mais um pedaço do lanche. — Ela sempre foi muito certinha e brigava comigo quando eu fazia isso. Ameaçava, dizia que ia me deixar sem comer pra aprender... Tirar minha mesada...

— E ela fez isso?

— Tecnicamente, sim. Depois de uns três anos, quando entrei na faculdade, ela não me dava muito dinheiro pra gastar, era só pra pagar o necessário. Mas eu não ligava, e isso era o que mais a irritava. Foi então que passei a comer misto quente... Era o mais barato na cantina da faculdade. Fora que meus amigos viviam me levando besteiras na hora do intervalo. – ela tinha um sorriso divertido nos lábios.

— Nossa, não sabia disso. Você parece ter sido bem do contra quando jovem, não? Do tipo que faz o que quer e quando quer... – ela me lançou um olhar fuzilante e eu me corrigi: — Jovem você ainda é, óbvio! – revirei os olhos, fazendo-a rir.

— Melhor assim. Mas sim, era por aí. Eu sempre fui muito independente, e de personalidade muito forte, então não aceitava ordens muito bem. E minha mãe é uma pessoa extremamente difícil... – ela parou por um minuto, como se ponderasse se deveria ou não continuar. Eu esperei curiosa que ela continuasse, e ela por fim o fez. — Nós brigávamos o tempo inteiro, e ela sempre tentava me punir de alguma forma, mas não fazia muito efeito.

— Nossa, complicado... Você comentou que foi casada duas vezes, como foi? – aproveitei que ela estava disposta a falar e comecei a perguntar. Ela se debruçou no balcão, olhando pra mim.

— No começo minha mãe adorou. Ela gostou do meu primeiro marido, o Lucas. Ele é bonito, bem-sucedido, faz sucesso com as mulheres, e considerado um bom partido. Eu comecei trabalhando como sua secretária, e ele acabou se interessando por mim. Mas ele é extremamente machista, narcisista, achando que tudo gira à sua volta. Quando eu comecei a ter o meu próprio negócio ele não gostou nada, e tentou de todas as maneiras fazer com que eu desistisse da ideia. E eu disse que se essa era a posição dele, eu pediria o divórcio. E ele mudou de opinião? – ela bufou e deu de ombros, pegando mais café da garrafa que eu havia deixado no balcão. — Quando minha mãe ficou sabendo, achou um absurdo o que eu fiz. Trocar um homem tão “bom” como ele por um simples capricho. Que lugar de mulher é ao lado do seu homem, e não na frente dele.

— Ihhh... Ela é dessas? – perguntei com uma careta, pegando um pedaço de sanduíche.

— Sim. A família da parte da minha mãe é centenária. Família rica, de geração em geração, com um nome a zelar e cheia de tradições. Imagina a felicidade da minha mãe ao ter uma filha com dois divórcios? – ela sorriu triunfante, zombando da situação.

— Imagino! Ela deve ter dado pulos de alegria. – brinquei, fazendo-a rir. — Imagina se ela souber que a filha gostosa dela está dando uns pegas gostosos nessa garota aqui? – arqueei uma sobrancelha, balançando os ombros e cabeça.

— Você é louca, Leo? – ela começou a gargalhar. — Quer que minha mãe enfarte? Aí é que ela me deserda mesmo!

— Se ela deserdar... – puxei-a pela mão, fazendo com que ela se aproximasse e ficasse entre minhas pernas. Sorri, olhando para o seu rosto logo acima do meu. — Você vem morar comigo, adota minha família como a sua e a gente vive de misto quente e café... – pisquei os olhos diversas vezes com um sorriso no rosto.

— Se fosse simples assim... – ela suspirou e beijou minha testa delicadamente, abraçando-me. — Mas chega de falar disso... Está me fazendo perder todo o tesão com o qual acordei.

— Como assim acordou com tesão e não me disse nada? – fiz cara de espanto, afastando-me para poder olhá-la. Ela começou a rir da minha cara, dando um tapinha na minha perna.

— Só assim pra chamar a sua atenção, né Leo? – ela me deu um rápido beijo nos lábios e nos levantamos. Lavei as poucas coisas que usamos e deixei no escorredor.

            Anastácia se jogou no meu sofá sem a menor cerimônia, e eu achei graça do seu jeito meio espalhado. Mas logo que eu fui me sentar ao seu lado ela olhou para frente, apontando para a porta ao lado da do meu quarto.

— O que tem ali? – mal perguntou e já havia levantado, andando até a porta.

— É tipo meu ateliê... – não deu tempo para eu completar, ela abriu a porta e entrou no cômodo. Eu a segui, entrando logo atrás dela. – Está meio bagunçado, espero que não se importe... – e realmente estava. Tinha meu cavalete num canto, jornais pelo chão, uma bancada com pincéis misturados e algumas tintas, duas telas pela metade, uma no cavalete, e dois quadros prontos do outro lado.

— Você fez tudo isso? – ela me perguntou surpresa. Andou até as telas que estavam prontas.

— Sim... Gostou? – mordisquei o lábio, apreensiva. Eu não gostava que vissem meu trabalho assim, de supetão. Mas agora com essa reação dela eu estava mais insegura do que irritada.

— Você tem mesmo talento... São lindas! – um dos quadros era uma pintura a óleo de uma mulher no campo de vestido branco e chapéu nos cabelos escuros. E o outro era o do girassol em meio às rosas vermelhas. Ela pareceu se interessar por esse último. — Esse é especialmente lindo... – ela se sentou no chão, e eu pensando que ela ia se sujar, ia ficar com a roupa manchada, mas não ousei dizer nada, pois o seu olhar fixado na tela já me dizia que todos esses pensamentos eram bobagens.

— Obrigada... – sorri tímida, finalmente lhe respondendo. Sentei-me ao seu lado, enquanto ambas olhávamos para a pintura.

— O que você estava pensando quando pintou? – ela me perguntou sem tirar os olhos da tela. Eu respirei fundo, sem olhá-la, e respondi.

— Eu amo vermelho, e amo a intensidade das paixões. E entre as paixões, e o ardente vermelho das rosas do amor, surgiu um único girassol, diferente, com o seu amarelo-dourado iluminando, transformando-me. – por um momento reinou o silêncio, e eu já estava ficando completamente ansiosa e nervosa sobre o que eu acabara de dizer. Se havia sido bom ou uma completa idiotice. Atrevi-me a olhar para o lado, e só então percebi os olhos da loira embaçados. — Ana? – mas ela pareceu não me ouvir, continuava olhando fixamente para a pintura. Voltei a chamar. — Anastácia?

            Ela se levantou, ainda sem olhar para mim, e saiu do cômodo. Ainda meio atordoada com a saída repentina, fui atrás dela, mas ela bateu com a porta do banheiro na minha cara. Comecei a bater na porta, chamando seu nome, sem entender exatamente o que estava acontecendo. Será que ela havia ficado chateada com algo que eu dissera? Será que não gostara? E por que estava se escondendo de mim? Eu não conseguia entender... Novamente tentei chamá-la.

— Ana... Por favor, o que houve? Me deixa entrar... – após alguns segundos ouvi o barulho da porta sendo destrancada e ela a abriu.  

— Me desculpe, eu... Não sei o que me deu. Idiotice... – ela havia enxugado as lágrimas e tinha uma expressão séria no rosto.

— Não tem problema... – tentei segurar em sua mão, mas ela não deixou. Passou por mim e sentou-se no sofá. Fui atrás dela. — Foi algo do que eu disse? Me desculpa se você não gostou... Não queria te chatear... – parei perto dela, com as mãos cruzadas, sem saber o que fazer ou dizer. Talvez isso a tenha feito repensar sua atitude, pois ela me puxou para o seu colo. Encostei a cabeça em seu ombro, e ficamos assim durante um tempo, até ela começar a falar.

— O que você disse foi... Maravilhosamente lindo. E... – ela pareceu hesitar um pouco, e finalmente completou a frase. — Apaixonado. – ela passou os dedos pelos cachos do meu cabelo e eu fechei os olhos por um instante. — Foi tão... Sincero... E eu gostei tanto daquele quadro... Que sua resposta me pegou desprevenida...

— Se você gostou... – eu sorri, levantando a cabeça e olhando diretamente nos olhos castanhos. — Eu não vejo qual é o problema...

— Leo... Lembra o que já conversamos? Sobre ser apenas... Desejo? Sexo? Algo casual? – ela falou com doçura, e seria perfeito... Se não fosse eu e minha cabeça dura para estragar.

— Sim, eu lembro... Mas não está sendo só isso. – encarei-a, dizendo firme. — Se fosse, o que você estaria fazendo aqui ainda? – seus olhos ficaram mais escuros e ela fechou a cara. Naquele momento comecei a entender a expressão de tempestade que ela usara em nosso primeiro encontro.

— Tem razão. Está na hora de eu ir embora. – ela me empurrou do colo dela de leve, e se levantou logo em seguida, marchando a passos firmes até meu quarto.

Fiquei ali parada no meio da sala, respirando pesado, um pouco assustada com a atitude dela, sem saber o que fazer direito. Após alguns segundos que pareceram eternos, ela saiu calçando os sapatos de salto, com a mochila que ela trouxera em mãos, e com a bolsa pendurada no ombro. Ela passou por mim feito um furacão, sem nem mesmo me dirigir a palavra, e no instante em que destrancou a porta, passou por ela e a fechou com fúria, foi que minha ficha caiu. Saí correndo, quase tropeçando no tapete, e rapidamente cruzei a distância até a porta. Mas ao invés de abri-la, eu bati com as mãos espalmadas na madeira, gritando:

— Anastácia! – e esperei, com os olhos arregalados, o coração quase saltando da boca. E se ela tivesse pegado o elevador? E se tivesse ido de escada? Eu tinha medo de abrir a porta. Não ouvia o barulho do salto, aliás, não ouvia barulho algum. Voltei a dizer: — Ana... Está aí? – bati a cabeça na porta, com raiva de mim mesma, tentando segurar o choro.

— Estou. – ouvi seu tom de voz seco do outro lado.  

— Por favor... Volta... Eu não quero que você vá. – eu pedi, tentando engolir o choro que eu sabia que não podia impedir.

Ouvi o barulho e vi a maçaneta se mexer, então me afastei da porta. Ela se abriu e logo vi Anastácia entrando de volta no apartamento. Ela mal me olhou, jogou a bolsa e a mochila no chão, virou-se, trancando a porta, e quando virou para mim novamente já estava me puxando pela cintura, colando seu corpo ao meu e beijando-me com urgência. Ela estava ofegante, parecia ter chorado também, apesar de disfarçar bem. Seus braços me envolviam e ela me apertava contra seu corpo. Ao final do beijo mordeu meu lábio inferior, e depois me olhou profundamente.

— Por um momento achei que fosse me deixar... – eu disse baixinho. Ela continuou me olhando, como se pensasse no que ia dizer.

— Eu ia. Deveria. – ela respirou fundo. — Eu não sei mais o que estou fazendo... Você está me enlouquecendo, garota... – ela sorriu de canto, colocando uma mão na testa, olhando-me pelo canto dos olhos.

— Estou, é? Bom saber disso... – sorri, calando-a com um beijo. — Aliás... – comecei a puxá-la pelas mãos até o sofá. — Como você ia deixar essa artista linda e talentosa e gostosa que você descobriu? Frustrada pela noite de sexo selvagem que não teve? – eu me sentei no sofá e fingi cara de brava. Ela começou a rir, deitando-se em cima de mim, com as pernas entrelaçadas nas minhas.

— Artista muito convencida por sinal... Mas sexo eu posso arrumar em outro lugar... Garanto que deve ter muitas mulheres por aí doidinhas pra me experimentar... – ela passou a língua nos lábios me provocando. Senti o ciúme me invadir, mas sabia que ela só queria ver minha reação, então respondi:

— Pode ser... Mas garanto que nenhuma delas vai te dar o prazer que eu te dou, minha loira. – passei os dedos pelos fios dourados do cabelo dela, acariciando de leve as suas bochechas.

— Humm... Tenho que admitir que ouw! Você me deu um enorme prazer ontem... – ela fez uma carinha fofa, com um sorriso satisfeito nos lábios, que eu rapidamente beijei.

            Depois disso tudo parecia ter voltado ao normal. Passamos uma boa parte do resto da tarde assistindo à televisão, juntinhas deitadas no sofá. Apesar da atitude intempestiva da loira, e de ela se recusar a aceitar o que parecia tão óbvio, estava muito claro o que estava acontecendo entre nós duas. E apesar das minhas enormes dúvidas e inseguranças, saber que ela havia escolhido ficar quando simplesmente podia ter ido mesmo embora me mostrava um pouco do que ela realmente queria. Anastácia parecia querer ir devagar, querer explorar um pouco mais daquela situação ao invés de mergulhar de cabeça, mas a vida às vezes não segue a nossa vontade. Ela simplesmente faz o que acha que é melhor e você muitas vezes fica completamente perdido e desprevenido. Como diz o ditado popular, é pego de calça curta.

            A campainha tocou e eu e a loira nos entreolhamos. Quem poderia ser? Só pensava em Karina, querendo que saíssemos pra jantar, querendo nos convidar para sair ou fofocar. Levantei-me do sofá, deixando-a ali ainda deitada, e fui abrir a porta. Qual não foi minha surpresa ao olhar pelo olho mágico e ver quem estava do outro lado. Será que eu devia falar alguma coisa? Certeza que a loira ia pirar, mas de nada ia adiantar meu aviso, só se ela se escondesse dentro do armário ou tentasse pular a janela. Esse pensamento me fez rir. Não era bem de uma namorada que ela estava fugindo, mas da minha...

— Surpresa! – a mulher mais velha que estava parada à porta logo que eu a abri me disse, com um sorriso aberto. Ela tinha os cabelos da cor dos meus, óculos de grau, e um pouco mais alta.

— Mãe? O que você está fazendo aqui? – perguntei um pouco nervosa, captando com minha visão periférica a loira dando um pulo do sofá, sentando-se, provavelmente com o coração aos pulos.

— Se minha filha desnaturada não me liga, eu tive que vir ver com meus próprios olhos que você está bem, inteira... – ela deu alguns passos em minha direção, segurando em ambos os meus ombros.

— Sempre exagerada... – revirei os olhos, fechando a porta atrás dela, enquanto ela continuava a falar.

— Seu pai veio para uma reunião ontem à noite e eu vim junto. Quase te visitamos ontem, mas já estava muito tarde e... – quando a ouvi parar de falar, rapidamente me virei e percebi que ela havia avistado Anastácia sentada no sofá. A loira continuava de costas, imóvel. — Não sabia que tinha visita, filha... – ela me olhou com um sorriso malicioso, e numa careta demonstrou sua aprovação.

— É... Eu tenho... – sorri sem graça, indo na frente, com minha mãe me seguindo até o meio da sala. A loira se levantou, ajeitando o short no corpo, lançando-me um olhar completamente desesperado. Eu quase comecei a rir, mas sabia que se o fizesse seria uma mulher morta e sem sexo de madrugada. — Mãe, essa é a Anastácia. Anastácia, essa é a minha mãe, Tatiana.

— Prazer, senhorita Anastácia. – minha mãe apertou sua mão.

— Prazer todo meu, senhora Tatiana. – ela sorriu sem graça.

— Pode me chamar de Tati. Agora entendo o porquê de ela ter sumido esse tempo todo... – ela deu uma risadinha e eu podia sentir o desconforto da loira de longe. — Mas me diga, como minha filha conseguiu laçar um partidaço como você?

— Mãe!!! – eu gritei, querendo me esconder debaixo da terra se possível. Anastácia abriu a boca diversas vezes, sem conseguir nada dizer, e eu sentia cada vez ficar mais e mais vermelha. — Pelo amor de Deus, assim ela vai embora e nunca mais volta!

— Ué, se ela vai ser da família, já precisa se acostumar... – minha mãe deu de ombros, e a loira arregalou os olhos, completamente surpresa. Eu comecei a rir de nervoso, querendo que as palavras da minha mãe se concretizassem, mas ao mesmo tempo querendo sumir de vergonha.

— Ana, desculpa minha mãe... Ela é louca assim mesmo... – eu mordisquei o lábio inferior, tentando me comunicar com Anastácia apenas pelo olhar. Eu realmente queria que ela ficasse, mas não queria que ficasse desconfortável. Ela me olhou por alguns segundos, suspirou e finalmente sorriu.

— Se eu te contar a cantada barata que ela me deu quando me conheceu, a senhora não vai acreditar! – a loira respondeu, fazendo um gesto com a mão, com um sorriso divertido nos lábios.


— Anastácia! – olhei pra ela com uma vontade gigantesca de esganá-la! Sério, você não conta essas coisas pra sua mãe! Naquele momento eu me lembrei como ela gostava de joguinhos e de provocações e quase que me arrependi de querer que ela ficasse. Eu estava sentindo que eu virar alvo de um complô das duas contra mim. Não que fosse algo ruim, especialmente por ela poder conhecer um pouco mais sobre a minha vida, só extremamente vergonhoso. 

Um comentário

  1. Ótima historia. Pena que a autora demora muito pra escrever as continuações.

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