História: Anastácia - Capítulo 08


Capítulo 08 - Medo do Perigo

       Enfim era sexta-feira, e eu mal podia me conter de ansiedade. Levantei cedo, fui para a faculdade, e não preciso nem dizer que quase não prestei atenção às aulas. Eu só conseguia imaginar como ia ser sair com Anastácia e com meus amigos para o mesmo lugar. Estava ansiosa se ela iria gostar do lugar, se ela iria se divertir. Depois do intervalo eu não aguentei mais. Peguei meu celular e mandei uma mensagem para ela: “Bom dia loira, muito trabalho hoje?” demorou um pouco para que ela respondesse, mas logo meu celular vibrou. “Sim, estou adiantando tudo para ficar livre à noite. A senhorita não deveria prestar atenção na aula?” Ah se ela soubesse onde estava minha cabeça naquele momento... “Deveria... Mas só consigo pensar em uma loira gostosa dançando e rebolando...” Mordi o lábio inferior, ansiosa pelo o que ela ia responder. A professora passou na lousa os itens que ela queria no trabalho, e eu fui obrigada a copiar. Alguns minutos depois voltei a olhar o celular. “Gostosa, é? Rebolando só se for nos seus dedos, Leo...” Rapidamente senti palpitações e meu rosto provavelmente ficou completamente vermelho naquele momento. “Ou na minha boca... ;) Que horas você vai passar lá em casa?” Dessa vez ela demorou a me responder, já estava na hora do almoço e eu já estava indo para o meu apartamento, quando recebi sua resposta. “Desculpa pela demora. Lá pelas 22h30. Te vejo lá, garota.”

            Quando cheguei ao apartamento esquentei um resto de torta de frango que eu tinha comprado e almocei em frente à televisão, tomando Coca-Cola. Estava passando um filme bem interessante e eu acabei assistindo, até que a campainha tocou. Fui correndo ir atender, era Karina, com um enorme sorriso no rosto.

— O que você aqui a essa hora da tarde, praga? – perguntei-lhe sorrindo assim que fechei a porta.

— Ah eu não queria atrasar, e pensei que podíamos usar a tarde pra conversar. – ela se jogou no sofá em que eu estava sentada minutos antes. — Está ansiosa?

— Muito! – sentei-me ao seu lado, mordiscando o lábio inferior. — Eu não sei o que ela vai achar da boate... De sair com a gente... Não sei se vai rolar de novo...

— Claro que vai! O clima de boate é perfeito pra sexo. – ela sorriu maliciosamente, piscando pra mim.

            Ficamos conversando uma boa parte da tarde, e quando estava anoitecendo começamos a nos arrumar. Tomei banho, lavei o cabelo, e voltei para o quarto para me trocar. Colocamos música alta no notebook, em sua maioria músicas das divas pops. Abri as portas do meu armário, completamente em dúvida do que vestir para aquela noite. Não sabia se usava uma calça, uma saia ou um vestido... Por fim, acabei escolhendo uma calça jeans escura justa, um cropped vermelho de crochê, de manags compridas, que estava na moda, e um salto alto. Enquanto eu passava creme no cabelo, para que as mechas ficassem mais onduladas do que o normal, Karina saia do banheiro só de lingerie. Começou a dançar pelo quarto ao som de Madonna, fazendo-me rir da sua performance de “Like a virgin”, como se ela fosse uma... Ela acabou escolhendo um vestido estilo tubinho preto, com um decote nas costas, e botas de salto pretas. Depois que nos arrumamos fui até a geladeira e coloquei um pouco de vinho para nós duas, em pequenas taças, e ficamos esperando pela nossa carona. Já havia se passado mais de quinze minutos do horário combinado e eu estava nervosa, andando de um lado para o outro no apartamento.

— E se ela não vier? E se ela mudou de ideia? – perguntei ansiosa pela décima vez.

— Sossega a periquita, Leona! Claro que ela vem. Você conhece o trânsito de São Paulo, ela só se atrasou... – a ruiva revirou os olhos, sentada no sofá, de braços cruzados.

— Eu sei, é que... – antes que eu terminasse minha fala, o interfone tocou. Era o porteiro, avisando que Anastácia havia chegado. Pedi para que ele a deixasse subir.

— Eu disse... – Karina balançou a cabeça negativamente, mas eu nem lhe dei atenção.

            Rapidamente encaminhei-me para a porta, abrindo-a, esperando ansiosa enquanto olhava para o hall do andar. Logo que a porta do elevador se abriu, Anastácia deu alguns passos para a direita, entrando em meu campo de visão. Ela estava linda! E por um segundo fiquei sem ar, quase me esquecendo de como se respira. Ela estava com uma calça justa preta, que torneava suas pernas e coxas, e com um sapato de salto também preto. Usava uma blusa da mesma cor mais soltinha, sem mangas. Um colar de várias voltas prateado, brincos de argola, e umas pulseiras pratas também. Seus cabelos loiros estavam soltos, agora lisos, e seus olhos cor de chocolate estavam emoldurados por lápis de olho preto. Ela estava muito gata! Fiquei parada ali observando-a por algum tempo, e como ela não se mexeu da onde estava, parece que estava fazendo o mesmo que eu. Ela sorriu, aproximando-se de mim, dando um beijo em meu rosto, bem próximo à minha boca.

— Você está linda, Leo... – ela sussurrou e eu sorri timidamente.

— Obrigada... E você está incrivelmente linda... – eu retribuí o elogio, afastando-me para que ela pudesse entrar. Tranquei a porta, e Karina rapidamente se levantou do sofá, com um sorriso e um olhar curioso no rosto.

— Finalmente vou conhecer a gostosa Anastácia? – ela sorriu e Anastácia olho-me de relance, com uma sobrancelha arqueada. Eu fiquei vermelha, e quase engasguei quando falei para a ruiva:

— Pelo amor de Deus, Karina, não me mata de vergonha!

— Querida, não precisa de tanto pudor, é só olhar pra ela... Se não fosse sua, eu até pegava. – ela piscou pra loira, que começou a rir. Eu particularmente adorava a risada dela, mas naquele momento eu só queria achar um lugar para enfiar minha cabeça de tanta vergonha.

— Se você for tão gostosa quanto a Leona, podemos até combinar de ficarmos as três... – ela piscou pra mim, passando a língua nos lábios, e novamente aquela indecisão entre sentir tesão, ciúme ou vergonha.

— Poutz! Agora eu entendi porque você se rendeu toda, amiga! – a ruiva começou a se abanar e rir, e eu finalmente me decidi: ciúmes. Aproximei-me da loira, colocando o braço em sua cintura, protetoramente.

— Karina, sua linda, se você não fosse minha amiga, eu já teria te matado... – eu sorri sem graça. Anastácia riu, parecendo se divertir com a cena. Minha amiga levantou os braços e balançou a cabeça, como se me dissesse que não era ameaça pra mim, mas eu ainda estava um pouquinho enciumada. A loira sorriu, passando o braço em volta da minha cintura, virando-me de frente pra ela, captando seu olhar no meu, e com um sorriso, ela me disse:

— Eu não preciso de mais ninguém além de você, Leo. – ela finalizou com um beijo em meus lábios.

— Ouw! Gente, eu estou aqui ainda! – a voz de Karina soou insistente depois de mais um beijo que nós demos, e eu a soltei a contragosto.

— Pode deixar, teremos a noite toda pra nos divertirmos... – Anastácia sorriu, descendo sua mão pelas minhas costas, apertando minha bunda por cima da calça. Eu ri timidamente, logo em seguida mordiscando meu lábio inferior.

— Então vamos porque o Marcelo já deve estar nos esperando. – eu comentei, tentando voltar a me concentrar, caminhando até a porta para que saíssemos logo.

            No carro eu me sentei no banco da frente, ao lado de Anastácia, e Karina atrás. Passamos para pegar o Marcelo, e ambos foram completamente animados conversando no banco de trás. Eu ia conversando com a loira, interando-a nas conversas, tentando fazer com que ela não se sentisse de fora. A boate ficava no centro da cidade, e gostávamos de lá porque tocava um pouco de tudo, mais puxado para o pop, e flashback. Ela deixou o carro no estacionamento mais perto e fomos para a festa. Enquanto não entrávamos, esperando na fila, Anastácia parecia curiosa, prestando atenção no que acontecia ao seu redor, e no público diferenciado que estava por ali. Várias mulheres com suas namoradas/parceiras, e vários homens juntos também. Os looks variavam desde muito bem vestidos a pessoas usando regata e shorts. Então Maria apareceu, um pouco tímida, de vestido preto e branco rodado, aproximando-se de mim. Levantei os braços, animada, abraçando-a. E então a apresentei para a loira.

— Anastácia, essa é uma amiga minha da faculdade, Maria. Maria, essa é a Anastácia... – eu mordisquei o lábio um pouco ansiosa, e a ruiva ao meu lado olhou para a loira de cima a baixo, sorrindo para ela.

— Então você é a famosa Anastácia... Prazer! – elas se cumprimentaram.

— Por que todo mundo me diz que sou famosa? O que você andou espalhando por aí, Leo? – ela perguntou arqueando uma sobrancelha.

— Eu? Ué, você que apareceu na minha faculdade pra me buscar, esqueceu? Várias pessoas me perguntaram sobre você...

            Apresentei Karina e Marcelo para minha colega da faculdade e todos nós começamos a conversar. Eu conversava animadamente, de vez em quando fazendo alguns comentários para a ruiva sobre a boate, algumas pessoas, e histórias engraçadas que já haviam acontecido conosco. De vez em quando eu olhava para Anastácia, que estava quieta no canto dela, apenas nos obsevando. Algumas moças passaram por nós, encarando a loira, dava para perceber o interesse delas, e aquilo me incomodou. Eu estava um pouco desconfortável, e de repente parei de prestar atenção na conversa, virando-me para a loira e observando-a. Ela sorria para mim de forma enigmática, e eu tentei voltar a conversar com Maria, de vez em quando levantando o braço querendo segurar na cintura da loira, mas no fim acabava desistindo, receosa do que Anastácia iria achar. Apesar de estarmos saindo juntas, ela não era nada minha, infelizmente, além de amiga, e estávamos em público. Estava tão feliz em estar ali com ela que eu não queria estragar aquele momento com alguma besteira. Eu tentava parecer que era quase sem querer, mas não estava conseguindo. De repente, senti a mão da loira na minha, segurando-a firme. Meu olhar cruzou com o dela, e ela piscou levemente pra mim. Eu estava tão feliz com aquele simples toque! E ela havia tomado a iniciativa, demostrando que estava tudo numa boa. Devolvi o sorriso, completamente satisfeita.

            Demorou um pouco para que finalmente entrássemos na festa, mas uma vez lá dentro, tudo começou a se desenrolar. Havia muita gente, e conforme o tempo passava, enchia ainda mais. Mas já estávamos acostumados com aquele ambiente. Fomos direto pegar uma bebida e depois resolvemos parar perto do DJ. Ficamos em uma roda, mexendo o corpo ao ritmo da música, tomando as bebidas e conversando. Eu observava Anastácia, ansiosa para saber se ela estava gostando, parecia que sim. Ela parecia mais relaxada, ria de algumas coisas que Karina falava. Eu sabia que devia ser diferente para ela estar naquele tipo de ambiente. Algumas pessoas a olhavam, mas ninguém chegou nela, especialmente porque eu me mantinha bem ao seu lado. Alguns caras que passavam paravam pra dançar junto com ela, fazendo-a girar e cantando as músicas a plenos pulmões. Eu ria, contente que ela parecesse estar se divertindo bastante.

Karina e Marcelo pareceram rapidamente se esquecer da gente e começaram a dançar e a beber, aproveitando o momento. Eu estava dividida entre fazer o mesmo e dar atenção a Anastácia. Eu queria aproveitar o momento com ela, e estava um pouco nervosa, pra ser sincera. Eu queria tomar a iniciativa, afinal eu a havia convidado, eu conhecia o local, era sua primeira vez ali... Mas eu tinha receio de fazer algo errado e perder a oportunidade. Tinha receio de que ela não gostasse de algum gesto, ou sei lá. Pode parecer loucura, ou uma insegurança enorme, mas depois de ter conseguido sair com uma mulher como ela, a gente acaba mesmo ficando cheio de dúvidas. De repente, quando começou uma das músicas, Anastácia abriu um enorme sorriso, manifestando-se ao meu lado, e rapidamente segurou em minha cintura, começando a dançar com o corpo bem próximo ao meu.

— Relaxa... – ela falou alto em meu ouvido, e eu balancei a cabeça afirmativamente, tentando ao máximo fazer o que ela havia falado.

            A partir desse momento, tudo pareceu acontecer com naturalidade. Anastácia pareceu se soltar também, dançando uma música após a outra, completamente animada e relaxada. Ela estava com o corpo bem próximo ao meu, dançando no mesmo ritmo que eu, aproveitando para passar as mãos pela minha cintura e pernas. Eu estava completamente louca com ela me provocando daquele jeito. Em um momento, quando fiquei de costas, ela segurou firme em minha cintura, encaixando-se em mim, enquanto rebolávamos ao som da música. Eu comecei a relaxar em seus braços, especialmente porque ela começou a beijar meu pescoço. Senti meu corpo se arrepiar inteiro, e eu estava completamente entregue a ela naquele momento. Naqueles tipos de boate não éramos o único casal gay, havia mais alguns perto da gente, pessoas dançando juntas, beijando-se, tocando-se... Por isso, ninguém estava prestando atenção na gente, julgando-nos ou nada desse tipo. Pela primeira vez estávamos em um lugar diferente sem ser na casa dela em que podíamos nos beijar e tocar sem olhares tortos. Em um momento fui buscar um drinque no bar para nós duas e resolvi ir lá pra fora, estava muito quente lá dentro. Anastácia me acompanhou, ao passarmos pela porta andamos um pouco e pareamos, ela se encostou à parede de pedra, enquanto eu parava em sua frente, para conversarmos.

— Está gostando? – eu perguntei, voltando a tomar mais um pouco do drinque de frutas com Martine que eu havia pegado.

— Muito, pra falar a verdade. Melhor do que eu esperava. – ela sorriu. — Fazia tempo que eu não dançava tanto assim, e eu amo dançar... – a loira confessou, mordiscando o lábio inferior.

— Arrasa, gata! – Marcelo se aproximou da gente, com Karina pendurada em seu pescoço, completamente bêbado. — Leona, querida, como você esconde uma mulher dessas da gente?

— Eu não escondi! – protestei, rindo. — Ela só não é exatamente do babado... – eu fiz uma careta e imediatamente ele se virou pra ela.

— Como assim não é do babado? – colocou as mãos na cintura afetadamente.

— Tu viu, viado? – a ruiva comentou, tomando mais um gole do copo que tinha em mãos. — Leo tá poderosa, conseguiu arrastar uma hetero pra cá.

— Assim que se fala, garota! – ele deu uma batidinha no meu ombro, e eu comecei a rir, já estava acostumada com o jeito escandaloso dele, e voltando-se para a loira de novo, continuou: — Ta certa, gata, o lado colorido da força é muito mais divertido. Anda com a gente que você vai adorar!

— Vocês viram a Maria? Não a vejo faz um tempo... – eu comentei intrigada, tentando tirar a atenção de nós duas.

— A última vez que vi ela tava lá no meio da galera dançando... Deve estar se divertindo, bem! – ele voltou a falar, quase sendo interrompido por Karina.

— Meu Deus, é minha música! Eu preciso dançar, vamos! – a ruiva saiu puxando o moreno pra dentro da boate de novo.

— Gostei deles. – ela comentou logo que eles saíram. — Vocês são todos muito divertidos.

— Lógico, são meus amigos, né loira? – eu pisquei pra ela, fazendo uma careta.

Ela revirou os olhos, virando a cabeça para o lado, e então percebi uma moça que olhava insistentemente para Anastácia, mesmo sabendo que eu estava com a loira. Ela não se aproximou, mas no momento em que percebeu que estávamos olhando pra ela, sorriu sedutoramente, arqueando uma sobrancelha. Que audácia daquela garota! Eu estava me mordendo de ciúmes naquele momento, e sabia que precisava tomar uma atitude. Anastácia voltou a olhar pra mim, como se me perguntasse apenas com o olha o que eu iria fazer. Não perdi tempo. Sorri para ela, sedutoramente, aproximando-me prensando meu corpo contra o seu, roubando um beijo, que foi ficando cada vez mais intenso e cheio de desejo. Coloquei uma de minhas mãos em sua cabeça, arranhando sua nuca, puxando seu cabelo de leve. Eu coloquei minha coxa entre as dela, fazendo uma leve pressão, e então sussurrei em seu ouvido:

— Você é minha, Ana. Mesmo que só por hoje... Você é. – eu voltei a beijar-lhe, sem dar tempo para protestar, sentindo-a se arrepiar e deixando-a sem fôlego.  

            Logo que nos afastamos começou outra música que Anastácia parecia gostar. Ela empurrou-me levemente para longe, afastando-se da parede, e andando de costas, começou a me chamar com os dedos, com um sorriso no rosto, mexendo os ombros no ritmo da música. Eu comecei a rir, achando engraçado e fofo seu jeito. Aproximei-me dela, segurando em suas mãos e a seguindo para dentro da boate novamente. Era uma daquelas músicas dos anos 2000, bem dançantes e animadas. Dessa vez ela começou a fazer caretas e a movimentar os braços e as mãos, em uma dança completamente maluca e inventada. Ela parecia uma adolescente, parecia estar se divertindo, e eu a achava ainda mais atraente e linda daquela forma. Adorava observá-la dançando, sorrindo, rindo... Eu a acompanhava, dançando, rindo dos seus movimentos e a imitando. Ficamos de costas uma pra outra remexendo e dançando no ritmo da música. Tocou umas duas ou três nesse mesmo estilo e então mudou para algo mais eletrônico. Ambas começamos a diminuir o ritmo ao mesmo tempo, enquanto as pessoas a nossa volta continuavam dançando, e nos encaramos. Eu segurei em suas mãos e ela segurou nas minhas, e ficamos sorrindo uma pra outra. Eu estava feliz, e sentia que Anastácia parecia sentir o mesmo, enquanto me olhava de um jeito bobo e fofo.

            Já era quase de manhã quando saímos da boate. Como ela havia bebido apenas no começo, estava bem para dirigir, apenas provavelmente cansada. Karina e Marcelo estavam praticamente desmaiados no banco de trás do seu carro. Ela deixou ambos na casa do Marcelo e pegou a avenida, indo para o meu apartamento. Eu estava levement alta pela bebida, e extremamente feliz, sentindo-me nas nuvens. Estava risonha e tagarela, contando piadas e rindo o tempo todo. Ela parou seu carro na garagem na vaga destinada ao meu apartamento, já que eu não tinha carro, e ela me ajudou a entrar em casa. Eu estava com os sapatos pendurados na mão esquerda, tentando achar a chave dentro da bolsa que eu levara. Logo quando entramos larguei os sapatos e a bolsa no chão e me jogou no sofá, morrendo de cansaço. Ela sentou-se ao meu lado e eu logo me ajeitei em seu colo.

— Ai, eu to cansada... – ela comentou, retirando os sapatos de salto. — Meus pés estão me matando!

— Eu também... Mas foi muito bom! – eu sorri novamente, olhando-a nos olhos.

— Foi sim, eu adorei ter saído com vocês. – ela comentou, e eu sorri, apesar de estar com a cabeça em outro lugar... Comecei a passar a mão pelas suas pernas, por cima da calça, com um sorriso safado no rosto, completamente excitada naquele momento. Ela rapidamente segurou minhas mãos, acabando com minha festa. — Nem vem, garota, se é isso que você quer, primeiro um banho. – ela fez uma careta.

— Você não pareceu reclamar quando eu te prensei na parede... – eu sorri maliciosamente e me virei em seu colo, ficando com o rosto perto da sua barriga. Levantei um pedaço da sua blusa e comecei a beijar sua pele, sentindo-a se arrepiar com meus toques e beijos.

— Oras, pra tomar um banho ali só se fosse de bebida, o que, aliás, tomamos... – ela sorriu para mim, parecendo gostar dos carinhos. Ela puxou meu cabelo de leve, obrigando-me a parar. — Depois de um banho eu deixo você fazer o que quiser... Mas só depois do banho. – ela me olhou intensamente e eu quase me derreti.

— Adoro, você toda gostosa no meu banheiro, um sonho se realizando! – eu disse animada e me levantei de um pulo.
           
            Apesar de o banho ter sido demorado, foi muito bom. Eu aproveitava Anastácia ali, completamente nua, para brincar com ela, fazê-la rir. O banheiro era pequeno, e eu ficava o tempo todo querendo trocar de lugar com ela para pegar o sabonete, o xampu, a bucha, cada hora era uma coisa. Trocávamos beijos e carícias, mas logo eu comecei a ensaboá-la, desenhando em sua pele com meus dedos por cima da espuma; ela me observava, divertida, certamente surpresa com minha... Infantilidade, eu diria. Mas eu não me importava, estava bem à vontade com ela ali. Quando terminamos, as duas devidamente limpas e cheirosas, enrolamo-nos em duas toalhas brancas e fomos para o meu quarto. Era simples, mas muito bonito e bem mobiliado. Uma cama de casal, uma cômoda com uma televisão em cima, uma escrivaninha, quadros nas paredes...

— Claro que meu quarto não é nada comparado ao seu, mas... – eu dei de ombros ao dizer, percebendo que ela estava parada ali, observando o cômodo.  

— Ele é perfeito. – ela sorriu em resposta. — Só falta uma coisa...

— O quê? – eu perguntei intrigada. O que mais aquela mulher queria? Ela sorriu largamente, dizendo apenas:

— Eu.
           
            Ela tirou a toalha que envolvia seu corpo e jogou-a em cima da cadeira da escravinha. Deitou-se em minha cama, de costas, esfregando-se em meu lençol, completamente nua. Eu admirava cada detalhe do seu corpo belo e esbelto, enquanto ela se remexia na cama, espreguiçando-se, esfregando-se em meus lençóis. Eu estava completamente embevecida naquela visão, sentindo como se estivesse em um dos meus sonhos. Como se aquilo fosse uma fantasia ou miragem. Então ela se deitou de bruços, com a cabeça no meu travesseiro, só esperando por mim. Não esperei por mais nada, tirei minha toalha, deixando-a ao lado da dela, e me aproximei, sentando-me na beirada da cama, deslizando os dedos vagarosamente pela linha das suas costas. Não dizíamos nada, era como se soubéssemos não serem precisas as palavras naquele momento. Ela sabia o quanto eu admirava meu corpo, não era algo apenas sexual, ia além. E ela sabia disso. Ela estava me deixando vê-la, admirá-la e observá-la o quanto eu quisesse. Eu a via como um quadro, uma imagem que eu queria ter pra sempre gravada em minha mente. Eu queria poder vê-la daquela forma todos os dias. Minhas mãos passaram pelos seus ombros, alisaram os fios loiros e macios de seu cabelo, depois voltaram para as costas, descendo até sua bunda. Finalmente após um tempo a admirando eu deitei na cama, com meu corpo junto ao seu, atrás dela, abraçando-me, e sussurrei em meu ouvido.

— Você é linda, Anastácia... – e beijando seu pescoço, eu continuei. — E toda minha... – senti-a estremecer em meus braços.

— Tem certeza, Leo...? – ela perguntou em um sussurro, e eu não hesitei ao responder, murmurando em seu ouvido.

— Uhum...

            E então tudo aconteceu como tinha que acontecer, de uma forma muito natural. Eu estava no controle, e Anastácia não brigou por ele, não tentou me satisfazer, não naquele momento. Ela apenas se entregou de corpo e alma para mim. Deixou-me conduzi-la, explorá-la co minhas mãos, tocando todo seu corpo. Eu a tocava os lugares certos, observando suas reações quando o fazia, misturando carinhos junto com mordidas e beijos ardentes. Ela continuou na mesma posição em que estava, e eu desci minha mão pela sua cintura, passando pela sua nádega e escorregando mais para baixo, entre suas pernas, tocando seu sexo de leve, estimulando-a. Eu me inclinei, mordendo suas costas, distribuindo beijos, enquanto meus dedos faziam leves movimentos de vai e vem. Ela arqueou as costas, empinando o bumbum, agarrando o lençol com as mãos, sentindo cada vez mais prazer. Meus dedos começaram a entrar mais rápido, fazendo-a gemer mais alto, deixando-me saber que eu estava fazendo certo. Eu estava adorando vê-la gemer daquela forma, entregando-se ao prazer que eu lhe proporcionava. Seu corpo estremecia inteiro, cada vez mais, ela estava quase em êxtase, quase no clímax, mas eu não queria que terminasse ainda. Então eu parei, e com certeza percebi seu corpo se tencionar, ela parecia irritada.

— Leona... – sua voz saiu rouca e baixa, demonstrando sua irritação. Mas eu não disse nada. Ela finalmente se virou de gente pra mim, com os olhos faiscando de raiva, apenas para encontrar um enorme sorriso e um profundo olhar em meu rosto.

— Você não manda em mim, Anastácia. – eu disse com voz firme. Ela deixou transparecer uma expressão de surpresa, e eu sorri ainda mais, havia conseguido o que queria. Ela estava com a respiração irregular. — E hoje... Eu mando em você. – eu me deitei ao seu lado, apoiando-me no cotovelo, e desci a outra mão rapidamente em seu sexo de novo.

— Está brincando comigo, não é, garota? – ela provocou, tentando tocar em meus seios, então eu parei de estimulá-la e segurei seu pulso, impedindo-a de fazer qualquer coisa. Ela parecia não ter entendido direito aquela brincadeira, então voltei a falar.

— Deixa eu terminar... – minha voz saiu mais baixa, mais como um pedido do que uma ordem. Ela pareceu finalmente entender e relaxar o corpo, desistindo do controle.

            Eu voltei a estimular seu sexo, enquanto beijava seu corpo, seus seios, dando leves lambidas e mordidinhas, e a combinação daquilo tudo estava a enlouquecendo. Ela voltou a gemer, contorcendo-se na cama, agarrada aos lençóis, às vezes arranhando o meu corpo. E eu estava completamente entregue àquele momento. Estava sendo extremamente prazeroso para mim saber que eu estava dando-lhe tanto prazer. Eu intensifiquei os movimentos dos meus dedos, sentindo-a se contorcer cada vez mais, seus gemidos aumentando, sua respiração falha... Sem conseguir aguentar mais finalmente ela atingiu o ápice, o orgasmo, sentindo seu corpo todo estremecer e contorcer. Ela tinha um sorriso no rosto completamente satisfeito quando me olhou, e seus olhos castanhos brilhavam. Eu a observava maravilhada, sorrindo. Eu retirei os dedos de dentro dela, passando-os levemente pelo meu sexo, ainda sensível, fazendo-a rir, e então os levei à boca. Ela estremeceu novamente; ela havia feito o mesmo comigo, e eu queria que ela soubesse o quão sexy era assistir àquilo.

— Você não tem medo do perigo, Leo? – ela me provocou, com um sorriso nos lábios, quando eu me deitei ao seu lado, passando minha mão pela sua cintura.

— Eu só queria te ver gozar, loira. Você fica com uma expressão deliciosa no rosto, sabia? – eu comecei a rir, pegando-a desprevenida, e ela pareceu ficar vermelha e sem graça.

— Isso não vale... Eu também quero te tocar, te ver gozar... – ela fez um bico fofo com os lábios, encostando o nariz em minha bochecha.

— Mas vai ter muito tempo pra você fazer isso, prometo... – eu respondi, aninhando-me em seu corpo, entrelaçando nossas pernas. — Estou com sono... Mas não quero dormir... Não quero acordar e ver que é tudo um sonho... – eu disse baixinho.

— Não é um sonho... Quando você acordar eu ainda vou estar aqui... A não ser que você tenha uma namorada ciumenta da qual eu precise me esconder... – eu comecei a rir, lembrando-me de quando havia dito algo parecido para ela no dia em que nos conhecemos.

— Não, não... No momento eu só tenho você...


            Eu fechei os olhos, completamente feliz e totalmente relaxada. Tudo aquilo ainda parecia um sonho, uma fantasia que eu tinha, e eu estava morrendo de medo de que tudo acabasse tão rapidamente quanto começara. Ter Anastácia em minha cama, em meus braços daquela forma, somente me mostrava que eu estava certa, que tínhamos alguma coisa diferente. Eu podia ver como ela confiava em mim, que ela deixava que eu lhe desse prazer, ela cedia o controle naquele momento. Eu queria cuidar dela, fazê-la feliz, fazê-la rir e sentir-se amada. Dar-lhe carinho. Apesar de todos aqueles pensamentos, o cansaço estava vencendo, e antes de adormecer, senti seus braços em volta do meu corpo, e seu rosto perto do meu. Sorri instantaneamente, quase dormindo. Eu estava um pouco receosa do que Anastácia estava sentindo, mas eu esperava com todas as forças que ela estivesse sentindo o mesmo que eu. E que quisesse a mesma coisa que eu queria. Finalmente o sono me pegou e eu adormeci. 

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