História - Anastácia: Capítulo 04


Capítulo 04 – Sexo Sem Compromisso

             Eu me sentia como se estivesse dentro de um sonho e não queria acordar. Tinha medo de que a qualquer momento a ilusão se desfizesse e eu me visse em meu apartamento sonhando acordada. Mas para a minha sorte, ou azar, tudo aquilo era bem real. Anastácia estava de carro e eu fiquei boquiaberta quando paramos em frente a uma Mercedes-Benz conversível prateada que estava num estacionamento. Era um carro lindo, e com certeza combinava com ela.

— Não tem medo de roubo não? – perguntei surpresa.

— Eu gosto de viver perigosamente. – ela me lançou um sorriso maroto e entramos no carro. Ligou o rádio logo em seguida, sintonizando em uma música animada.

            A viagem até a casa dela foi um pouco demorada devido ao trânsito de São Paulo, mas não me importava naquele momento. Eu estava naquele carro ao lado daquela loira, e isso era o mais importante. De vez em quando eu a observava com o canto dos olhos, e percebia que ela sorria quando sentia que eu a estava olhando. Ia observando os prédios e ruas da cidade, sentindo o vento em meu rosto, meus cabelos... E eu só conseguia pensar em como tudo aquilo havia acontecido em tão pouco tempo. Sempre tive tanto medo de que aquela cidade não fosse exatamente tudo o que eu sonhara, tudo o que eu sempre quisera... E lá estava eu, surpreendida de que havia ganhado muito mais do que eu desejara.

            Quando ela entrou na região de Pinheiros descobri o porquê eu a havia visto naquela noite perto da boate. Ela morava por ali. Da avenida em que estávamos ela virou à direita e andou mais algumas ruas, até virar novamente, mas dessa vez para a esquerda, e girar a Mercedes em direção à garagem de uma casa. Por fora parecia uma daquelas casas de catálogo de revistas. Dois andares, toda pintada de branco, com alguns detalhes em vermelho, sacadas nas janelas do andar de cima, e um jardim enorme na frente. Descemos na garagem e ela fez questão de que entrássemos pela frente da casa. Eu a seguia com um nervosismo aparente no rosto. Logo que eu pisei naquela casa, meu queixo caiu. Realmente, era enorme! Havia um hall de entrada, com um lustre enorme. Pude visualizar uma sala do lado esquerdo, do lado direito deveria ser uma copa, pela parte da mesa que pude visualizar, e ao fundo havia uma porta e do outro lado, uma enorme escada.

            Mas é claro que ela não perdeu tempo em me mostrar a casa. Rapidamente segurou em minha mão e me guiou até a escada, dizendo que depois teríamos tempo de sobra para aquilo. Eu nada disse, ainda muito surpresa com tudo aquilo. A escada dava em um corredor, uma sala ampla e quatro portas. Havia um banheiro enorme, algo que pareciam ser dois quartos, e a última em que paramos em frente. O quarto de Anastácia. Ela abriu a porta e entramos. Era um quarto bonito, mas diferente do que eu imaginara. As paredes eram em um tom champagne e tinha vários quadros pendurados. Uma cama king size ao centro, com mesinhas de cabeceira uma de cada lado. Um armário do lado direito ao lado de uma porta, provavelmente seu closet. Do outro lado uma escrivaninha e uma penteadeira, com espelhos e muitos acessórios em cima. Havia uma vela em cima da penteadeira, que deixava o quarto com um aroma delicioso.

— Gostou do meu quarto? – só então me dei conta que estivera tempo demais observando o local ao meu redor. Anastácia estava parada perto da cama, com os braços cruzados em frente ao peito. Não sabia se ela estava levemente irritada ou um pouco surpresa por eu estar reparando.

— Sim... É lindo! – comentei e logo voltei a me focar no que era importante. — Mas não tão lindo quanto você. – sorri abertamente.

— Obrigada... – ela sorriu.

Sem cerimônia nenhuma desceu as mangas do vestido pelos ombros, despindo-se lentamente. O vestido desceu pelo seu corpo e ficou ao chão, e então ela simplesmente tirou os pés de dentro dele e o chutou para o lado. Por alguns segundos eu fiquei admirando-a. Ela tinha o corpo extremamente lindo. Usava uma lingerie vermelha por baixo dele, rendada. Tinha os seios fartos e uma barriga bem definida, as coxas grossas e pernas bem torneadas. Ainda usava a sandália de salto. Ela mordiscou o lábio inferior e me olhava com desejo. Eu fiz menção de me aproximar, mas ela mexeu a cabeça negativamente, ainda sorrindo.

— Nada disso, senhorita. Sua vez.

            Eu engoli em seco, um pouco insegura em fazer aquilo com ela me analisando daquela forma. Mas quem era eu para dizer não para aquela mulher? Retirei minha blusa, jogando-a no chão. Apoiei-me na parede para tirar as sandálias, e depois abri os botões da calça jeans e a deslizei pelas pernas, fazendo com que caísse ao chão também. Eu estava apenas de calcinha e sutiã, pretos. Mas Anastácia me olhava, observava, e parecia gostar do que via. Mas sendo direta do jeito que ela era, não esperou por preliminares e muito menos pela cama ao seu lado. Encurtou a distância entre nós duas e me empurrou levemente até a parede atrás de mim, perto da porta do closet. A proximidade daquele corpo no meu me fez estremecer. Ela colocou a coxa entre as minhas e aproximou o rosto do meu, respirando em meu pescoço.

— Humm não imaginava que tinha um corpo tão bonito... – ela disse em uma voz rouca, mordiscando a pele de meu pescoço.

— O-obri-gada. – consegui dizer ofegante, passando minhas mãos por suas costas, arranhando levemente.

— O que você quer... Leona? – ela disse baixinho, sentindo meu corpo inteiro arrepiar. Desceu as mãos e arranhou minhas coxas. Mordeu meu queixo, voltando a me olhar nos olhos. — Eu quero que me diga... – seus olhos faiscaram. Ela parecia gostar de dar prazer aos outros, isso eu pude perceber. Eu queria responder, mas as palavras não saíam, apenas pequenos gemidos por entre meus lábios. Ela apertou sua coxa entre as minhas, e voltou a ordenar. — Diga.

— Eu quero que você me coma. – eu a encarei e ela abriu um sorriso safado, com os olhos brilhando de desejo.

Rapidamente seus lábios colaram aos meus e beijou-me intensamente. Suas mãos agilmente desceram a calcinha que eu usava, enquanto ela se ajoelhava à minha frente. Ela mordia meus quadris, o começo das minhas coxas, e me provocava passando a boca perto do meu sexo. Eu estava enlouquecendo com aquilo e já não segurava mais os gemidos, que ficavam cada vez mais altos. Finalmente ela fez o que eu queria, e nas vezes em que eu abria os olhos ela estava lá, observando-me contorcer de prazer com o sexo em sua boca. Passei a mão em seus cabelos loiros e deixei que meus dedos segurassem com força em alguns fios, dando leves puxões quando eu não conseguia mais aguentar. Meu corpo todo começou a tremer, e eu finalmente gozei. Eu estava em êxtase, com um sorriso de orelha a orelha, quando ela se levantou e encostou seu corpo ao meu. Roçou seus lábios nos meus, beijando-me levemente.

— E não é que eu gostei... – ela sorriu encostando a testa na minha. — Você realmente é uma delícia...

— Eu sabia que ia gostar... – sorri de volta, mas no momento em que minhas mãos voltaram a passear atrevidas por seu corpo, as suas fizeram o mesmo, e logo seus dedos estavam acariciando meu sexo.

— Lembra que eu te disse que não imaginava o que meus dedos podiam fazer...? – ela perguntou, enquanto mordia do meu ombro até meu pescoço.

— Uhum...

— Agora você vai sentir... – ela virou-me de costas e eu soltei um grunhido irritado, apoiando minhas mãos espalmadas na parede.

            Não houve tempo para outros protestos, ela voltou a colar seu corpo ao meu, esfregando-se, beijando meu pescoço, meus ombros, minha nuca e o começo das minhas costas, enquanto sua mão voltou a se instalar entre minhas pernas. Ela estimulava meu sexo e introduzia os dedos levemente. Como ela podia sequer imaginar que aquele tipo de posição me deixava completamente doida? Eu já não conseguia mais pensar, apenas gemer, remexer, rebolar contra seu corpo e sentir prazer. Ela parecia estar adorando cada parte daquilo e novamente, em investidas rápidas, fez com que eu atingisse o orgasmo e gozasse mais uma vez. Retirou os dedos molhados de dentro de mim, e com a outra mão enrolou meu cabelo, puxando-o para que eu pendesse a cabeça para trás. Olhando para mim, com a certeza de que eu a observava, ela lambeu os dedos vagarosamente. Senti meu corpo estremecer novamente. Ela sorriu e deixou que eu me virasse de frente para ela. Estava satisfeita de ter me mostrado que realmente era exatamente aquilo que eu esperava e mais. O que ela não esperava era que eu fosse retribuir.

— Minha vez... – eu respondi com um beijo e segurei em sua mão, puxando-a até a cama.

— O que você quer provar, garota? Já não lhe dei o que queria? – ela perguntou debochada.

— Sim, mas eu ainda não dei o que você quer... – sorri maliciosamente. Seu olhar de deboche só me deixava ainda mais determinada a mostrar pra ela minhas habilidades.

— E o que eu quero? – ela me desafiou, arqueando uma sobrancelha.

            Ela sentou-se na cama e eu me ajoelhei entre suas pernas. Ela ainda parecia não acreditar no meu potencial. Passou as mãos pelo meu cabelo, deixando seus dedos se entrelaçarem em meus cachos. Eu puxei sua calcinha, fazendo-a deslizar por suas pernas e a joguei longe. Arranhava suas coxas, abrindo-as levemente, abaixando-me um pouco, e olhando em seus olhos, com o sorriso mais malicioso que consegui, respondi:

— Receber o mesmo prazer que você dá. – e sem deixar que ela retrucasse, rapidamente encaixei minha boca em seu sexo.

            Experimentei o que eu estava louca de vontade de experimentar, e ela era exatamente como eu havia pensado: gostosa. Deixei que minha língua explorasse seu sexo, fazendo-a começar a gemer baixinho, até que aos poucos começou a realmente sentir prazer. Sentia isso pelos puxões que dava em meus cabelos, e apesar de ameaçar descer o corpo no colchão, ela mantinha-se firme ali, onde podia continuar me observando devorá-la. Quando percebi que ela estava chegando ao clímax, eu parei, mordiscando sua coxa. Recebi um puxão nos cabelos que me fez olhar pra ela.

— Não para... – disse ofegante com os olhos escurecidos.

— O que você quer? – foi a minha vez de perguntar. — Eu quero que me diga. Peça. – ela pareceu hesitar um pouco, mas por fim, sorriu e sussurrou:

— Me faz gozar...

            Não precisou pedir duas vezes. Voltei a chupá-la com vontade, mas dessa vez introduzi dois dedos em seu sexo ao mesmo tempo em que a devorava. Sem conseguir parar de se contorcer, ela finalmente se deitou no colchão, rebolando em minha boca. E eu continuei, até ela explodir em um orgasmo e finalmente gozar. Seu corpo ficou parado, enquanto ela estremecia de vez em quando, completamente ofegante. Deitei-me ao seu lado, passando minhas mãos lentamente por seu corpo suado. Eu observava seu rosto e ela parecia completamente em êxtase, com um sorriso no rosto. Virou-se para mim, olhando em meus olhos, e por um momento toda sua postura de durona pareceu desaparecer. As linhas do seu rosto diminuíram, ela parecia relaxada. Ela levou sua mão até meu rosto, acariciando minha bochecha. Passou os dedos pelos meus lábios então sua mão segurou em minha nuca, puxando-me para um beijo.

— Você... Acertou... – ela admitiu.

— Acertei, é? – sorri satisfeita. — Não teria como errar... Com uma modelo tão sexy e bela como você. – ela ronronou com meus elogios, fechando os olhos.

— Sabe o que eu costumo fazer agora? – ela me perguntou, abrindo os olhos e me encarando. Sentou-se na cama, e eu fiz o mesmo. Balancei a cabeça negativamente, e ela continuou. — Mando a pessoa ir embora, já que cada um teve o que queria, e durmo sozinha. – vislumbrei uma sombra de tristeza em seus olhos. Certamente tinha tocado sem querer em um ponto fraco dela.
           
— Você não vai dormir sozinha hoje. Vai dormir comigo. – sorri em resposta.

— Eu não perguntei se você queria ficar, apenas lhe contei um fato... – ela sorriu, voltando à sua postura habitual.

— Mas eu vou ficar. Fora que ainda não é hora de dormir... – aproximei o rosto do dela, encostando a testa na dela, sussurrando: — Eu quero experimentar mais de você, Anastácia. – ela fechou os olhos, e eu continuei: — Você é linda, extremamente linda, e a mulher mais gostosa que eu já vi... – ela sorriu instantaneamente. — Eu quero você.

— Eu sou sua... – ela confessou baixinho, voltando a deitar na cama, com um sorriso nos lábios.

            Nós ficamos por mais um bom tempo ali, e o tempo parecia ter parado. Nada mais existia para mim, a não ser Anastácia. Fiz todas as vontades dela, e ela continuou fazendo as minhas, entre toques, beijos e mordidas. Quando não aguentávamos mais e o cansaço nos consumiu, adormecemos juntas em sua cama. Dormi por um bom tempo, e quando acordei, não fazia ideia de que horas eram. Por causa das pesadas cortinas do quarto, não dava para ver se era muito cedo ou muito tarde. Olhei para o lado e Anastácia estava recostada na cama, com o lençol cobrindo partes do seu corpo. Ela parecia com o olhar perdido, devia estar completamente imersa em seus próprios pensamentos. Os meus? Que a qualquer momento eu ia acordar daquele sonho. Mas o que estava me incomodando e que provavelmente incomodara a noite toda fora o fato de que pra ela aquilo era para ser apenas mais um caso... Sem significado... O que foi confirmado quando ela percebeu que eu estava acordada e seus olhos cruzaram com os meus.

— Eu devia ter te mandado embora. – apesar do que disse, ela sorria.

— E perder o melhor sexo da sua vida? Nah... – dei de ombros, fazendo-a rir.

— Hm tenho que concordar que foi muito bom mesmo, sabe bem o que faz. – ela virou-se de lado, descendo um pouco na cama para poder ficar com os olhos na mesma altura dos meus.

— Claro que sei! – sorri e passei os dedos carinhosamente pelo seu rosto, desenhando seu queixo com o indicador. Ela suspirou, fechou os olhos momentaneamente e voltou a abri-los. Parecia quase vulnerável... Quase. Ela rapidamente segurou em meu queixo com força, fazendo-me olhá-la nos olhos.

— Leona, Leona... – ela mordiscou o lábio e eu estremeci. — Você... Você não faz ideia... Eu acho que você devia ir embora. – ela finalizou, com um sorriso ameaçador no rosto. Se eu estava receosa? Sim. Com medo do que aquilo poderia significar? Com certeza. Mas depois da noite que tivemos ali, eu não poderia ir embora. Sentia que não deveria ir.

— Eu não vou. – encarei-a séria. Ela riu baixinho, balançando a cabeça.

— Isso não passou de apenas uma noite... Sexo sem compromisso... Assim como com todos os homens que já passaram pela minha cama. – ela disse sem cerimônia enquanto me observava. E riu divertida quando percebeu o ciúme crescendo em meus olhos. Virei a cabeça para que ela me soltasse.

— Pode até ser... – eu me ajeitei, sentando-me enquanto ainda a observava, dando de ombros. — Mas nenhum deles a fez se sentir assim... Eu sei, não adianta negar. – ela tinha um sorriso congelado no rosto.

— O quanto você aguenta? – ela me perguntou, e eu sabia que ela queria dizer muita coisa por detrás dessa simples pergunta.

— Mais do que você imagina. – respondi em um sorriso. E para cortar o clima pesado que havia se instalado, continuei: — Mas se é apenas sexo sem compromisso... Por que estamos perdendo toda a diversão? – voltei a me deitar ao lado dela.

— Tem razão... Ainda quero me divertir muito com você, garota. – ela enfatizou a última palavra, me fazendo rir, enquanto voltava a me beijar e acariciar. Ela estava me avisando muito bem das profundezas em que eu estava entrando, e parte de mim queria realmente ir embora e voltar para a minha vida que estava apenas começando. Mas a outra parte queria ficar e se aprofundar cada vez mais em Anastácia. Não preciso dizer qual das duas eu quis ouvir, não é mesmo?

Um comentário

  1. Aiii, aii aii! Algo me diz que Leo ainda vai quebrar um pouco a cara antes das coisas se acertarem! :O Espero que ela consiga fazer a cabeça da Anastácia rsrs, só mais um pouquinho e acho que ela consegue :P ...ou não rsrs, porque essa mulher parece difícil! Ai meu Deus :OOOO kkkkkk ótimo capítulo!

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