História - Anastácia: capítulo 01


História – Anastácia

Sinopse: Em seu primeiro final de semana em São Paulo, Leona saiu para se divertir, e jamais imaginou que uma cantada tão descarada pudesse chamar a atenção de uma mulher como aquela: mais velha, desafiadora e intimidadora. Anastácia era seu nome. Completamente fascinada, sempre acreditou estar no controle da situação, até aquele jogo de amor virar-se contra ela e fazê-la se perguntar até que ponto valeria a pena...

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Capítulo 01

— Eu posso ser a melhor coisa que te acontecerá esta noite. – eu sorri, colocando minhas mãos em cima do balcão do bar, olhando atentamente para a loira à minha frente. Ela virou lentamente a cabeça, com um sorriso divertido nos lábios vermelhos. Colocou o copo de bebida que segurava em cima do balcão, virou-se levemente para mim, e repentinamente colocou a mão esquerda em minha coxa, aproximando o rosto do meu. Aqueles olhos castanhos me observavam, quando ela sussurrou:

— Não, garota, eu serei a melhor coisa que te acontecerá esta noite. – ela levantou uma sobrancelha. Aquela voz... Sedutoramente segura, rouca... Deixou-me completamente louca.

— Meu Deus... Que voz! Tive um orgasmo agora! – fiz cara de alívio, e a loira gargalhou. Tomou mais um gole da sua bebida e voltou a olhar pra mim, e eu não conseguia tirar os olhos daquele rosto. Cabelos compridos, loiros, ondulados... Ela sorriu e respondeu:

— Imagina então o que meus dedos não podem fazer... – ela passou a língua pelos lábios vermelhos e eu cheguei a estremecer.

— Agora fudeu! Gozei! – soltei imediatamente. Ela voltou a gargalhar, e eu confesso que tinha ficado gamada na risada daquela mulher.

— Gostei de você. É divertida. – disse, virando-se para mim completamente. Ela usava um vestido preto, de alças, curto acima do joelho. Estava com as pernas cruzadas, e que pernas! Recostou-se no balcão. — Prazer, Anastácia.

— Leona. E o prazer é toooodo meu... – dei uma risada.

— Não acha que é muito nova para cantar mulheres como eu?

Ela parecia bem desafiadora e intimidadora, isso eu tenho que admitir. Olhei novamente para ela, de cima a baixo, e só uma palavra vinha em minha mente: gostosa. Era uma mulher madura, se eu tivesse que chutar, diria que tinha mais de 30. Era linda, muito linda. Sinceramente, quando me sentei ao lado dela naquela noite, eu jamais imaginei que ela me daria bola. Achei que iria me ignorar, como outras já fizeram.

— Não, não acho. Sou velha o suficiente para saber bem do que gosto. – eu disse com firmeza.

— Infelizmente, para você, eu também sei muito bem do que eu gosto... – ela balançou a cabeça levemente, claramente indicando de que não era a fim de garotas. Apesar de já esperar por essa, eu insisti.

— Tem certeza? Já experimentou uma? – tomei um gole da batida que eu havia pedido.

— Ainda não, mas até que tenho curiosidade... – ela jogou a informação, certeza que era só para saber se eu ia cair. E eu caí, óbvio.

— Ficarei lisonjeada em ser sua cobaia.

— Quem sabe... – ela virou-se novamente para a frente do bar, tomando o resto da sua bebida. Parecia querer encerrar a conversa, e eu não podia deixar isso acontecer.

— Me desculpa, eu aqui, dando em cima de você, e nem perguntei se está disponível...

— Que pena, estava indo tão bem... Caiu no meu conceito. – ela fez uma careta, e eu rapidamente me corrigi.

— Vou reformular: eu quis saber se existe um namorado briguento do qual eu preciso me defender, ou de um marido ciumento do qual eu preciso correr.

— Ah, agora sim! – ela voltou a rir. Eu estava adorando fazê-la rir. — E não, nem um, nem outro. Já houve maridos, mas não mais.

— Opa, estou no lucro, então!

— Só faltou uma coisa. – ela se levantou, e eu tinha quase certeza de que ia conseguir me dar bem naquela noite.

— O que? – perguntei engolindo em seco.

— Me perguntar se eu quero sair com você. – ela me deu as costas e saiu andando. Poutz! Era como se uma pedra tivesse me atingido! Que burra, eu! Levantei logo atrás e em poucos passos segurei em seu braço.

— Ei! Espera! – ela parou e olhou para mim intensamente. Já disse como sou fascinada por olhos castanhos? — Sabe por que eu não perguntei?

— Por quê?

— Porque eu não quero apenas sair com você. Eu quero conhecer você.

            Por alguns segundos, aqueles olhos me encararam. Era como se ela estivesse decidindo o que fazer após minha resposta inesperada. Por fim, ela sorriu, e então eu tive certeza de que conseguira. Ela pegou uma caneta da sua bolsa, dessas bolsas grandes que mulheres usam, preta assim como o vestido, e pegou em minha mão. Escreveu o número de celular dela e então acariciou a palma da minha mão com os dedos.

— Me liga. – ela disse apenas, aproximando seu rosto do meu, quase me dando um beijo no rosto. Pude sentir seu perfume, parecia de flores... Delicioso. Mas ela se afastou, piscando pra mim, enquanto saia porta afora. E eu fiquei ali, parada no meio do bar, com uma cara de babaca apaixonada.

            E foi assim que eu conheci Anastácia. Aquela noite naquele bar fora meu primeiro final de semana morando em São Paulo. Eu jamais, em toda a minha vida, imaginei que pudesse interessar a alguém em tão pouco tempo. Principalmente alguém como ela. Já tive namoradas e relacionamentos sérios, que não deram certo, me trouxeram muita dor de cabeça, mas me fizeram crescer. Tive alguns rolos também... Mas nada que me fizesse enlouquecer... Até agora. Ela já havia ido embora, mas era como se eu a sentisse ali ainda. Eu estava completamente fascinada e tive que me conter para não ligar para ela naquele mesmo instante. Por mais que eu quisesse, sabia que deveria esperar um pouco, mas não demais, senão nem ia lembrar-se mais de mim.

            Terminei a minha bebida e sinceramente não via mais graça de ficar naquele bar. Eu estava na rua Augusta, local sempre cheio, lotado de bares em cada esquina. E exatamente por isso havia muitos táxis passando por ali. Eu estava esperando por um quando ouvi dizerem meu nome e rapidamente me virei.

— Não acredito que você saiu da toca e não me avisou! – sorri revirando os olhos ao ver meu amigo se aproximar.

— Que dramático! Fora que eu mal cheguei à cidade... – comentei, dando um abraço em Bruno. Ele era mais alto do que eu alguns centímetros, tinha um corpo cheinho, cabelo arrepiado, olhos negros e um gingado que meu Deus!

— Exatamente. E nem saímos ainda. Não me diga que vai embora? – ele cruzou os braços de maneira afetada e passou a língua nos dentes, com cara de poucos amigos, o que me fez rir.

— Eu ia... É que depois do que me aconteceu hoje estou extasiada demais para enfrentar uma noitada...

— Como assim? Aconteceu algo e a senhorita ia embora sem me contar? – ele colocou a mão no peito, como se tivesse tendo um ataque cardíaco. Dramático que só ele!

— Eu ia te contar... Depois... – mas como ele continuava com um ar indignado, resolvi ceder. — Okay, okay, eu fico. Mas vamos para algum barzinho porque quero conversar, não estou no clima pra dançar.

— Você? Sem clima pra dançar? – ele arregalou os olhos. — Quero saber quem é o rabo de saia da vez. – ele me deu o braço, no qual eu segurei.

            Andamos por uns dois quarteirões e entramos em um bar de esquina. Havia dois pisos, eles vendiam porções e aperitivos além das bebidas. Apesar de cheio, achamos uma mesa no segundo andar, ao lado da janela. Eu conhecia Bruno há alguns anos. Esbarramos-nos em uma das minhas idas a São Paulo, numa dessas festas de boates. A química foi instantânea. Nas próximas vezes que viajei nos encontramos, e desde então viramos amigos. Ele foi um dos primeiros a comemorar quando eu disse que ia me mudar. Eu já havia lhe contado sobre meus casos e relacionamentos antigos. Ele não era exatamente meu melhor amigo, daqueles que você chora no ombro, mas sim daqueles que falam as verdades na sua cara, e adoram falar de sexo e dançar até o dia amanhecer. Eu adorava sua companhia e geralmente podia falar sem rodeios o que eu achava ou estava sentindo.

            Contei-lhe rapidamente sobre como conhecera Anastacia mais cedo naquela noite, enquanto bebíamos uma cerveja e comíamos uma porção de fritas com bacon. Ele me olhava admirado, prestando uma enorme atenção enquanto eu contava com detalhes o meu primeiro diálogo com ela.

— Menina! Não acredito que falou uma coisa dessas pra ela! Sua safada!

— Você me conhece, Bru! Toda vez que fico nervosa eu falo merda e acabo perdendo o controle. – comecei a rir. — Não era minha intenção... Eu iria falar algo legal e gentil, encantador...

— Sei... – ele me olhou desconfiado.

— É sério! Mas ela não me olhava, parecia que ela não me via ali. E você sabe como eu odeio ser ignorada... Então me surgiu isso e eu falei. A minha sorte é que ela estava sozinha e pareceu gostar...

— Ah isso é! Se tivesse um marido por perto, você estava é morta! – ele começou a rir.

— Mas ela me disse que não tinha ninguém. E ainda por cima me deu o número dela...

— Jura? – agora ele ficou surpreso de verdade.

— Sim... – sorri abertamente e dei um leve suspiro, tomando um gole da minha cerveja.

— Ai, ai ai, ai ai! – ele balançou a cabeça negativamente. — Leona, seja realista. Você acabou de conhecer essa mulher...

— E daí? – dei de ombros.

— E daí que ela provavelmente não vai nem se lembrar de você amanhã... E daí que já está suspirando aí toda fascinada por ela...

— Ah, Bruno, você me conhece... Não posso evitar... – sorri de novo. — E outra. Eu tenho certeza de que ela vai lembrar sim da mulher do orgasmo.

— Correção: garota.

— Não sou tão nova assim. – revirei os olhos. — Maldita mania de ficarem me chamando de garota. Farei 26 em breve, sabe disso. – bufei, mordendo uma batata.

— Mas mesmo assim... Pra ela, você é.

            Depois disso Bruno começou outro assunto, comentando sobre o novo projeto de design em que ele estava trabalhando. Ele estava no penúltimo ano da faculdade de Design e por isso tinha vários trabalhos para fazer. Eu cursava Artes, faltava também apenas um ano para eu me formar. Transferi meu curso para uma das melhores faculdades de São Paulo, mas estávamos no começo de julho e as aulas só começariam em agosto. Dentre tudo que aprendíamos em Artes, basicamente a minha grande paixão era a pintura. Sim, sou pintora. Vivo desenhando e pintando telas. Isso já deve explicar um pouco do por que eu ter me fascinado tanto por aquela mulher. Em minha mente já me imaginei pintando-a... De todas as formas. Ela era linda, e ficaria ainda mais em um quadro.

            Ficamos até umas duas horas da manhã conversando e então eu finalmente fui embora. Peguei um táxi direto para o meu apartamento. Era um lugar simples, ainda que muito bonito e bem decorado. Dois quartos, uma sala, um banheiro, cozinha... E uma pequena área de serviço. Fui direto para o quarto e deixei minhas coisas em uma poltrona, jogando-me na cama. Apesar de uma vozinha dentro da minha cabeça me dizer para não fazer aquilo, rapidamente procurei o nome dela na agenda do meu celular e mandei uma mensagem. “Só para não se esquecer da garota que conheceu hoje... Beijos, Leo.” Sorri para mim mesma, deixando o celular na cama e fui trocar de roupa.

Quando já estava de volta, me enfiando embaixo das cobertas, percebi que havia uma nova mensagem. “Como esquecer alguém que sentiu tanto prazer só com meu toque?” Foi a resposta que recebi em troca. Senti meu rosto completamente ardente, deveria estar bem vermelha. “Bom saber, preciso retribuir rs. Te acordei?” E não demorou para que a resposta viesse: “Não, mas já estou indo dormir. Boa noite, garota.” Sorri, imaginando naquele momento aquela loira deitada em uma cama. Será que ela usava camisola? Pijama? Regata e calça legging? Shorts? “Boa noite, Loira.” Coloquei o celular na mesinha de cabeceira e pensei comigo mesma o quanto eu estava encrencada. Bruno estava levemente certo. Eu tinha diversas paixonites pelas mulheres que me fascinavam. Poderia até não dar em relacionamento algum, mas quando eu me encantava com alguém... E impulsiva como eu era... Não seria difícil que Anastácia virasse bem mais do que uma simples mulher que eu conhecera no bar.

2 comentários

  1. Ahhhhh! Eu li, eu li! *_* Ameeei aquela primeira cena das duas, a Leo é muito abusadinha kkkk, mas funcionou com a Anastácia! Elas são cheias de química! Adorei o amigo também, todo mundo precisa de um confessionário rsrs, otimoooo, continuaaaaaaaa! :P

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    1. Aeeeeeee fico super feliz que tenha gostado! E sim, Leo é bem abusadinha :P mas talvez tenha sido isso que tenha chamado atenção da Anastácia :P Sim, são mesmo! Eu não planejava me apaixonar pela minha própria personagem, mas né... hahaha Logo logo postando o próximo e espero que continue gostando! Beijos!

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