7 Dias Com Ela - Capítulo 6


Capítulo 6 – Dois

            Voltamos a pé para a cala dela, enquanto ríamos e conversávamos, com uma garrafa de vinho nas mãos. Eu não bebia, o vinho era até gostoso, mas eu nunca bebia, exceto naquele dia. Tudo estava perfeito. Não sentia o frio das quatro horas da madrugada, e só ríamos, de tudo. Chegamos a casa dela e eu me despedi com um beijo apaixonado em seus lábios. Mal sabia eu que aquilo havia culminado em nosso fim.
Fui para a minha casa, andando também. Cheguei e deitei, desabei em sono profundo.


            Quando acordei na manhã seguinte, já era hora do almoço. Meu plano de ir para a faculdade foi por água a baixo. Tomei banho, com um sorriso de orelha a orelha. Almocei, enquanto conversava animada com a minha mãe. Iria para a casa da Lisa depois de comer, eu não podia passar nem mais um segundo sem ela. Já estava fazendo planos para aquela tarde, quem sabe um cinema? Ou um filme em casa mesmo, com pipoca e refrigerante?

            Cheguei à casa, e ao tentar abrir a porta, percebi que estava trancada. Bem, mesmo assim, toquei a campanhia. Nada. Toquei de novo e esperei. Olhei para a garagem e percebi que o carro da mãe dela estava lá. Senti um arrepio, como se um vento gelado passasse por mim. Tive um mal pressentimento. Quando eu ia apertar a campainha novamente, Lisa abriu a porta.

- Vai embora. – foi a primeira coisa que ela me disse, com a voz seca.

- O que? Lisa, o que você tem? – perguntei, ainda surpresa com o cumprimento.

- Nada. Você tem que ir embora. – continuou seca, mas seus olhos estavam vermelhos, pelo jeito, chorara bastante.

- Como assim? Me explique o que aconteceu, por favor! – eu tinha um tom de desespero na voz, o que tinha acontecido de tão grave?

            Ela deu um suspiro, cansada, sabendo que eu não iria embora tão facilmente. Saiu de dentro da casa, fechando a porta atrás de si. Encarou-me. Seus ohos estavam tristes e duros ao mesmo tempo, como se já tivesse se decidido. Tinha olheiras sob os olhos que, por alguma razão, haviam perdido o brilho.

- Minha mãe chegou antes do previsto. Viu-nos ontem à noite, viu o beijo, a nossa felicidade. E isso não é direito, não é certo. Não é o que ela sonhou para mim. Não é uma vida digna. Por isso estou terminando.

            Aquilo fôra um balde de água fria para mim. Lágrimas começaram a brotar dos meus olhos e senti um arrepio na espinha, tinha medo de perdê-la. Comecei a implorar, tentando argumentar sobre o que poderíamos fazer, que poderíamos fugir se ela quisesse, e sermos felizes para sempre, como em um conto de fadas. Mas ela foi categórica ao dizer um sonoro e gélido “não”.

- Não insista, Bia. Eu te amei, mas tudo tem que acabar. Nós não daríamos certo, e você sabe disso. Não torne tudo mais difícil. – havia dor e tristeza em sua voz.

- Tudo bem, mas eu não vou desistir de você. – respondi com a voz embargada.

            Olhei-a pela última vez, virei-me de costas e sai andando, de volta para casa. Eu sentia dor, uma dor tremenda dentro do meu peito, agora rasgado em mil pedaços. Lisa era minha alma gêmea, e eu sabia disso. Parece clichê, não é? Mas o que posso fazer se acreditava nisso? Acreditava piamente, que ela iria me amar para sempre, que ela era minha e aquilo nunca, nunca iria mudar. Não importava o que acontecesse.

            No dia seguinte, eu andava pela praça perto de casa, com os fones nos ouvidos, a música alta, para que eu não pensasse. Pensar dóia. As lágrimas secaram no meu rosto, enquanto meu rosto continuava inexpressivo. Sentei em um dos bancos, rodeada de folhas secas no chão. Senti então que me tocavam no ombro, virei-me e a surpresa fôra enorme: você, sorrindo tristemente para mim.

- O que... O que você está fazendo aqui? – perguntei, confusa.

- Estava andando pelas redondezas, e lhe vi sentada aqui, resolvi vir conversar. – deu um mínimo sorriso, que me fez sorrir também.

            Então seguiu-se um silêncio, aquele silêncio infernal que eu tanto odiava. Eu não sabia o que dizer! Tinha tanto para falar, mas ao mesmo tempo... Só queria me calar. Seus olhos cor de chocolate encararam-me, profundos, e ela disse:

- Por favor, não pense mal de mim. Eu amo você, sabe disso. Só... não pode ser, e nunca poderá. Não vai acontecer. – tinha a voz calma.

- Por que? – eu tinha a voz embargada, cheia de mágoa.

- Minha linda, eu sou muito incostante, não consigo fazer concessões. Você merece alguém melhor do que eu, alguém que cuidará de você, o que eu não posso fazer. Vá ser feliz com alguém que te faça feliz. – sorriu, mas dessa vez senti um aperto no coração.

- Mas eu quero você! – saiu um grito abafado pelo choro.

- Beatriz, não. – fechou os olhos e respirou fundo. Abriu-os de novo.

- Mas Lisa... Eu... Não posso. – eu iria começar a chorar de novo.

- Por favor, não! Não chora. Vamos apenas... Esperar. – sorriu de canto.

            Deu-me um beijo no rosto e levantou-se, desaparecendo de vista. Então eu chorei, chorei tudo o que eu pude. Eu sabia que uma hora iria acabar, mas tinha que ser tão cedo? Fui para casa e fechei a porta do quarto, colocando uma música alta para tocar, um rock provavelmente. Sofria. Sentia como se não houvesse mais felicidade presente dentro de mim. Eu precisava dela, desesperadamente.

            Peguei um caderno velho e comecei a escrever poesias cheias de dor e mágoa, de sofrimento, só precisava desabafar. Então, do caderno passei para o computador, postando meus textos, dizendo tudo o que eu sentia, sem pensar nas consequências. Então senti raiva, ódio, dor. Será que ela nunca me amara de verdade? Fôra só um passatempo? Eu devia levantar-me e voltar a viver, sem ela.

            Uma montanha russa de emoções, era o que eu vivia. Odiava e depois amava, ao mesmo tempo. Gritava e chorava, para depois ficar deitada sem fazer nada, inerte. Eu só queria Lisa, era tão difícil assim? Ela me completava. Eu não podia suportar o fim. Levantei-me, decidida a fazer alguma coisa, não podia deixar que acabasse daquela maneira.

            Saí correndo de casa, andando sem sentir o caminho até a casa dela. Cheguei ao portão que já era meu conhecido, e comecei a tocar a campainha sem parar. A porta da frente e a janela do quarto que ficava na parte de cima da casa, se abriram ao mesmo tempo. A minha frente, a mãe de Lisa, com cara de poucos amigos, e lá em cima, Lisa, com os olhos cheios de temor, surpresa ao me ver.

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