7 Dias Com Ela - Capítulo 5


Capítulo 5 - Mania De Você

Quinta-feira. Manhã de aulas na faculdade, almoço em casa. Tentava me concentrar em minhas lições e trabalhos, mas não conseguia. Quando finalmente consegui, meu celular apitou, mensagem recebida. Fui ler, era de Lisa, dizendo que sentia saudades. Um sorriso instalou-se em meu rosto. Saí correndo até o telefone e rapidamente disquei o número dela.

- Oi amor! – ela disse, ao em vez do habitual alô.

- Hey minha flor! Como sabia que era eu? – disse, sentando-me na cadeira.

- Simplesmente sabia. Sei lá, acho que é sincronia. – brincou.

- Então... O que vai fazer hoje a noite? – perguntei sem rodeios.

- Sei lá, não planejei nada...

- O que acha de sairmos para dançar?


- Acho ótimo! O único problema é que hoje ainda é quinta-feira... – disse indecisa.

- Ah, mas vamos hoje! Prometo não voltarmos tão tarde... – ouvi um suspiro do outro lado, e então sua voz:

- Okay, você venceu. – deu uma risada que me fez sorrir.

- Até de noite amor. – desligamos.
            Resolvi dar um jeito em casa, arrumei a cozinha, o quarto, a sala. Enquanto cantava, não conseguia segurar minha felicidade. Minha mãe estranhou meu bom humor, mas não disse nada. Já tinha ideia do que era e resolveu deixar que eu me divertisse um pouco.

            Já era de tarde, tomei um banho demorado, sentindo a água quente descer pelo meu corpo. Então enrolei-me na toalha e voltei ao quarto, procurando o que vestir. Decidi-me por uma calça jeans, uma blusa preta com brilho e um salto baixo. Deixei o cabelo solto, uma maquiagem leve e um delineador nos olhos.

            Ouvi a buzina do carro lá fora, um sorriso estampou-se em meu rosto. Saí correndo, passando pela minha mãe dizendo um rápido “até mais” e abri a porta, descendo as escadas. Passei pelo portão e saí lá fora, Lisa estava encostada na porta do carro. Estava linda! Um vestido vermelho no corpo, curto, nos pés uma sapatilha preta, nos cabelos loiros por sobre os ombros...

            No rosto o sorriso era enigmático e os olhos brilhavam. Eu tinha sorte em ter aquela mulher ao meu lado. Minha menina mulher, para falar a verdade. Corri, dando um beijo em seus lábios e abraçando-a apertado.

- Senti sua falta. – disse entre um beijo e outro.

- Também senti a sua. – respirou contra meus lábios abertos.

            Entramos no carro e decidimos para qual boate iríamos. Provavelmente alguma que tocasse músicas que gostávamos, e não essas que tocam batidas intermináveis e irritantes. Enquanto estávamos nas ruas, o rádio ligado do carro tocava músicas brasileiras antigas, e nossas vozes se misturavam cantando o mesmo ritmo:

- O tempo não pára! – e ríamos.

            Nem sei se eu gostava de Cazuza ou Barão Vermelho, mas gostava daquela música e ela também, era o que bastava. Ela tinha umas certas ideias malucas e eu entrava na dela, parecia saber bem mais do que eu em questão de história, e eu a ouvia, embebecida em suas palavras docemente amargas.

            Chegamos à boate e descemos do carro, estacionado ali perto. Nunca tinha ido ali, mas parecia ser um lugar legal. Escuro, com luzes coloridas, grande e espaçoso. Havia um palco, um bar cheio de bebidas, alguns sofás pelos cantos escuros. Já estava lotado. Quando entramos, estava tocando umas músicas estranhas, mas o horarío já estava mudando, e a melodia mudou também.

            Ouvi primeiro músicas do Capital Inicial, comecei a entender que iriam tocar seleções brasileiras, e aquilo era o máximo! Começamos cantando “Primeiros Erros”, gritando, pulando, uma de frente para a outra, como se nada mais importasse. E ríamos, como se tudo fosse mágica. Olhávamos nos olhos e o sorriso parecia eterno em nossos lábios. Então passou para outra música brasileira, e nós pulamos no refrão:

- Porque você não olha para mim, Ô ô. Me diz o que é que eu tenho de mal. Ô ô. – ela mordeu os lábios e apertou minhas bochechas, eu usava óculos.

            Depois de um bom dempo dançando, a velha e boa música da Rita Lee invadiu o ambiente, tocando “Mania de Você”. Lisa adorava as músicas dessa cantora. À minha frente, fechou os olhos por um instante e começou a, lentamente, balançar os quadris, no ritmo da música. As mãos subiram para os cabelos loiros, bagunçando-os.

            Senti como se um buraco negro engolisse as pessoas ao meu redor, fiquei surda para o barulho das pessoas, ouvindo somente a música. Fiquei cega para os corpos tão próximos, enxergando somente o dela. A pele morena, o corpo de violão, insinuando-se em minha frente, o remexer daqueles quadris... E a música! Cenário perfeito para me tirar do rumo. E havia atingido seu objetivo com perfeição.

            De repente, abriu os olhos e me vi invadida por aquelas íris marrons, derrubando minhas barreiras e meu bom senso. Lisa aproximou-se de mim, colando o corpo junto ao meu, continuando a remexer os quadris, com uma perna entre as minhas, mexendo a barriga para frente e para trás, com a cabeça encaixada em meu pescoço, respirando, aspirando, bem perto do meu pescoço. Se queria me enlouquecer, estava conseguindo.

            A música ambiente foi trocada, apesar de ainda ser brasileira, veio para uma artista mais atual. E eu me peguei desejando Lisa sem conseguir me refrear, ao som de “Luxúria” da Isabella Taviani. Aquela garota continou esfregando-se em meu corpo, sem pudor, sorrindo maliciosamente ao ver em meus olhos as chamas acesas de desejo. Sabia que era ela a causadora daquele vulcão que entrava em erupção, e adorava aquilo.

            Seus lábios colaram-se aos meus e sua língua invadiu minha boca, enlaçando-se a minha. Mordeu meu lábio inferior, gemeu baixo, sussurrou algumas palavras em minhas orelhas, que eu não entendi, mas senti arrepiar-me de cima a baixo. Sem conseguir me conter, peguei-a pela mão e arrastei-a até o banheiro feminino da boate.

            Entrei em um dos reservados e fechei a porta, colocando-a contra a parede. Com fúria, beijei seus lábios e seu pescoço, descendo para a barriga, caindo de joelhos no chão frio. Levantei seu vestido até as coxas, admirando aquelas pernas que eu tanto adorava. Afastei a calcinha de renda com os dedos e caí de boca no turbilhão de sensações que era beber daquela fonte inesgotável.

            Lisa gemeu em meus braços, com as mãos enroscadas em meus cabelos, para que eu não saísse do lugar. Eu tinha necessidade de tocar aquele corpo, de beijá-lo, agarrá-lo, como se fosse vital para eu contiuar respirando. Era viciante. Aliás, Lisa era, inteira. Dali, fomos para a casa dela, e depois para a cama. E na cama, eu já não sabia mais quem era eu, quem era ela, onde uma terminava e onde a outra começava. Só uma coisa parecia ser certa: ela encaixava-se perfeitamente em mim e para mim.

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