7 Dias Com Ela - Capítulo 4


Capítulo 4 – Educação Sentimental

            Andamos da casa dela até o supermercado, que ficava ali perto, para comprar algumas coisas para fazer o jantar. Eu tinha ligado para minha mãe e dito que iria passar queles dias na casa de Lisa, minha mãe não fizera nenhuma objeção quanto à isso, sabia que eramos amigas. Ela não sabia o quanto estávamos próximas, mas ainda assim, eu não me preocupava muito com aquilo. A paixão e a perfeição daqueles dias me deixaram cega.

            Pegamos um carrinho de compras e começamos a pegar os ingredientes da lista que ela tinha em mãos. Ela queria pegar suco, eu queria refrigerante. Ela pegando creme de leite, eu implorando para pegar uma lata de leite condensado. Resolveu pegar algumas frutas, eu pedi que comprasse banana e maça. Parecíamos um típico casal recém casado. O que me deixava feliz de experimentar aquela sensação nova.


            Após pegarmos tudo o que queríamos, voltamos para a casa dela e rumamos para a cozinha. Ela pegou o caderno de receitas, adorava cozinhar, o que eu não gostava muito, mas não perderia a oportunidade de ajudá-la. Eu não fazia ideia do que ela ia cozinhar, mas obedientemente fazia o que ela mandava: colocava a àgua para ferver, escorria o arroz, pegava uma colher de madeira, etc.

- Sabe, eu não sei como você pode ter tanto jeito com a cozinha! – disse, enquanto olhava-a fazer uma carne de panela.

- Ah eu aprendi com a minha mãe, isso eu não posso negar. Adoro cozinhar, principalmente se for coisas diferentes. – colocou a carne picada dentro da panela.

- É, minha mãe também tentou me ensinar, mas esse não é o meu forte. – dei uma risada, pegando na geladeira um pouco de alho e cebola.

- Bem, considerando que você quase queimou o arroz uma vez, da outra vez quase deixou muito salgado... É, acho que você não tem jeito mesmo! – deu uma risada.

- Hey! Também não é assim, ok? Eu já faço arroz certinho, além de temperar a salada, fazer refresco e café! – fiz cara de emburrada.

- Oh minha criancinha já está ficando grandinha! – brincou, soltando a faca e a cebola em cima da bancada.

- Nem tão grandinha que não mereça um beijo... – fiz biquinho.

            Ela achou graça e me abraçou, dando-me um beijo nos lábios, sorrindo logo depois. Acabamos de fazer o jantar e eu coloquei a mesa. Sentamos e jantamos, enquanto conversávamos. Incrível como nunca faltava assunto entre nós duas!

- Hum sua comida está deliciosa! – eu disse, recolhendo os pratos.

- Quer dizer que a senhora adora minha comida? – virei para ela, meio confusa, e ela desatou a rir. Notei o semblante malicioso dela.

- Epa mas que menina safada você está me saindo, hein?!

- Até parece que você também não é safada! Mas tudo bem, se for assim, eu não vou mais te comer em duplo sentido. – sorriu, triunfante.

- Ahn, isso não vale! – coloquei os pratos na pia e voltei para a mesa.

            Ela levantou-se da mesa, encaminhando-se para o seu quarto. Fui atrás dela. Quando olhei, não a vi. Entrei no quarto e ela surgiu de repente atrás de mim e me fez cair em cima da cama. Olhou, faminta, dentro dos meus olhos verdes. Podia ver toda a paixão, o amor e o desejo naqueles olhos cor de chocolate. Eu tinha tanta sorte de ter aquela menina linda ao meu lado!

            Deitou-me e despiu-me, beijando meu corpo inteiro, virando, revirando. Invadiu-me o íntimo sem pedir licença, já sabia, era tudo exclusivamente dela. Senti seus lábios, sua lingua, sugando meu sexo com uma enorme voracidade. Cheguei quase que literalmente a ver estrelas. Ela sabia exatamente onde me tocar, onde me beijar, ela sabia, incrivelmente. Deitamos na cama dela, lado a lado, com os corpos nus e a felicidade estampada no rosto. Acabamos adormecendo.

            Quarto dia, e tudo continuava uma maravilha. Levantei cedo, troquei de roupa e fui para a faculdade, ela foi para a dela. Eu não conseguia parar de sorrir, nem as provas que foram marcadas me fizeram tirar o sorriso do rosto. Conversava com minhas amigas na faculdade, contando tudo o que estava acontecendo e todas me desejavam felicidades.

            Naquele dia, voltei para a minha casa, na hora do almoço. Coloquei minhas coisas no meu quarto, dando bom dia para minha mãe, perguntando o que tinha de almoço, toda contente, sorridente. Ela estranhou, olhando para mim, perguntando o que tinha acontecido na casa de Lisa de tão bom, pois eu estava radiante. Respondi que não fora nada demais, que eu estava feliz sem motivo.

            Almoçamos e eu coloquei o som da sala quase que no último, tocando minhas músicas favoritas. Comecei a cantar, dublar, dançar, me balançar, sem me preocupar, já que estava sozinha. De tão entretida, nem percebi a porta da sala se abrir e alguém ficar ali parada, só me observando. Cantava com o peito aberto, rindo, abrindo os braços e fazendo mimica, cantando com todas as forças que eu tinha. Eu estava feliz e queria extravazar essa felicidade, queria que todo o mundo me ouvisse cantar.

            Olhei de repente para a porta e assustei, mas logo depois um sorriso abriu-se em meu rosto.

- Hey você está aí!? – perguntei. A música ficou esquecida.

- Sim, eu estava te observando. – sorriu, andando até mim.

- Ai que vergonha! E eu aqui, agindo que nem uma louca! – ri, abraçando-a forte, enxendo-a de beijos.

- Imagina, estava super fofa! – apertou minha bochecha. Eu odiava que fizesse aquilo, mas ela eu deixava.

            Sentamos no sofá, minha mãe passou, rumando para o trabalho, cumprimentou Lisa e de repente nos olhou demoradamente. Sorriu, balançando a cabeça e despediu-se. Naquele momento eu sabia que ela já tinha descoberto o porquê de tanta felicidade. Não tinha problema, eu sempre soube que não teria problemas com ela.

- Eu quero viajar... – disse minha flor, de repente.

- Para onde? – perguntei sem tirar os olhos do seu rosto.

- Não sei... Quem sabe Estados Unidos, Londres, Paris... Escócia?

- Hum eu adoraria! A gente pode viajar, no futuro. Para vários desses lugares... – disse, pensando longe.

- Sim sim! Ah já pensou? Aí poderíamos conhecer as atrizes das quais somos fãs! – seus olhos brilharam e eu sorri.

- Com certeza! Íamos lá gritar na porta da casa da Sandra Bullock! “Hey, nós somos suas fãs! Você é linda, maravilhosa, cheirosa e gostosa!” – começamos a rir sem parar.

- “A gente não é doida não! Por favor, vem falar com a gente! Você é Diva!” – ela disse em seguida e voltamos a rir.

- Exatamente! – rimos até ficar sem ar. Ficamos quietas, ali no sofá, e de repente ela disse:

- Ai ai. Sabe uma coisa que eu gosto em você? Você é louca que nem eu. – seus olhos amendoados se encotraram com os meus.

- Ah é? – sorri.

- Sim. Você compartilha comigo todas as loucuras, os mesmos gostos, as mesmas risadas... Os mesmos sonhos... Somos tão parecidas e tão diferentes ao mesmo tempo. – disse séria.
           
             Olhei-a, observando, analisando cada pedacinho do seu rosto. Os olhos amendoados cor de chocolate, eram profundos. O desenho do seu rosto, os lábios cheios, o nariz um pouquinho arrebitado, os dentes, os ombros. Sabe, eu sentia que era ela, a pessoa especial, essêncial para mim, não queria ter mais ninguém nessa vida.

            Realmente, erámos tão parecidas e tão diferentes ao mesmo tempo. Gostos iguais, sonhos e esperanças, e então, alguns detalhes nos diferenciavam. Talvez fosse isso que nos tornasse tão especiais aos nossos olhos. Eu nunca tinha vivido algo tão intenso como estava vivendo.

            Os dedos dela deslizaram pelo meu rosto, tocando cada linha, meus lábios, meus olhos, meu nariz. Suas mãos eram macias. A mão desceu para a minha nuca, segurando meus cabelos. Seus olhos não desviaram dos meus. Aproximou-se de mim, em cima de mim, tocando seus lábios nos meus. Beijou-me, com paixão, com desejo, a língua invadindo minha boca, enlaçando-se na minha língua. A música ao fundo dava o toque especial que invadia nossa alma. Aliás, a música sempre esteve presente em nossos corações, nossas almas, como se nos ligasse.

- Eu quero que você fique aqui, assim comigo, para sempre. – ela disse, descansando a cabeça em meu ombro.

- Eu vou ficar ao seu lado sempre, até ficarmos velhinhas. Posso não ser a família que você sonhou construir ao longo da vida, mas eu posso tentar, dar o meu melhor.

- Você é quem eu sempre sonhei. – abraçou-me forte, deixando que algumas lágrimas rolassem. – Tenho medo de acordar e ver que não passou de um sonho.

- Então não acorde. Vamos viver nosso sonho. – sussurrei, beijando-lhe a testa.

            Algumas lágrimas desceram pelo meu rosto. Doce ilusão, como se nessa vida pudéssemos viver nossos sonhos tão fácil assim, como se tudo dependesse de nós, e não depende. Iria descobrir isso mais tarde, da pior maneira possível. 

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